Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1967)

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Vozes da poesia

Vozes da poesia

A chama apagada do meu coração
Com os raios do sol irei reacender
O único jeito, talvez solução;
Consiga encontrar pra sobreviver.

Somente o amor dá segmento à vida
Mostrando o caminho que leva ao infinito
Tornando minha alma serena e ávida
Assim vejo o mundo com olhar bonito.

É sobre este amor que a poesia sustento
Cubro-me co' olor dos delírios só meus
E nela exponho febris sentimentos
No sonho adormeço nos braços de Orfeu...

Sem nada ocultar sou refém da magia
Que em mim, reina pura, singela em candura
Nesse deslindar uno — me a fantasia
Traçando ao papel com intensa ternura
As vozes que falam na minha poesia.

Márcia A Mancebo
21/06/2022

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Gestação

Gestação

Lá se vão os sonhos sonhados no dia
Co' a tarde caindo lá no horizonte
A noite ao adentrar leva a fantasia
que os raios de sol escondem no monte!

Sem raio do sol tudo é nostalgia,
É o fim da esperança contida n' alma.
No espaço um laranja que não traz magia.
Não há alegria nem sequer há calma.
Não ver realizado os sonhos do dia
é muita tristeza é muita agonia!

Na noite a friagem percorre na pele
O frio é demais e a ventania atroz!
Não consigo sonhar, a mente repele.
Somente o uivo do vento tão veloz
deixando orvalho que a friagem expele.

A única certeza é que nesta estação
As flores estão pelo chão espalhadas
No ar um perfume de rosa em botão
encobrindo a grama que toda orvalhada
absorveu o olor do sonho em gestação.

Márcia A Mancebo.

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Porto Ilusão

10585645268?profile=RESIZE_400xPORTO ILUSÃO

Hoje volto aqui procurar meus pedaços
E encontro meus passos perdidos no mar
No mar e na tarde não vejo meus traços,
afundaram n'água todo meu sonhar.

Saudade é tamanha machuca. É cruel
que, engasgo co' a dor que perturba a memória.
Diante da cena sorvendo só fel,
eu sinto que, perdi daqui, a história.

Lugar tão bonito meu porto ilusão...
O perfume e as flores ainda persistem
O deslumbre adormece o meu coração
e, meu ser airoso à imagem não resiste
e as lágrimas caem qual um ribeirão!

Quantos bons instantes aqui vivenciei!
Momentos de amor, hoje recordação...
Voltei aqui pra juntar o que deixei,
Mas sinto qu'alma se agita de emoção!

Márcia A Mancebo
20/05/2022

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Revanche

Revanche

O dia que senti sem luz, meu viver,
Poente tão triste sem ter um clarão
Eu compreendi todo tédio do ser
E o mal que fazia ao meu coração.

Este coração não merece o sofrer
Passou toda vida emanando o perdão
O que mais deseja é a dor, esquecer.
Viver o que resta sem ter aflição.

Foi nesse momento que agi com dureza.
Mostrei que mulher sabe bem que fazer
quando algo incomoda trazendo tristeza.

Com toda vaidade risquei o vivido
apagando rastros dos tempos já idos.
De súbito o sol devolveu meu viver.

Márcia A Mancebo

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Na praça de outrora

Na praça de outrora

Caminho nas ruas do meu pensamento
E vejo alameda com flores na guia
Brotaram viçosas, vivem ao relento.
Sinal que na vida suportam os dias,
Aguentam calor, tempestades co' vento.

Por alguns lugares há traços de amor
O amor transparece feliz e sorrindo
No abraço trocado emanando calor
Nas mãos generosas sempre repartindo.
Ali há perfume espalhado pelo ar
e muitos joelhos se dobram a rezar.

Avanço a avenida e vou mais adiante
As guias são tristes sem cores à tarde
Ali todos passos são tão inconstantes,
Não vejo vestígio de serenidade.

Então paro um pouco para meditar
Sentada num banco da praça de outrora
Olho a matriz e canteiros a aflorar
Procuro lembrar de todas as auroras.
Para a mente vem: que só devo louvar,
Pois, quantas vitórias alcancei ao trilhar!

Às curvas vencidas ensinaram viver
Eu sobrevivi, pois, fui carregada
Co' fé absoluta abasteci meu ser
Para ter a força e findar a jornada.

