Posts de João Carreira (92)

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Raimunda

3676025075?profile=RESIZE_710xEra uma linda manhã de maio, o céu estava azul anil e, as gaivotas bailavam de um lado pra outro. A donzela Raimunda acabara de realizar seu maior sonho - ficara noiva, era muito rica, porém, feia como o cão, mas, seu corpo era torneado, macio como pêssego, tudo estava milimetricamente, em seu lugar e, tudo era volumoso, no entanto, o que tinha de excesso e beleza no corpo faltava no rosto, espantava até aquilo que não se espanta com nada. Seu noivo (Astrogildo) jurara (não a ela, mas diante daquele corpo - escultural -, que o deixava louco de desejo) que seria amor até que a morte os separasse.

De repente, bate o telefone, a criada grita: - é pra senhora.

Raimunda desce da escada correndo, pois, aguardava uma ligação de Astrogildo. Ofegante, mas com uma voz apaixonada diz:

- Alô meu amor!

Uma decepção, pois, do outro lado da linha, uma voz estranha e macabra diz rispidamente:

- Sou eu, Jurema.

Raimunda desmonta no sofá: -

Jurema? Quanto tempo. Achei que você tinha morrido, está tudo bem com você?

A outra responde:

Vou devorando o tempo ou, é o tempo que vai me devorando e, preciso falar contigo urgente.

- Comigo?

- Sim contigo. E escuta bem o que vou te dizer, estou aqui em baixo. Não demore. Desça agora.

Raimunda quase desmaia, pois, era a ex de Astrogildo. Mesmo sôfrega e arquejante, ainda conversa com sua mãe antes de descer.

Esta última diz:

- Quem era filha?

- A senhora nem imagina mamãe - Jurema -, esta mesma a maldita ex do Astrogildo.

A mãe replica:

- Aquela chata!

Raimunda entra em seu quarto e, troca de roupa, dá uma ajeitada nos cabelos e, desce as escadas de seu apartamento. Rapidamente, avista sua pedra, que sempre esteve em seu caminho. Mas, ainda tem força pra dizer:

- Bom dia, você está bem? Jurema.

Jurema sorri com dificuldade e começa:

- Eu soube que, você mesma sendo feia como o cão acaba de ficar noiva de Astrogildo, vamos responde. É verdade?

Raimunda toma fôlego, levanta os olhos e empina o nariz dizendo:

- Posso não ser bonita de rosto, porém - meu corpo -, é de parar o transito já o seu, é um corpo mole, flácido, sua barriga cai por sobre as calças...

Jurema invejava o corpo de Raimunda, mas, não se deixou abater e, foi dizendo:

- Minha barriga qualquer cirurgião resolve, já sua cara. Só milagre. Mas, o que eu quero lhe entregar é que, vou ter um filho de seu noivo e é batata.

Raimunda balbucia com esgar de choro:

- De Astrogildo? Não pode ser.

Com um sorriso macabro, Jurema desaparece virando a esquina dizendo - este casamento não sai nem a pau Juvenal.

Em casa, Raimunda se joga nos braços da mãe com um choro agudo e sofredor. A velha sebosa corre e liga pra Astrogildo. O susto foi o diabo para o rapaz, mas, como um relâmpago que sai do oriente e vai para o ocidente, o rapaz já estava diante das duas. Ele recebeu uma enxurrada de cobranças e acusações. As duas diziam ao mesmo tempo:

- Houve isso, assim, assim. É verdade? Fala seu asno?

O rapaz meio assustado se defendeu:

- Filho meu? Meuzinho? Disse que era meu? Meu uma ova, este filho é de outro ordinário, pois, eu tive caxumba! E, a maldita desceu!

Raimunda chorando ajoelha-se dizendo:

Com ou sem caxumba, com ou sem filho eu, caso de qualquer jeito e digo mais: - se eu não me casar-me mato-me!

JoãoCarreira

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Tudo Passa

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Observando a memória do passado, vejo que, cada mudança de casa me leva a uma profunda reflexão. Hoje fiquei pensando na grande mudança que deve ser a morte. Nossa, eu vou morrer! Todos vão! É algo certo, só não sei quando, mas às vezes vivo como se fosse ficar eternamente nessa Terra. Como me preocupo com coisas tolas e acumulo bens que vão ficar aqui. Não levarei nada. Serei apenas fotos desbotadas ou em tempos de não impressão, perdidas em alguma nuvem por aí. Tudo vai passar bens materiais e imateriais. Tem gente que pensa que vai levar as viagens que fez o que viveu os bons momentos, mas tudo isso também morre com você. Não levamos nem mesmo nossas memórias. E ao invés de vivermos bem cada dia, sendo mais leves e plantando amor para que ele floresça mesmo quando não estivermos mais presentes, nós nos perdemos em meio a tanto trabalho, correria, disputa de poder, discussões bobas e falta de tempo para amar. Para aqueles que acreditam que tudo acaba aqui deve ser muito difícil viver sem esperança. É uma pena que tenha tanta gente que pensa assim. A morte é só um processo de transformação; somos seres espirituais e eternos e nessa eternidade reside a grande plenitude da vida. Que saibamos viver cada dia como se fosse o último, procurando fazer o máximo para melhorar o mundo à nossa volta.
 "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" -, são palavras de Deus.

#JoãoCarreiraPoeta

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Meu Primeiro Carro o - "Azeitona"

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Quem não teve este sonho, que atire a primeira pedra. Sonhar com o primeiro carro, é como sonhar com o primeiro beijo na boca, é como sonhar com a primeira transa. Novamente, não era no tempo do rei, mas era setembro de 1976 eu estava tirando minha primeira habilitação. Indubitavelmente, eu queria comprar meu primeiro carro. E, foi assim que, um fusca verde oliva atravessou meu caminho e, me ajudou a passar de primeira, no exame de autoescola (prova de fogo).

