Tempo de Escuridão
Vai longe o tempo escuro tão cruel,
Onde as vozes eram sufocadas,
Onde bocas cuspiam todo o fel,
Pois a pele era muito maltratada.
Tempo de correntes, sangue e suor,
Calos, feridas, fome, submissão...
Altivez na voz seria pior,
Restava, então, calar o coração.
Mas nada que é mal germina a semente,
O bem prevalece, o que pode ser;
Em solo árido nascem valentes,
Com vozes que ecoam: querem viver.
Viver livre, qual pássaro a voar,
E no presente toda voz é igual;
Toda mente pode pensar, sonhar,
Agir, sentir em tempo universal.
Márcia Aparecida Mancebo
12/05/26
&
O Tempo dos Clarões
É tempo formal,
E também livre no passo,
Que escorre em silêncio
Pelos minutos do espaço.
Segundo a segundo se esvai,
Sem aviso nem retorno;
E nossos gestos se perdem
Quando a tristeza faz o entorno.
Precisão do instante exato,
Minuto que encontra o chão;
No compasso bem ajustado
Se firma a direção.
E assim, em cada encontro,
O caminho se alinha ao querer;
Há trilhas dentro do agora
Que aprendemos a reconhecer.
Talvez a utopia respire
No sopro que insiste em viver;
Propulsiona a alma ao amor
Que aceita o ser e o dever.
Entre salas e descansos,
Música acende a esperança;
Corações se refazem
Na emoção que não cansa.
Tempo, tempo, condutor,
Leva-nos sem nos perder;
Do princípio ao infinito,
No agora a florescer.
A Domingos
12 de maio de 2026
Saudade
Enquanto o verso dança no dourado,
Entre cores e folhas, o amor
Ganha vida e se estende
Em gestos sublimes de calor.
O vento passa com leveza,
Não fere o que a alma deseja,
E deixa um rastro magistral.
E o tempo passa — deixando saudade.
Márcia Aparecida Mancebo
04/05/26