Márcia A Mancebo

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Ah! Doce viver

Ah! Doce viver

Lembrando o passado, tão belos momentos
Deslumbre que os anos não os ofuscou.
O amor que senti abrolhar ao relento
Tudo que a memória jamais apagou!

Ah! Doce viver que no meu pensamento
É qual melodia que perdida pelo ar
Segue sem direção agarrada ao vento
Hoje aos sentidos é canção de ninar!

Lembrança sem dor, sem vestígio de açoite
E, chega no instante que estou tão serena
Que a sinto tão perto que apelo pernoite,
Que fique a meu lado, pois, lembrar amena,
Me traz acalanto à mente na noite.

Todo sentimento que outrora vivido
Me abraça de anseios voltar às quimeras
Rever a emoção desses tempos idos
Deixou impregnado o florir, primaveras.

Primaveras fartas de olor de jasmins
Que regem meus dias com tanta avidez
Que às vezes sinto que estou num jardim
Regando canteiro que não se desfez.

Márcia Aparecida Mancebo


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Mar de vidro

Mar de vidro

Na areia da praia deixei todos rastros
Em cristal revestido os anseios belos.
As águas do mar empilhando em pedaços
Marcou meus momentos: dourado — amarelo
nas areias macias por onde passei!

Difícil esquecer esse tempo de glória
Da aventura amena vivida no mar;
Dos olhos a sorrir por tamanhas vitórias,
Da serenidade ao sentir tanto amar...
Querer tão bonito por tempo embalei!

Fecho os olhos vejo ternura guardada
Nesse mar de vidro com brilho luzente
é o mesmo que, nas insones madrugadas
Nos meus devaneios o sinto presente
Fazendo da vida um raro brilhante
Com águas azuis a entoar melodias
Que vem lá do fundo trazendo harmonia
Chegando aos ouvidos co' amor que extasia!

Márcia A Mancebo
13/06/2022

( Atividade da oficina Desafio de palavras)

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Cidade cinza

Cidade cinza

Na cidade cinza estão os meus segredos,
Meus sonhos debaixo do asfalto, escondidos.
Sem sol não há vida, somente o medo
invade o meu chão, antes, tão colorido!

Somente a friagem e o úmido vento
atravessam paredes hoje vazias,
trazendo lembranças ao meu pensamento;
Lembranças bonitas… tempos de alegrias...

E tudo de belo tão cinza tornou...
As flores na grota, no pé do edifício
Se encurvam, se encondem. O frio as queimou...
Seus brotos ficaram presos aos orifícios
Pois, a ventania para lá empurrou...

Mas, nesta cidade tão cinza de agora
está minha vida… todo meu viver...
Foi neste lugar que cresci sob aurora
Tantos raios de sol vi no alvorecer!

Márcia A Mancebo

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Num átimo...

Num átimo...

Nesta madrugada minha alma descansa
Enquanto lá fora a chuva caí tão lenta
Ruído insistente da flor que balança
Sons vindos de longe meu ser acalenta!

Momento que o amor no meu peito nasceu,
cresceu, floresceu e todo ser abrandou.
Minha alma recolhe este amor como seu.
Agora descansa no amor que adotou.

Enquanto lá fora a chuvinha insistente
Minha alma suspira sentindo calor
Há um sol que aquece todo o ambiente.
Ah! Quanta ternura a exalar o dulçor!

Agora o silêncio chegou devagar
Não há mais ruído nem chuva lá fora
Somente a esperança ficou pelo ar
Minha alma repleta de paz nesta hora
Descansa outra vez para a mente sonhar.

É neste momento que teço meus versos
Instante de paz cheio de fantasia
De súbito vejo — me em outro universo
Num átimo trago à luz a poesia.

Márcia A Mancebo
11/06/2022

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Esperança

Esperança

O céu se apresenta anil radiante
com nuvens, cor prata formando arabescos:
Passando uma imagem que o sol é brilhante.
Um belo cenário ao olhar não grotesco
e que vê no mundo a esperança adiante.

E toda garoa que cai sobre à terra
é para o plantio: benção consagrada.
Pois, molhando o vale, a campina e a serra
toda semeadura será bem regada.

Assim se conclui que o bem traz bonança;
E que corações doando — se ao amor
cada ser humano que crê tem aliança
com o Ser Divino que é nosso senhor,
o dono do mundo a passar confiança;
Pra seguir a estrada com fé e fervor.

Que logo em frente haverá floração;
Os campos repletos de aroma no ar
Na via as flores, beleza e emoção
e, próximo o alimento e tanto a fartar.