Não foi amor à primeira vista, no entanto, este sentimento foi crescendo, crescendo e se tornou muito forte, em cinco dias eu estava apaixonado. 1962, era o seu ano de fabricação; era um fusquinha 1200 - 12 volts, sua potência era fraca sim, mas, tinha uma cor inesquecível, um verde de dar água na boca, tinha hora que parecia azeitona, ao mesmo tempo parecia folha verde, cor de laranja esverdeada; seus bancos eram pretos e intocáveis; seus para-choques eram diferentes dos de hoje, tinha canos metálicos curvados com desenhos arquitetônicos; o duro era a capota, todinha amarelada de ferrugem com algumas bolas azuladas (desbotadas), mas, bastava um retoque pra ficar zerinho novamente. Este carro era do meu chefe - Adamastor -, (contador de uma construtora civil) eu, sendo seu auxiliar, conhecia toda a história do "Azeitona" -, carro zero tirado da loja, único dono, baixíssima quilometragem super conservado, a capota era apenas um detalhe.

A capota não tirava (bastava lixar e pintar) minha paixão por este "Azeitona" verde oliva, ela nasceu há poucos meses atrás, foi quando cinco dias antes do meu exame de autoescola, pratiquei percurso, baliza e garagem e, foi praticando nele que o amei pela primeira vez. Quis comprá-lo, porém, Adamastor não quis vendê-lo alegando que acabara de tirar da loja um opala comodoro cor de "ovo" e que, o fusquinha ficaria pra sua esposa.

O desejo de ter um carro pela primeira vez era tão grande e, a paixão pelo "Azeitona" gigantesca, bem maior que o primeiro beijo na boca (dado aos quinze anos), bem maior que a primeira transa dada aos dezesseis (será que seria maior que esta última mesmo?). Alguns meses se passaram e, fui chamado pra ser contador de outra construtora e lá, num certo dia, de repente bate o telefone -, era Adamastor, como sempre deu um grito ao telefone.

- Carreira bom dia, preciso de sua ajuda pra fechar cinco anos de contabilidade (atrasada) e me dar o balanço de uma empresa, quantas pratas você me cobra?

Respondi, Adamastor preciso avaliar o movimento da empresa. Marcamos um dia, fiz a avaliação e, dei o preço. Meu ex-chefe era um italiano alto, gordo avermelhado, falava muito forte (sangue de italiano) e, gostava de cantar e tocar violão. Recebendo o preço ele responde:

- Carreira como posso pagar essa fortuna? Estou comprando um novo carro pra minha esposa (outro fusquinha ano 1968, "mosca branca") pode entrar um carro no negócio?

Quando ouvi essa fala gritada de Adamastor eu emudeci por alguns segundos e, nesses segundos passou dezenas de coisas pela minha mente, uma delas -, seria o "Azeitona"? Adamastor dá outro grito na outra ponta da linha e me tira do devaneio.

- Vamos homem. Responde!

Eu muito emocionado balbuciei, que carro é esse, é seu comodoro?

- Não. Carreira é o carro dos seus sonhos e que, você o chama de "Azeitona".

#JoãoCarreiraPoeta

 

 

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Prova de Fogo

3756364254?profile=RESIZE_710xIndubitavelmente, eu não gostava de ler, muito menos de escrever, no entanto, por força da profissão escrevia e lia forçadamente. Como contador/economista, eu era obrigado a entender do riscado, saber das leis e de suas regulamentações. Mas, no entanto, eu ia escamoteando o meu contra gosto (da leitura) e seguia lendo, suando o cérebro e ardendo os olhos. Mas de repente, certo dia (já com mais de cinquenta e três anos nas costas) Pow, embasbacado, fiquei apaixonado pela leitura e, esta paixão fez-me criar um Blog (DrCarreiraCoach) e, este Blog me pedia alimentação constante me obrigando a escrever todos os dias, muitos anos depois, a paixão pela escrita veio - casei-me duas vezes, uma com a leitura e a segunda com esta última. Mas, estou escrevendo estas linhas simplesmente, pra te dizer que, os poetas estão amiudamente, pensando em algo, ou no passado, no presente ou no futuro. E, foi deste jeito que eu estava meditando e não podia ser diferente, pois, é assim que poeta faz -, Novo Pow aconteceu! Veio-me, à minha mente, a imagem do meu sofrido exame de autoescola e a compra do meu primeiro carro: -

Quando comprei meu primeiro carro? O mês da compra, não me recordo, nem o dia tampouco, mas o ano acho que foi em 1976 ou foi em 1977? Deve ter sido em 1978. Naquela época, eu trabalhava numa empresa de construção civil como subcontador e, o meu chefe tinha comprado recentemente, um "carrão" zero quilometro amarelo "ovo" - um lindo opala comodoro, ele também tinha um fusquinha verde oliva 1200, ano 1962, seu teto estava todo desbotado, meio esverdeado (sua cor de origem), meio azulado com tom amarelado pela ferrugem, mas o resto da pintura e do carro estava impecável. Naquele mês, eu e algumas amigas de trabalho (inclusive a esposa do meu chefe) estávamos praticando na autoescola "Caravela" pra tirar nossa tão sonhada carteira de habilitação (CNH).

