DOR
O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.
Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.
Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.
Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.
Márcia Aparecida Mancebo
RESPOSTA
Se chamas falso o brilho que em mim arde,
com certeza não viste a chama inteira;
não vês que a luz, embora verdadeira,
também fere quem ama e se guarde?
Não trago no meu rosto qualquer fraude,
nem máscara emprestada ou passageira;
é mesmo dor que, funda e certeira,
reluz na minha face, com alarde!
O tédio que tu vês em meu olhar
não nasce do amor que não manteve
mas do excesso cruel de tanto amar!
Pois quem viveu na vida a acolher
aprende que é difícil suportar
a dor do grande amor que nunca teve!
Nelson de Medeiros