D'alma um suspiro… Imensa gratidão
Pelo que o sol revela com devoção
Na terra é uma dádiva em explosão!

Márcia A Mancebo
02/05/2022

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Sintonia

Sintonia

A única forma do amor embalar
É a troca de afetos nos momentos sábios
E desse sentir alegria emanar
Ter sempre palavras suaves nos lábios.

Diálogo e paz atraem simpatias
Aquecem a chama precisa no amor.
Mentes felizes seguem em sintonia
Somente ao olhar atraem o fervor.

O amor tem que ser regado com constância
Desde o amanhecer até o sol se pôr
E mesmo que ausente, mesmo a distância
Este sentimento tem que ter sabor.

O amor verdadeiro é seguro porto,
O amigo nas horas difíceis da lida
Naqueles momentos que tudo está morto
Os sonhos precisam de luz pra ter vida.

Essa luz advém do amor companheiro,
Daquela pessoa que escolheu pra trilhar
E que o coração o tem como parceiro
Seguir a seu lado co' olhos a brilhar!

Márcia A Mancebo
10/06/2022

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Atemporal paisagem

10561479663?profile=RESIZE_710xAtemporal paisagem

Na parede o quadro, uma tela com rosas.
Duas apenas. Amarela e vermelha
Uma atemporal paisagem tão garbosa
que às vezes a vida nela se espelha.

Parece que aladas, em par nasceram
e, juntas voaram com a ventania.
Unidas, dos galhos, se desprenderam;
voaram… voaram sem perder a magia.

O acinzentado atrás dá um retoque
suave, bonito e do ar, folhas, pendem…
Folhas esverdeadas com leve toque.
Ao voar as rosas não se desprendem,
ali no gramado, unidas estão!

Amor assim não é fácil encontrar.
Ah, belas rosas: amarela e vermelha.
Não cansa a visão essa tela mirar.
Pois, sinto que nelas a vida se espelha!

Márcia A Mancebo

( Esta tela foi pintada pela artista plástica Ana Lúcia Vasconcellos residente em Santo Antônio da Platina, Paraná)

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Aroma da aurora

Aroma da aurora

A chuva no outono traz lembrança da infância:
Barco de papel vai seguindo a enxurrada.
Menina feliz corre com elegância
Seguindo o barco até a madrugada.

Aquela menina no inverno acalenta
a doce esperança que rege seus dias
Fazendo do lápis sua ferramenta;
Na escrita revela sua fantasia
citando a ternura que tem por poesia.

E é na poesia que a menina insiste:
Verão tem o sol trazendo inspiração
Com lápis desenha o barco que resiste
A água que verte da recordação...
Dos dias quentes passados no mar,
Dos versos que fez à noite ao luar!

Foi sob o luar que a menina, já moça
O amor conheceu quando a tarde ia embora.
Ao lembrar das flores, a mente alvoroça.
Ao redesenhar o seu barco de outrora
revê primaveras e, sente um perfume...

O mesmo perfume que está na memória
E faz a jornada co' aroma da aurora
De quando criança começou sua história!

Márcia A Mancebo
10/06/2022

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Buscas tolas

Buscas tolas
(Versos Livres)

Às vezes sinto que anoitece em meu ser
E a escuridão me abraça com tanta força
Que para desprendê - la preciso de esforço,
de vontade, de coragem e destreza.

Fico paralisada olhando o horizonte.
E presa ao passado a lembrar as quimeras.
Não consigo essa alforria, esse prêmio.
E me agarro a lembrança tão velhas,
Que emboloradas na mente sobrevivem.

É neste instante que vem ao pensamento
As luzes que na aurora vi nascer
As manhãs com sol fraco e sem as nuvens
A passeio pela imensidão do céu...

A tristeza invade minha alma que aflita
Procura num suspirar respostas vãs...
Não há ponto final nessas buscas tolas,
Apenas a madrugada a seguir calma!

Márcia Aparecida Mancebo

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Altar

Altar

No móvel da sala um cachepot com flores
Flores coloridas enfeitando a vida
Esse mar de ilusão com várias cores
e, são essas cores que acendem a lida.

Ao lado das flores no móvel, a foto
num porta - retrato o mais puro amor
Minha mãe querida que às vezes (eu) noto
Ninguém neste mundo me deu tanto amor!