A preocupação era geral, pois, as aulas eram poucas e caras, isso, agitava nossos corações e também nossos bolsos, mas nesse caso, nossa agitação não era tanto pelo dinheiro, mas sim, pelo medo de fazer o exame e ser reprovado. Mas eis que de repente, meu chefe (sabendo que eu ia tirar carta) diz-me que, todas as tardes daquela semana nós (eu e ele) iríamos praticar em seu fusquinha verde oliva, pois, sua esposa já tinha sido reprovada várias vezes, isso, segundo ele, me ajudaria a não reprovar tanto ou, até (quem sabe) passar direto no exame. Eu fiquei muito agradecido, pois, a gente mal se conhecia e ele prestando-me tal ajuda. Aquela semana passou rápido como um raio, passou "vuando", praticamos os cinco dias úteis de sua composição com isso, eu, me encantava mais e mais com o fusquinha desbotado de meu chefe. No sábado seria a prova fatídica e, este dia não vou esquecer jamais, pois, aquele sábado amanheceu nublado, escuro com cara de chuva. Isso, fez com que aumentasse a ansiedade gostosa que havia dentro do meu peito e agora já não tão gostosa assim, pois, passando na prova eu estaria apto a dirigir e, poderia comprar meu primeiro carro - porém, começou a chover. Cheguei ao local da prova e logo a seguir meu nome foi chamado. Entrei no carro (um fusca branco ano 1972), muito tenso dei partida, quando fui por primeira marcha, meu pé esquerdo (o da embreagem) não tremia, ele trepidava, minhas mãos estavam frias, suadas, minha camisa ensopada, a calça parecia que eu tinha urinado e, pra complicar meu desespero começou a chuviscar forte, na minha frente tinha duas senhoras, a primeira, estava atropelando a baliza, sobindo na calçada e, descendo do carro foi reprovada pelo delegado, a segunda vendo toda aquela tragédia entra em crise, o carro morre -, mais uma reprovação. A partir daquele instante, eu não vi mais nada a não ser a baliza e a garagem, meu pé esquerdo só parou de tremer quando desci do carro e ouvi meu instrutor dizer: -

- Joãoooo, você está aprovaaaado! Fique calmo que o pior já passou e, você fez uma boa baliza e uma ótima garagem (hoje não tem mais esta última modalidade) você tocou perfeitamente os dois pneus traseiros na sarjeta e, não subiu na calçada.

Eu estava todo esbodegado, porém, ainda tinha mais um desafio - o exame de percurso, nisso volta novamente, meu instrutor dizendo em tom de gracejo: -

- Estás preparado Joãoooo? Agora vamos fazer a prova de percurso. Relaxe.

O percurso foi tranquilo, éramos em cinco, eu fui o primeiro, entrei sentando no carro (não coloquei o cinto e, não perdi pontos por isso) dei partida, coloquei a primeira marcha, depois a segunda e percorri mais ou menos mil metros, dando seta virei à esquerda, fazendo o retorno, o delegado mandou encostar dizendo - cai fora!

Fui aprovado!

Se eu estava feliz? Decerto que sim. Eu estava feliz da vida e, mesmo molhado (como um pinto) comecei a pensar no meu verde oliva - o meu primeiro carro? Quem sabe. Naquela noite eu não consegui dormir, pois, as imagens do exame, a chuva, as mulheres sendo reprovadas, eu todo molhado, mesmo assim, eu não parava de pensar no meu verde oliva.

Passei o final de semana pensando amiudamente no meu primeiro carro de capota desbotada e enferrujada, e não via a hora de chegar segunda feira pra fazer uma pergunta pra meu chefe será que ele me venderia o carro? Cheguei mais cedo ao trabalho, de repente meu chefe chega também. Depois de três horas de serviço desconcentrado, eu tomei coragem e fiz a pergunta. Ele pensou um pouco e meio que enternecido e constrangido disse:

- João, infelizmente, meu carro não está à venda, pois, vou deixá-lo pra minha esposa que acaba (depois de muitas reprovas) de passar no exame.

Encadeando minha tristeza com minha desolação e sem o verde oliva desbotado, eu fiquei mais esbodegado e, continuei indo de ônibus pra minha casa por um bom tempo.

#JoãoCarreiraPoeta

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Megacena

Certo dia estou calmamente andando em um shopping, quando de repente, para em minha frente um senhor que, aparentava uns trinta e cinco a quarenta anos de idade; cabelos meio que querendo mesclar o branco; seus olhos eram espertos e negros como a noite; rugas começavam a surgir na face, mas tinha um ar jovial; tinha uma barriga avantajada que, mais adiante eu descobri o motivo, ele grita: -

- Doutor Carreira?

Sim. Exclamo eu, em que posso ajudá-lo e, de onde me conhece?

Ele rapidamente, diz ser - Teodoro Bebedouro (estaria seu nome ligado à bebida?), um dos meus inúmeros seguidores nas redes sociais e que, reverencia o meu trabalho como trader, coach e diz ser minha escrita muito boa deixando-o de boca aberta. Eu meio que sem jeito agradeço, mas, ele insiste: -

- Doutor aceita tomar um cafezinho, um cappuccino, ou algo mais forte comigo?

- Sim. Aceito, ainda tenho algum tempo, pois, estou com um compromisso para daqui uma hora.

Durante o café, ele contou-me (resumidamente), um pouco de sua vida mencionando já ter ganhado na loteria algumas vezes. Brincando eu menciono que, ele devia ser um cidadão bem de vida? Ele responde: -

- Nem tanto, nem tanto Doutor, todas as vezes que ganhei, pouco ganhei, pois, muitos ganharam tornando o bolo pequeno para uma divisão com muitos ganhadores. Mas, gostaria de fazer-lhe uma nova pergunta: - Qual é seu entendimento sobre os ganhadores de muito dinheiro em uma "Megacena"?

