Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1947)

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DOR

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo 

 

 

RESPOSTA

 

Se chamas falso o brilho que em mim arde,
com certeza não viste a chama inteira;
não vês que a luz, embora verdadeira,
também fere quem ama e se guarde?

Não trago no meu rosto qualquer fraude,
nem máscara emprestada ou passageira;
é mesmo dor que, funda e certeira,
reluz na minha face, com alarde!

O tédio que tu vês em meu olhar
não nasce do amor que não manteve
mas do excesso cruel de tanto amar!

Pois quem viveu na vida a acolher
aprende que é difícil suportar
a dor do grande amor que nunca teve!

Nelson de Medeiros

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Dor

Dor

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo

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A forma do Ser

A Forma do Ser

Viver exige esforço e trabalho;
A vida não é pronta: é esculpida.
É complicada, não tem seta ou atalho,
Há razão misteriosa, escondida.

O amor, matéria viva em consciência,
É pedra bruta dada em minha mão;
Sou eu que vou moldar com paciência,
Exige escolha e dedicação.

Lapidado, esse amor pode levar
Ao caos ou ao ápice do louvor;
Pois é frágil essa forma de amar,
É um romance que pode ter ardor.

Se amor é forma frágil de esculpir,
Requer da alma firmeza e direção;
Entre razão e impulso a decidir,
É o ser que dá sentido à criação.

Márcia Aparecida Mancebo
20/01/26

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Conexão de Almas

Conexão de Almas

Meu ser explode de tanta emoção,
Me encanto com a paixão que me seduz,
Pois creio que o amor é uma conexão:
de duas almas que à união conduz.

Almas em comunhão gestam o amor,
Que lentamente cresce e amadurece,
qual estrela a brilhar, com forte ardor.
Amadurecido, o amor será prece.

Uma prece onde o afeto tem poder,
E as almas seguem juntas pela vida,
ansiando somente bem viver,
seguindo por estradas e avenidas.

Um percurso alongado e misterioso,
Onde o amor é provado a todo instante.
Verdadeiro, esse laço é precioso.
São olhos que alcançam o que é distante.

Márcia Aparecida Mancebo
05/01/26

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Estarei sempre aqui

(Amor de Vó)

Estarei sempre aqui

Foi quando o sol brilhou em tua face,
que pude perceber ingenuidade.
Teus olhos brilharam, não há quem trace
o instante pleno de felicidade.

Quanto aconchego havia no teu abraço!
Meu menino já mocinho na idade,
com a alma inda criança nos meus braços,
coração palpitando — ah, que vaidade!

Cresceste no tamanho, mas a tua alma
ainda abraça a minha com amor,
pedindo colo para ter a calma,
pois crescer te traz um pouco de dor.

Não dor física, mas dor em segredo.
Entende o desafio que é viver:
agora terá que seguir sem medo;
o que enfrentar te fará crescer.

Márcia Aparecida Mancebo

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Minha História é Poema

Minha História é Poema

Quando meus dedos escrevem a história,
As palavras surgem do coração;
Alguns momentos busco na memória,
São néctares que trazem emoção.

Instantes escrevo sempre em alegria,
É pena não serem eternizados;
Passam, mostram que a lida é fantasia,
E fantasia tem tempo marcado.

Mudam rumos, seguem para distante,
Esconde o sol, o dedo continua;
Escreve com forma firme e constante,
Pois lembranças passeiam como a lua.

A trajetória da vida não esconde
O que foi vivido com avidez;
Ninguém segura os dedos, não respondem,
Minha história é poema que se fez.

Márcia Aparecida Mancebo

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Canção Adormecida

 

 

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Canção Adormecida 

O som envolvente do violino
Leva-me a viajar para um mundo
Fantasioso, belo e cristalino;
Onde me abrigo e, nessa paz, me inundo.

Abraçada à partitura, adormeço.
Em sonhos, ouço a última canção,
Que afaga meu sentir com tanto apreço.
E, angelical, aquece o coração.

Em meio às partituras, os meus anseios;
É que a canção, a ti oferecida
Una-se aos meus infindos devaneios;
E possamos unir as nossas vidas.