É deste móvel que faço o meu altar.
E, quando o sol vai embora, em prece imploro
ao Pai de Bondade para me guardar
E sinto que quanto mais e mais oro,
aumenta a vontade com Deus conversar...

As horas passam continuo ajoelhada,
pois, vejo a carência de fé pelo mundo.
É nesse altar que me vejo amparada
e sinto no peito um amor tão profundo
onde encontro forças pra seguir a jornada.

Márcia A Mancebo
07/06/2022

( Atividade da oficina : Desafio Poético)

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Doce silêncio

Doce silêncio

Esta mesma noite que vejo daqui:
com a ventania esparramando as flores.
O mesmo luar a despontar aqui
clareando o prado deixando-o com cores.

Certeza tenho que onde estás, vês também.
Aquela saudade que veste o meu peito
e, que há muito tempo dela sou refém;
Te esquecer tentei, está difícil… sem jeito!

Entrego — me ao doce silêncio do instante:
Cheia de candura em meu pensamento
Esta boa energia em mim tão constante
esperando que chegue a ti no momento.

Que essa vibração emanada de amor
A tua voz solta ao vento chegue a mim.
Eu aqui absorta sinta com dulçor
nossos pensamentos unirem — se e assim:
Eu me abraço para sentir teu calor!

Márcia A Mancebo

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Redescobrir

Redescobrir

A estrada é coberta de folhas e, longa.
Co'a alma amargurada de tantas ausências
Meu ser tão tristonho vive delongas;
Com pranto a rolar por tamanha carência!

Lugares que passo demonstro cansaço.
A dor que carrego maltratando a vida
me cala e não mais (eu)lamento os fracassos.
Dos olhos as lágrimas rolam sentidas!

A cada manhã me toma a nostalgia.
Às vezes queria ser um caminhante
para retirar da via entulhos, ramarias.
Ou, algum andarilho que a seguir adiante:
encontre por sorte na estrada, alegria.

E, sem sucumbir a esse tempo tão frio:
Possa ser feliz e rever primaveras:
Esquecer o véu que me cobriu de vazios
e, redescobrir a florada quimera!

Márcia A Mancebo
06/06/2022

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Momento

Momento

Depois de uns dias chuvosos e frios;
A grácil manhã aparece festiva.
O pássaro canta e o seu assobio
traz serenidade e paz para a vida.

Com brilho do sol com perfume pelo ar,
O dia tão belo traz a alma alegria;
No jardim as flores parecem voar.
Meus olhos se encantam e com estesia
os meus sentimentos se perdem no dia!

Tanta maravilha vem ao pensamento
que com liberdade narrar esta cena
Observo que a brisa se solta do vento
tocando nas rosas e nas açucenas
degustando o olor, daquele momento!

Assim segue o afã tranquilo e bonito.
Com tom carmesim finda a tarde morena
deixando o horizonte beijando o infinito
cobrindo a paisagem, deixando - a serena!

Márcia A Mancebo
03/06/2022

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Pedaços de outrora

Pedaços de outrora

Naquele momento que a canção ouvi.
Aquela canção que tão bela dizia
D'um jeito tão fácil no instante senti
Que a coisa mais simples que ao redor havia
Num passe de mágica resolveria.

Apenas um toque co' os dedos macios
Apalpar a face sem nada dizer
Estaria a mostrar que nada é vazio
E, que deveria me ensinar a viver.

A vida tem vãos não dá pra preencher.
Esses vãos são marcas que a lida outorgou
Pedaço de outrora que encravou no ser
Passaram os anos e não apagou.

Mas o coração magoado
Calou - se co'o tempo sem compreender.
Motivo tem para ficar tão calado
Com orgulho ferido e tão machucado
Prefere o silêncio pra dor esconder.

Márcia A Mancebo

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Vaidade

Vaidade

Olhando o horizonte o laranja dourado
é o sol Indo embora levando a tarde!
Respiro fundo co' os olhos molhados,
pois, este cenário me traz a saudade.

Das luas tão belas nas noites serenas;
De anos dourados com sonho a aflorar,
Da alma encantada co' a estrela pequena
Que longe luzia como quem acena!

Somente uma vez acontece na vida,
E para revê - la somente a lembrança
Devolve essa imagem assim colorida
A quem cultivou no peito a esperança.

Ver o sol tão lindo ir embora co 'a tarde
e com lucidez recordar mocidade
E chorar, mas chorar de felicidade
Isso é envelhecer cheia de validade.

Márcia A Mancebo

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CPP