Ele parecia ser uma pessoa do bem, (estava muito bem vestido), entretanto, qualquer um que passasse ouvia sua voz alterada (falava alto gesticulando), percebendo sua excitação. Enquanto eu terminava meu café, Teodoro já tinha degustado uma garrafa de cerveja e, já tinha solicitado outra. Resolvi resumir muito bem resumida a resposta de sua pergunta: -

Teodoro: - Na minha percepção e estudos feitos por mim, entendo que, o dinheiro que vem fácil geralmente, ele não é valorizado e, tende a ir fácil também, estudos feitos sobre quem já ganhou (não uma "merreca") uma "bolada" na loteria geralmente, eram pobres e, ficaram ricos do dia para a noite assim como, ficaram pobres novamente. Você precisa entender que, uma fortuna precisa ser alicerçada na escalada de uma vida, é como construir uma casa com alicerce bem projetado dificilmente, essa casa ruirá, já uma feita sem o devido fundamento dificilmente, aguentará os ventos da vida. A maioria dos ganhadores em loteria esportiva perdem tudo em pouco tempo, pois, não tem boa gestão do dinheiro, saindo a gastá-lo a bel prazer.

Teodoro ficou em silencio alguns minutos e, com uma voz bem fraca respondeu: -

- Dotô, sua fama corre mundo e, em poucos minutos, eu entendi tudo, todo o dinheiro ganho, perdi praticamente tudo, parte gastei com viagens, mulheres, jogatinas e parte na Bolsa de valores...

Teodoro era mais um que não valorizava o que tinha nas mãos...

JoãoCarreiraPoeta

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Às Margens de Uma Lagoa

Certo dia estava caminhando no lugar de sempre - em volta da minha lagoa favorita - e, caminhando ouvia-se o pular dos peixes, as conversas variadas das pessoas que caminhavam, misturando-se com as dos que corriam, os de mais idade num passo lento e outros sentados nos bancos jogavam dominó, com um sol brilhante refletindo nas águas esverdeadas da lagoa. Era um dia magnífico; pra correr, caminhar, jogar dominó, e, até conversa fora, mas, de repente, um garoto de olhos azuis, esverdeado com tom acastanhado me chama tocando em meu ombro: -

- Tio! Estou a vender pipocas salgadas e pipocas doces, me ajuda, compra algumas?

O garoto era muito lindo; um cabelo aloirado, porém, judiado por falta de trato; uma camiseta branca rasgada que, de tão surrada estava até escura; seu tênis estava na mesma situação, porém, ainda estava furado; suas mãos eram fortes, mãos de garoto que não tem infância, que não brinca, sobretudo trabalha todos os dias. Pedi dois saquinhos de pipoca, um doce e um salgado. Ao nosso lado tinha um banco vazio, ele olha para o banco e diz: -

- Tio quer sentar, parece que o senhor está cansado?

Eu não gosto de interromper minhas caminhadas, pois, parece tirar o compasso do coração e da pressão arterial, mas como resistir a um pedido de um garoto que, já não era tão estranho pra mim - sentamos, o garoto era bom de prosa e começou a fazer várias perguntas: -

- Tio, o senhor vem sempre aqui caminhar? O que o senhor faz? O senhor trabalhar em que?

Com muita paciência e carinho eu, respondi todas as perguntas do garotinho e, fiz as minhas também, pois, queria conhecê-lo melhor. Ele contou-me que era órfão que, perdera sua mãe com dois anos de idade e seu pai foi-se pro outro mundo quando completava cinco anos, disse sentir vaga lembrança de papai, porém, de mamãe quase nada lhe vinha à lembrança, falou-me com os olhos cheios d'água que fora criado por seus avôs (que estão doentes) e que, sua família era somente os dois. Ao mesmo tempo em que proferia estas palavras fez um bico e, caiu num pranto que até eu comovido, chorei, entre lágrimas e choro ele atirou-se nos meus braços, ali ficamos um abraçado ao outro e, nenhum dos dois dizia nada, pois, tínhamos dois nós na garganta, um na dele e outro na minha. As pessoas que passavam não entendiam nada, um velho septuagenário, bem vestido, abraçado com um garoto mal trajado, sofrido e carente de um afago, carinho nem que fosse de um estranho. Comprei toda pipoca (doce e salgada) do garoto e disse: -

- Jorginho, hoje você não trabalha mais, o seu dia está ganho e garantido, venha comigo!

Sim, respondeu Jorginho, (Jorginho era o nome do meu mais recente e puro amigo). Fomos pra minha casa, lá, tomou banho, dei-lhe roupas novas, sapatos novos e almoçamos juntos. Acho que Jorginho, nunca teve uma tarde como aquela, aqueles olhos azuis esverdeados com traços acastanhados, não tinha mais, aquela nuvem de tristeza daquela manhã de domingo. Bem a tardezinha eu disse a ele que gostaria de visitar seus avós - Jorginho explode novamente, num pranto que me assustou, mas disse: -

- Não se assuste seu dotô, pois estou chorando de alegria!

#JoãoCarreiraPoeta

27/11/2019 - 14h25"

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Abraçando o Dia e a Note

Se você observar bem, ontem, a noite fogosamente, abraçou o dia e, hoje o dia se sentiu no direito e dever de retribuir, abraçando a noite ardentemente, Deus nos abraça constantemente, e assim vamos abraçando-nos no compasso do tempo. Portanto, refletindo nisso pensei; por que não desenvolver a arte do abraço e do sorrir quando a vida disser um não a ti e a mim e, quando ela dizer um sim - festejaremos - Tim, tim!

#JoaoCarreiraPoeta

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Cátedra

O som da pronuncia trás à mente, algo semelhante à catedral, mas apesar de ser um substantivo, não representa um prédio (uma Igreja), porém, no sentido figurado está sim ligada à religião, oratória religiosa; púlpito; a eloquência da cátedra; na botânica diz respeito ao aspecto comum das plantas do gênero Cathedra, sendo suas espécies maioritariamente, brasileiras. Mas voltando à Cátedra, esta refere-se à literatura, a uma cadeira de professor (não aquela que ele senta), da pessoa que ensina; cadeira professoral; cargo de quem ocupa essa cadeira; cargo de professor universitário obtido por concurso público; Cátedra tem três sílabas; essa palavra estranha, ainda pode ser sinônimo de: - oratória, púlpito, magistério; sua etimologia (origem da palavra cátedra), veio do grego Kathédra, "assento"; pelo latim cathedra - cadeira de professor.