Assim, num gesto doce de pureza;
Cheio de ritmos do meu instrumento;
Que adentram os meus ouvidos com beleza,
Demonstrem a ti o meu sentimento.

Márcia Aparecida Mancebo
05/09/25

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Ocaso Interior

Ocaso Interior

Cai a tarde com o chão em dourado!
Restos de sol permeiam o entardecer,
Em êxtase, esqueço-me do passado.
Fecho os olhos e sonho com viver.

Em contemplação do mundo, isolada;
Filtro cada fiapo dos meus dias
Enquanto a noite segue à madrugada;
Tenho a impressão de ouvir a melodia.

A mesma melodia à luz da aurora
Que inventei cada vez que anoitecia.
E gravei na memória e canto agora.
Como um brado eloquente em euforia.

É o ocaso que provoca devaneio:
Quando penso no trajeto que o sol faz.
Sinto a alma adormecer com meus anseios
E amanhece quando o sonho desfaz!

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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ÂNCORA

ÂNCORA

Que mais posso querer, meu bem-amado,
se te entreguei minh’alma e coração?
Meus passos, por ti, já são traçados,
pois um dia selamos união.

Toda união selada é tão sagrada:
história escrita no livro do céu,
unindo o bem-amado à sua amada,
quando a noite se reveste de véu.

Nós somos capítulo dessa história,
escrita com amor e devoção.
Ansiando obter sempre vitórias:
enfrentando juntos as provações.

Assim, alados, nos faremos fortes;
a âncora será o amor que nos sustém.
Não há do que queixar — temos sorte:
deste doce querer somos refém.

Márcia Aparecida Mancebo

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O Começo Vira Fim

 O Começo Vira Fim

Quando as palavras somem
Meus olhos falam por mim,
A angústia me consome,
E o começo vira fim!

O teu nome vem à mente
Teu semblante sedutor,
Meu desejo é somente
Te abraçar com muito ardor!

É neste solene instante
Onde o silêncio habita
Que sinto que estás distante
No peito minha alma agita.

A saudade me devora,
Trazendo lembranças mortas
Como não sofrer agora
Se ouço o ranger da porta?

Márcia Aparecida Mancebo

04/01)26

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Facho de Luz

Facho de Luz

Não fujo do que me foi outorgado
Procuro apenas entender a vida.
Já acordei triste com o céu nublado,
E mesmo assim não desiste da lida.

Um ano finda e outro começa e assim:
Vou amadurecendo, isso é normal.
Mas sinto que algo permanece em mim
A sensibilidade que me é vital.

E, ao mergulhar no íntimo, eu trago.
Trago à tona o que sinto em minha alma
Quando o silêncio chega como afago
Recordo o teu abraço e isso me acalma.

Tantos anos sozinha, sigo em frente.
Sem deixar que a esperança vá se embora,
As lágrimas enxugo, pois a mente
Acorda-me para a vida como agora.

E um facho de luz leva-me a seguir.

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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Manhã de Verão

Manhã de Verão

Neste janeiro com manhã tão clara,
com cheiro de limão e mandarina,
Esse frescor meu íntimo declara
e torno a ser criança pequenina;

Ainda vejo flores no jardim.
A primavera ausente ainda insiste
Um pouco da estação e a sinto assim:
Um lábaro vital em mim persiste.

Hoje por certo a chuva não virá,
O sol voltou tão forte e luminoso
Neste verão, só brisa reinará
pra refrescar o dia majestoso.

O olor da mandarina e do limão
Um toque de perfume refrescante
Ilumina minha alma e coração,
nesta manhã de verão radiante.

E a vida segue com luz e leveza

Márcia Aparecida Mancebo
03/01/26

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Nos Trilhos do Tempo

Nos Trilhos do Tempo

Na curva da vida, um novo trem apita:
é o novo ano que chega colorido,
trazendo esperança que no ser habita;
em cada vagão, há um jardim florido.

Há botões a se abrir em forma de sonhos;
a estrada é vista como uma pista.
Tudo isso é visto com olhos risonhos;
nesse trem, não viaja pessimista.

A fé nos corações é viva e constante,
e o tempo caminha buscando vitórias
a cada minuto, a cada instante,
escrevendo no cristal uma história.

