Depois da Dor
Quisera eu compor-te em tom sereno,
com versos doces, feitos de doçura,
não reprimindo a antiga formosura,
que o tempo escondeu sob o chão pequeno.
E mesmo quando o amor se faz sereno,
vestindo o coração de noite escura,
há sempre claridade e ternura
na alma de quem foi um jardim ameno.
Se a dor abriu estradas a lembranças
sem apagar de vez as esperanças,
que um dia afloraram com emoção:
E o amor, embora em cinzas recolhido,
vive recluso, manso e comovido,
feito uma prece no meu coração.
Márcia Aparecida Mancebo
11/05/26
Saudade
Enquanto o verso dança no dourado,
Entre cores e folhas, o amor
Ganha vida e se estende
Em gestos sublimes de calor.
O vento passa com leveza,
Não fere o que a alma deseja,
E deixa um rastro magistral.
E o tempo passa — deixando saudade.
Márcia Aparecida Mancebo
04/05/26