#JoaoCarreiraPoeta

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Flor Vermelha

Flor Vermelha

Dá-me a tua flor vermelha, orvalhada, macia, tenra, aveludada, mais bela do que simples, no entanto, quero vermelha da cor do sangue do coração - símbolo da nossa paixão é uma centelha, um pingo de sangue que jorra do meu coração...

Dá-me a tua flor vermelha, pois, esta flor vermelha é como rouxinol cantando docemente, picando com o bico o próprio peito, fazendo sangrar o solo, sangrando a alma e o coração...

Dá-me a tua flor vermelha, enquanto o rouxinol canta e, cantará eternamente, o nosso amor, dá-me esta flor vermelha, quantas vezes eu pedir - de noite, de madrugada, ao amanhecer, ao meio dia ou, em qualquer hora do dia - dá-me a tua flor vermelha...

#JoaoCarreiraPoeta

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Veneza Rodeada de Águas

É indiscutível a fascinação que esta cidade italiana (capital da região de Vêneto, situado no norte da Itália) exerce sobre todos turistas de todo mundo. É formada por mais de 100 pequenas ilhas dentro de uma imensa lagoa do mar Adriático, a cidade não tem estradas, apenas canais (como a via Grand Canal que, forma um dos principais corredores de tráfico de água da cidade), repletos de palácios góticos e renascentistas; na praça central, Piazza San Marco, ficam a Basílica de São Marcos, coberta de mosaicos bizantinos, e o campanário, com vista para os telhados vermelhos da cidade.

Mas como Veneza foi construída?

Não tem quem não se encanta diante dela, no entanto, passando o encantamento, surge uma pergunta bem interessante: - Mas, como ela surgiu? Como foram feitos estes magníficos e robustos palácios que parecem flutuar numa lagoa gigante? Seria sorte, perspicácia, genialidade, ou necessidade? Uma mistura de tudo isso. Veneza é uma ilha? Não exatamente. Na verdade, a cidade é um conjunto de mais de 100 ilhotas que, começaram a serem habitadas e anexadas umas às outras a partir do século VII: -

Tudo começa (mais ou menos) no ano de 452, quando habitantes do nordeste italiano, se agasalharam, se albergaram escondendo-se nas ilhas de uma gigantesca lagoa de água doce, à beira do Mar Adriático para escapar das invasões bárbaras que puseram fim ao império Romano. Ali, era parte de uma região chamada Vêneto, havia naquela época mais de 100 ilhotas, cortadas por 177 canais, as áreas secas de terra firme, foram ocupadas pelos primeiros moradores. Assim que as ilhas foram tomadas completamente, a cidade começou avançar sobre as águas, passarelas suspensas foram construídas ao lado das fachadas e, 40 canais deixaram de existir, conforme os moradores foram construindo anexos às suas casas, os aterros tornaram-se comuns, com os canais ficando mais estreitos, à medida que a cidade crescia. Essa etapa da construção foi excepcionalmente, lenta devido à dificuldade de fixar fundações em solo tão instável; a escassez de materiais de construção, trazidos de longe e a incapacidade de manter trabalhadores fixos nas obras em circunstancias tão desfavoráveis. No início, a cidade foi toda edificada em madeira.

Alguns séculos depois, as pedras passaram a ser o principal material de construção e, a partir do século X foram usadas para forrar as margens dos canais, essa medida deu maior estabilidade às fundações das casas e facilitou o embarque e desembarque nos barcos. As primeiras pontes feitas de pedras surgiram em 1170, mas até o século XIII surgiram apenas 11 delas. Porém, em 1500, já contava com 166. A cidade da poesia e do romantismo lucrou muito com sua posição estratégica, o comercio entre o Oriente e o Ocidente foi uma fonte de riqueza extremamente, importante e, fez dela a principal potencia comercial da Europa. Entretanto, em seu caminho surgiria Vasco da Gama descobrindo nova rota de navegação para as Índias, a importância de Veneza começou a ser lapidada, sofrendo derrotas em seguidas guerras e, em 1797, ela acaba sendo conquistada por Napoleão Bonaparte e, em 1866, passou a pertencer ao reino da Itália.

No século XVI, Joseph Heintz a retrata, a Veneza deixava de ser uma potencia comercial para se tornar uma das maiores atrações poética e romântica do planeta.

#JoaoCarreiraPoeta

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Conchinha

Note que, não é cochinha, é conchinha mesmo, pois, cochinha eu acho que não existe. E, reitero: - talvez seja difícil ouvir essa palavra e não vir à mente as conchinhas, o azul esverdeado, a brisa e as águas salgadas do mar. No entanto, se caso eu fosse poeta já estaria delirando, pensando no anoitecer, pois, ficar na varanda eu e ela é mais que romântico é semântico, nossos corpos ficam como veludo arrepiado, todo crespado, ambos ardendo de paixão. Dois apaixonados são dois côncavos e convexos, seus corpos se curvam um encaixando no outro, querem ir pra casa dormir de conchinha imaginária, querem se abraçar ardentemente no inverno dividindo seu cobertor poeticamente um com o outro, querem acordar com seus beijos, banhar-se demoradamente, porém, no fundo o que os atrai é o côncavo e o convexo, é a conchinha, é a silueta da amada indo para o banho e, voltando para o aconchego...,

Quem não dormiu, quem não quer dormir de conchinha?