Esse novo trem que corre sobre os trilhos
não tem parada certa e corre demais;
seu canto é bonito e tem estribilho,
e segue sem olhar pra trás, jamais.

Márcia Aparecida Mancebo
01/01/26

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Reencontro

Reencontro

A brisa que beijou meu rosto no instante
que, em silêncio, sozinha caminhava,
devolveu-me a lembrança, que é distante,
e nela me apoiei enquanto andava.

Senti-me envolvida pelo passado,
revivendo momentos de ternura,
de um tempo belo, todo decorado,
e a vida era a flor doce da aventura.

Ah, como vai longe este tempo bom!
Na ingênua idade do alvorecer,
eu bordava os meus dias com um tom
onde, em sonho, via resplandecer.

A luz que clareava o meu caminho
era bela, com setas luminosas;
de longe, me parecia um pergaminho:
colorido e enfeitado com as rosas.

Márcia Aparecida Mancebo

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Ilusão

Ilusão

No tempo que o amor era uma promessa
E um belo sentimento tão profundo,
Ao te ver a paixão veio depressa,
Acreditei achar a luz do mundo.

Teu olhar irradiava alegria,
Tua voz tinha o som de uma canção,
Canção onde encontrei a fantasia
E te fiz dono do meu coração.

Tua ausência era sentida e doía,
Maltratando minha alma inda criança,
Uma espera constante, uma agonia;
Tua imagem não saía da lembrança.

Mas somente quando um ama demais,
E o amor não é promessa… juramento,
É fácil partir e não voltar mais,
Deixando quem ama em triste lamento!

Márcia Aparecida Mancebo
24/11/25

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Renascimento

Renascimento

Ao clarear o dia, percebi:
Não era a mesma da noite passada,
Uma mudança em mim mesma senti,
Mudança que me fez tão animada.

Meus olhos viam — e tudo encantava.
Havia flores na via, notei.
No céu azul, as nuvens dançavam
Até melodia de anjo escutei.

À face tristonha, o riso voltou.
Cada palavra dita ardia em mim;
Minha alma, sentindo-se leve, voou,
Deixando meu ser pleno até o fim.

Foi nesse alvorecer que pude ver
Coisas que antigamente eu não mais via
A animação levou-me a compreender
Não era sonho, era eu que renascia!

Márcia Aparecida Mancebo

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Redondezas

Pelas redondezas ando vagando
Procuro há tempos por um anjo

Pelas redondezas fico espiando
Quem sabe vejo ele num canto

Pelas redondezas fico cismando
Será que ele fingiu e mentiu tanto

Pelas redondezas fico fantasiando
Meus dias e noites nesse encanto

Pelas redondezas estou esperando
O anjo mavioso que estou amando

Lilian Ferraz

28/08/2025

&

Miragem Maviosa

Pelas mesmas redondezas eu sigo,
Também procuro pelo mesmo anjo.
Pensei estar a seu lado, consigo,
Percebo que sem ele não me arranjo.

Vasculhei todos cantos, cada esquina.
Aonde estás? — me interrogo, cismada.
Se perseguir alma amante é sina,
Ou se esconde na estrela, na madrugada?

Creio que sou mulher apaixonada
Por um anjo que existe na fantasia.
Por este anjo estou sendo enganada,
Preenchendo um vazio que existia.

Essa miragem me enternece demais.
Pelas redondezas sigo procurando,
Mas é inútil — não o encontro jamais.
Não nego: esse anjo estou amando.

Márcia Aparecida Mancebo
29/08/25

Deus é bom, sempre! 🙏

 

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TRÂNSITO

TRÂNSITO

É quando vejo a flor pender no galho
que entendo cada ciclo do viver.
A flor pende por estar já em frangalhos;
cansada, não tem como não pender.

Mesmo caída exala o seu perfume;
perfumando o ar, enfeita toda aurora.
Perde o viço, envelhece sem queixume;
vem o vento, a machuca e a leva embora.

O ser humano à flor é comparado:
a infância, a mocidade e o envelhecer.
A infância tem um tom belo dourado,
e na mente é encravada, irá crescer.

A mocidade é chama em viva cor,
a velhice vem lenta anunciando.
O mesmo vento que levou a flor
virá brisa e fará o passo brando

Márcia Aparecida Mancebo

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CPP