#JoãoCarreiraPoeta

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Uma Meditação Estranha

Uma Meditação Estranha

Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual acordamos, mas são cinco da matina, bem acomodado num sofá de cor amarronzada, sentado com seus pés juntos de forma que, suas solas estavam lado a lado, as pernas encolhidas em forma de triângulo, coluna meia que ereta, somente o som do silêncio era ouvido, porém, o sofá estava todo tomado: -

Os dedos do pé direito pareciam estranhos, meio que inchados, lembrava uma bola de gude gigante, os demais, maiores o dedão mais parecia um bolão; Assim os olhos da mente percorria o corpo passando pela sola (toda rachada) deste pé tão estranho; O tendão de Aquiles era extremamente forte, mas, mesmo sendo cinco da manhã já estava suado; A viagem continua e, chegamos num coração de ponta cabeça - sim, é a batata ou barriga da perna - ou panturrilha, era um verdadeiro "batatão" de fazer inveja, a canela nem se via tal era a grossura; No joelho tinha uma cicatriz gigantesca, escura; Saindo desta região, os olhos da mente diz uauuu que "coxão", essa parte da perna era tão grossa e forte que, só faltava ser verde pra ser a do Hulk; Continuando, chegamos num quadril gigante, pois, o homem parecia anormal, tudo era fora de proporção, do pé esquerdo, da panturrilha e da coxa gigante, não tem nada pra comentar além de dizer que, é tudo semelhante, o que num tem é o corte do joelho; Voltando pro quadril, as nádegas eram compostas por dois glúteos musculosos, animalesco parecia estar vendo o Hulk pelado: Um abdômen (palavra complicada de se escrever) trincado, num tinha uma miligrama de gordura, os gomos subiam até os peitos (gomos gigantes) - tórax de Hércules; As costas era escultural, ampla e irrestrita, porém, sebosa e gordurosa; E, de repente, os olhos da mente para e se estatela, vendo diante de si, uma área que devia ser a mais bela - o crânio - no entanto, é horrível, grotesco, animalesco, um rosto muito forte, esverdeado, cabelos pretos...,

Era o Hulk

#JoãoCarreiraPoeta

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Navegando

          Ahhh, se eu tivesse o poder que tem o mar que, sustenta sobre suas águas todos os tipos de embarcações; eu sustentaria nas palmas de minhas mãos o barquinho de minha vida; sopraria com sentimento, traçando rota, aprumando o leme, na direção da minha paixão; com minha mão no peito eu sentiria o tocar ritmado, de suas batidas descompassadas acalmando os mares de minha vida, mares que guarda tamanhos segredos de versos naufragados e sem tempos; velas que não rimam com o vento, muito menos com o meu pensamento e com minha paixão; minha vida parece que vem, mas ao mesmo tempo parece que vai; algo me impede de encontrar esse cais e, assim entro e fico dentro da minha solidão; minhas mãos não estão preparadas para suportar o barquinho da minha vida, nem sopro tenho pra soprar esse sentimento, no entanto, continuo navegando em busca da minha paixão.

#JoaoCarreiraPoeta

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A Calma de Um Assaltante e de Um Assaltado

A Calma de Um Assaltante e de Um Assaltado

Este final de semana meu cabelo fez-me um pedido. Queria um corte, como eu sou dele e ele é meu, marcamos um encontro (no nosso barbeiro desde 1960) pra sábado passado. Barbeiro, você sabe que todos são depressivos e, tanto corta cabelo, quanto fala da vida alheia. Fomos chegando e na porta em pé estava Godofredo (amigo de muitos anos) que gentilmente nos recepcionou: -

- Bom dia doutor quanto tempo? Seja bem vindo entre e, se ajeite.

Eu e meu cabelo, não nos fizemos de rogados e entramos; a barbearia era ampla e, em cada canto tinha quatro cadeiras muito confortáveis, ar condicionado, musica ao vivo (jazz e blues), o ambiente era bem movimentado. Sentei, colocando meu cabelo à disposição de Godofredo, este enquanto preparava meu cabelo para o corte - exclamou: -

- Doutor, sabe da última? Eu disse, decerto que não. Ele prontamente, e com muito gosto começa a descrever um ocorrido na semana passada: -

- Doutor, a semana passada ocorreu um assalto no bairro das Angolas, na Rua do Galo Sarado n. 24, mas doutor esse assalto, é assalto de sonho, assunta só; O camarada chega, cutuca a costela do magnata e diz senhor! Meu nome é Juão dos Anzóis, isso é um procedimento sumario de assalto, é preciso que o senhor mantenha a calma e o sorriso estampado no rosto, veja o senhor mesmo e com seus próprios olhos que, tenho em minha mão esquerda (pois, sou canhoto) um punhal e, sua ponta está apontada pro seu coração, diante disso meu senhor, eu quero e preciso de tudo que está em seu poder.

- Doutor, pra meu espanto a história ficou eletrizante, pois, o assaltado calmamente, responde. Bom dia, mas bom dia mesmo, como vai o senhor? A sua educação me comove, no entanto, eu nem sei o que eu tenho aqui comigo, leve esta carteira velha, foi comprada ontem e com desconto, pois, é velha. O assaltante meio que assustado pede desculpa e diz: - calma lá, desculpa, me deixa ver se eu entendi essa bagunça toda. O senhor diz que não sabe o que tem consigo? Passa pra cá então esse paletó chic, pois, deve custar o olho da cara, e seu carro, suas joias? Passa tudo pra cá!

O Assaltado responde com a maior naturalidade.

- Por essas coisas eu não tenho interesse. Felizmente. Não. Este paletó é muito caro. Não serve outra coisa? É recordação de família...

De repente, chega a polícia...

#JoaoCarreiraPoeta

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Beco Sem Saída

Naquele dia nem chovia, nem fazia sol, porém, eu tinha que sair de casa, no entanto, assim que dou partida no meu fusca (nhem, nhem, nhem se ouviu) percebo que não tenho partida e, saio correndo pra tomar o ônibus na avenida. O sol ainda não tinha nascido, eu não via quase ninguém nas calçadas, pois, ainda era escuro. Minha casa ficava situada numa rua sem saída e, ainda era a última do "Beco". Do meu portão ao ponto do ônibus (eu medi um dia) tinha quase um quilômetro - pra serem exatos novecentos e cinquenta metros. Meu endereço? Rua do Alagamento, 1024 - Bairro das Lagoas. Lagoas devido aos alagamentos.

Era uma ruela simpática, não era nem grande nem pequena, sabe aquele ar do interior? Era este o seu. Os postes de madeira e suas lâmpadas geralmente amareladas faziam um contraste com as calçadas quebradas; as árvores mal plantadas davam um ar de desordem e o caminhar era perigoso; recordo que um dia, minha mãe caiu machucando seu joelho esquerdo ao desviar de um carro estacionado na calçada; Apesar de asfaltada é, a mesma coisa de não ser, pois, as chuvas de verão arrancou praticamente, todo o piche com as poucas pedrinhas colocadas; as casas são humildes (tipo casas de COHAB), mas seus moradores honradíssimos, muito mais que os milionários; eu não sei quantas casas tem na minha rua, pois, não contei, só sei que são muitas. Mas, infelizmente, minha rua é um "beco sem saída".

Sempre morei nela e, antes do piche, era terra batida, muito melhor que o piche e as pedras falsas colocadas. Antes tinha futebol todas as tarde, inclusive as que choviam - estas eram as melhores tardes, pois, a molecadas se esbaldavam, transbordando de alegria. Numa dessas tarde, nosso cachorrinho amado morreu com uma bolada na cabeça - a rua sem saída, não teve saída a não ser ficar de luto naquele dia. Tempo bom, tempo de sinceridade!

 Com meu carro sem partida, correndo e desviando dos pingos d'água cheguei à avenida. É engraçado, mas sempre ao chegar ao ponto de ônibus eu sempre olho pra trás, pra minha rua, de alguma forma ela continua sendo "a minha rua de infância". É a mesma, do mesmo jeitinho, apenas foram arrancadas algumas árvores, porém, as que ficaram, estas engrossaram, algumas morreram (estão secas) e, outras surgiram bem plantadas, bem cuidadas, parecem mais baixas ou, acho que cresci. Como duas lanternas, meus olhos vagueiam e vejo minha mãe, vejo meu pai de cabelos brancos, os dois estão lado a lado no portão acenando para mim. Sinto um nó no peito, no entanto, as duas lanternas continuam a percorrer a rua sem saída; meus pais e eu mudamos fisicamente, alguns amigos de infância também se mudaram pra outras ruas (talvez com saída), todos nós mudamos ou, de local ou de fisionomia - Mas, o "Beco Sem Saída" continua ali, imutável.

#JoaoCarreiraPoeta

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Quase Tudo ou Quase Nada

Muito pior que a convicção do não, e, a incerteza de um amargo talvez, é a desilusão de um quase! Tira-me do prumo esse quase, esse quase, quase me entristece quase me mata quase me traz tudo o que tinha quase perdido. Ainda joga quem quase ganhou, aquele que estuda é, porque quase passou e, aquele que quase amou, não amou. Pense nas oportunidades que escaparam por entre seus dedos, pense nas chances que se perde por medo, pense também, nos seus projetos que, nunca, saem do papel.

Por que e, o que nos leva a viver uma vida morta, morta vida? Talvez você saiba a resposta, ou, ela está na ponta da sua língua, ou ainda, está estampada na distancia e na frieza dos sorrisos, nas frouxidões dos abraços, indiferença dos "bom dia" quase sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. O amor queima, a paixão enlouquece, o desejo te trai. Talvez entre todos os motivos da vida, esses fossem, aqueles que, te fazem decidir entre a alegria e a dor. Entretanto, não o são. Veja que, se a virtude estivesse no meio termo, o oceano não teria ondas, as manhãs seriam nubladas e escuras e, em tom cinza, estaria o arco-íris.

Creia o nada, não iluminada, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Desperdiçar a oportunidade pode ser preferir a derrota prévia à dúvida da vitória. Nunca se esqueça de que, para os erros sempre terá perdão, para nossos fracassos, sempre terá uma chance, para nossos amores impossíveis, sempre haverá - tempo. De nada vai adiantar a ninguém, tentar cercar um coração, ou mesmo, economizar um monte de almas. O drama, cujo fim é instantâneo, ou abreviado, não é romance, muito menos drama. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, e, ainda menos que o medo te impeça de tentar. Uma maravilha é, desconfiar do destino e, ainda mais, acreditar em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando.

Pense, quem quase vivia já morreu e, que, quem quase morre está vivo.

#JoãoCasrreiraPoeta

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Autoconfiança

Talvez seja difícil, mas, você precisa tê-la, acima de qualquer coisa. E digo reiterando mais: - Perca a hora, perca os sapatos, perca o ônibus, convém que você perca até o último fio de cabelo, mas, não perca a esperança em si mesmo; convém que você duvide da pessoa que caminha ao seu lado, mas que confie em você; hoje mais do que nunca, não deixe que o seu cérebro sabote-lhe ou que o seu coração passe-lhe a perna; Poucos sabem, mas talvez, ao longo do tempo, você deixe de acreditar no amor, no "felizes" para sempre e no papai Noel;  é provável que se desiluda do mundo perfeito, mas é preciso que, não deixe que ele arranque a sua capacidade de criar um; é fácil falar, porém, em primeiro lugar, seja mais você; olhe-se no espelho e ame aquilo que ele reflete ali; aceite e admire a imagem que ali reflete, os seus defeitos, eles o difere dos demais; jamais perca a fé, não se abata, não desista da batalha tão facilmente; o caminho pode ser árduo e muito longo e com muitas curvas, muitos altos e baixos pra você querer parar no meio dele; o sol nasce e morre todos os dias, portanto, esse não é o seu fim; coloque a mão no fogo pela única pessoa que realmente vale a pena: - você mesmo; quando todos desacreditarem de você, acredite mesmo assim; gaste a última gota de suor, o ultimo suspiro de esperança e o último fôlego de vida que possuir, mas dê a volta por cima e mostre a todos que eles estavam enganados; o que você quer ter, você pode ter, o que você quer fazer, você pode fazer, quem você quer ser, você pode ser. - Basta você querer e merecer.

#JoãoCarreiraPoeta

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Minha Sala de Operações

Localiza-se logo na saída de Campinas sentido São Paulo, na rodovia anhanguera - bem na entrada de um dos mais lindos residenciais da cidade "das andorinhas" - km 87 é a marca exata, à direita de quem vai para a cidade paulistana é a entrada, nela destaca (bem no centro dos jardins), um gigantesco relógio de mais de trinta metros de altura. O primeiro residencial de nome San Moritz - é o local da sala.

Está, para época, magnificamente instalada em casa de proporções conveniente de dois pavilhões. O sol nasce à suas costas e põe à sua frente. A casa tem estilo arquitetônico e a sala foi construída bem na sua dianteira, tem porta (de vidro) de entrada e saída para a rua Dr. Advogado Paulo Faustino Krieger, 56. Muito arejada, tem 10 metros quadrados. Clara como a lua durante a noite e clara como o sol, durante o dia, nem precisa de luz elétrica. Uma janela do lado direito dá vista ao gramado, a horta e do resto do quintal da casa. Internamente tem mais uma porta, através dela tem-se acesso a toda casa. Uma escrivaninha meio quadrada e meio arredondada faz o centro da sala, atrás um balcão mesclado com biblioteca, possui dez gavetas para arquivo de contabilidade pessoal e do mercado.

O ambiente trás uma paz de incomodar os ouvidos, esta paz apenas é quebrada com o passar de pessoas na rua e o cantar dos passarinhos. No centro do teto, uma arandela é acesa raramente, pois a claridade é imensa. A ventilação é feito por ar condicionado, porém um ventilador preto e solitário é visto em cima do balcão germinado à biblioteca.

Sou trader e esta é minha sala de negociação! Para aqueles que não nos conhecem e dizem que, dependemos de sorte, alegando que ninguém vence neste tipo de mercado e que, estamos perdendo nosso tempo, que isso, não é um trabalho de verdade - que devemos desistir de nosso "hobby"...,! Digo que: -, se eles soubessem..., que somos os "Mestres do risco"; somos a essência do espírito empreendedor; somos a liquidez da economia, que nós vivemos pela nossa inteligência, comendo o que nós caçamos adaptados à paisagem desta selva em constante mutação - que é o senhor Mercado. Ahhh, se eles soubessem que nós, tradamos (compramos e vendemos) a moeda que circula em todo mundo - quando eles compram; Ahhh, se eles soubessem que tradamos também, as empresas que eles trabalham todos os dias; Que compramos e vendemos o ouro do relógio nos seus pulsos; E que, enquanto murcham à vista diante do fracasso e da perda, nós gostamos da "adversidade"; Que nós não temos medo de assumir perdas, muito menos de falar sobre elas, de nos recuperar de um capital perdido, estes são nossos momentos decisivos; Que a disciplina e auto-conscência, são nossas companheiras; Que somos o que eles sempre pensaram que poderiam ser.

Estamos saindo das sombras!

Nós somos traders.

João Carreira

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Abraço Partido

            Moro num dos bairros mais gostoso de Cairu e, sempre que saio de manhã gosto de dar um abraço em meu pai e em minha mãe. Naquele dia estava chovendo e, tinha cheiro de terra molhada no ar, a cama tinha uma textura macia de quem quer mais namoro com as cobertas e o travesseiro, no ar também tinha um cheiro quente de café feito na hora que, vinha bailando invisivelmente no ar, os ruídos de xícaras e colheres, traziam a minha boca o gosto do líquido preto e também, a necessidade de sair do meu aconchego, pois, tinha um compromisso às 8h00. Sempre que saio dou um afetuoso abraço em meus velhos.

Esse abraço era e, ainda é apertado, carinhoso e demorado. Eu acho que, o meu abraço é o mais gostoso e que, ninguém dá do jeito que eu dou, pois, eu dou de um jeito diferente, dele sai tiras de amor, tiras de sinceridade e até de saúde, sempre que abraçamos, nossos hormônios tantos os meus, quanto dos meus velhos entram em ação, quanto mais demorado, mais saúde amorosa é transmitida. Por esse motivo, amo abraçar todo mundo principalmente, aqueles que são sangue do meu sangue, carne da minha carne.

Porém, tem o abraço partido (o abraço da separação), esse é doído, machuca a carne da alma e do coração - este não gosto de dar não, pois, faz mal à saúde, faz mal àquele que batuca no meu peito, neste momento recordo-me desse tipo de abraço partido, pois, no ar estava o cheiro do choro, o gosto da saudade gritava soprando o ar, o som da separação voava em todas as direções, mas, os olhos do amor não fechavam, pois, ele era eterno.

Abraçando meus pais todos os dias, eu estou reconstruindo aquele abraço partido e, renovando a esperança de reabraçar aquela pessoa amada.

 

Tim, tim ao abraço

#JoãoCarreiraPoeta

18/11/2019 - 06h24

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CPP