Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1966)

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Lágrimas da Madrugada

Poema inspirado em Meu Coração Chora, de Ciducha.

Lágrimas da Madrugada

A chuva que cai do meu coração
É lágrima retida e sufocada,
que transborda qual cheio ribeirão,
quase sempre vem pela madrugada.

Na madrugada que a saudade chega,
e a ausência sempre é muito sentida;
sequer a lua e a estrela me aconchegam,
vejo aos poucos levar a minha vida.

No silêncio procuro explicação
pra esse querer que não sei definir;
não consigo livrar-me, é paixão,
minha alma não consegue mais fingir.

A lágrima despenca sem cessar,
e vejo tua imagem pelos cantos;
estendo os braços a te abraçar
pra eu pensar em ti com doce encanto!

Márcia Aparecida Mancebo
04/02/26

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Gêiser é um bálsamo para a dor.”

( Inspirado no poema Gêiser da Alma de João Carreira)

Gêiser é um Bálsamo para a Dor.”

O silêncio que guardo em meu peito
É quebrado pela fonte escondida,
que existe em mim qual um canto perfeito
E rompe barreiras, cura feridas.

Meu “gêiser” é chama que não se apaga,
represado, derrama, se alarga; é um bálsamo que a dor afaga, habita em mim, e ele é quem me guarda.

A antiga brasa que insiste em doer,
que num sopro a voejar me conduz;
E o “gêiser” secreto não cessa em ser,
um rio que rompe cheio de luz.

É liberdade enquanto o peito repousa,
Cada renascer é broto viçoso;
erguer-se livre, pássaro que pousa,
Curar a ferida é maravilhoso!

Márcia Aparecida Mancebo
16/11/25

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Fantasia que me sustém

Fantasia que me sustém

Meus dias resumem-se em poesias;
Nelas encontro acalanto a viver;
Na poesia, extravaso a fantasia,
Esquecendo que estou a envelhecer.

Nos versos, sou a senhora do amor.
Aquela que ouve o coração dizer:
Ama, mas ama com infindo ardor;
Alimenta com dulçor o teu ser.

Então escrevo todo sentimento
Para não ver a vida se esvair;
Assim reluz em mim o acalento;
Fantasiando o que ouso sentir.

Escrevendo poesias, envelheço.
Pois o tempo não perdoa ninguém;
Em cada sulco da face há um preço;
Que só a poesia não faz desdém.


Márcia Aparecida Mancebo

 

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Florir da Vida

Florir da Vida

Sigo o rumo da brisa que ao passar
deixa um perfume no ar qual a ternura
das tuas mãos ao me acariciar,
mostrando que a vida é bela aventura.

Este meu florir é a tua presença
nesta estrada repleta de desvios;
onde ao teu lado afirmo minha crença,
sem temer os espinhos, desafio.

Se preciso for, tenho companhia,
tenho da leve brisa uma doçura,
tenho tua mão forte, que me guia,
e teu amor, que me cobre de ventura.

Assim, sigo o rumo que me convém,
pois sendo a dona deste meu traçado
e tendo ao meu lado quem me quer bem,
que mais posso querer, meu bem amado?

Márcia Aparecida Mancebo

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A Cifra da Vida

A Cifra da Vida

Se a vida é cifra a ser codificada,
teu olhar é luz que brilha em meu escuro.
E, mesmo quando está sendo ocultada,
deixa um reflexo tão belo, tão puro!

É nesse lume que tento trilhar,
para, em silêncio, moldar o futuro.
Não posso parar no tempo a pensar
em decifrar a vida em tom duro.

Tento aprender a dor a transfigurar,
entendendo o viver que nos uniu,
na luz que insiste em nos guiar.

Ao decifrar a vida, aprendo a amar,
pois teu amor meu passo conduziu,
em ti meu peito escolhe repousar.

Márcia Aparecida Mancebo
31/01/26

 

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O Resto que Ficou

O Resto que Ficou

Chegaste em minha vida enamorado,
Com teus gestos suaves me encantaste,
Encontrei em ti tanto dom sagrado,
Foste meu rei e em meu altar reinaste.

Todo rei tem defeito, eu não sabia,
O altar que te ergui foi se partindo,
Aos poucos se perdeu minha alegria,
E o sonho se apagava, consumindo.

Mas mesmo que o sonhar perca o perfume,
Na sombra da memória mora o resto,
De um rosto, de uma voz que foi um lume,
E volta em sonhos como um canto honesto.

O inconsciente guarda o que marcou;
Por muito tempo vive ali no canto,
Uma lembrança que jamais calou
E volta em sonhos como um doce encanto.

Márcia Aparecida Mancebo

 

 

     

 
 
 
 
 
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No Intenso da Dor

No Intenso da Dor

Se minha alma entristece,
Minha face feliz, triste padece;
Se abrandar o sentimento,
Sufoco demais o meu pensamento.

Se nada faço e canto,
Ninguém vai ouvir meu tristonho pranto;
Então, todas as dores,
Aos semelhantes, são penas e flores.

Ó situação de uma alma
Que vive uma dor sem calma!
O que poderá abrandar-me agora,
Se a alma só lamenta e chora?

E nesse pranto profundo,
Sinto ruir meu próprio mundo;
Mas ergo a alma, mesmo quando chora,
E faço da dor a força que me resta agora.

Márcia Aparecida Mancebo

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Olhos da Alma

Olhos da Alma

São olhos que alcançam o que é distante,
Veem que a paz só existe onde há amor,
E que esse amor, regado tão constante,
Leva o ser a tocar pleno esplendor.

Esses olhos da alma são brilhantes:
Veem a beleza nascente da aurora
E tornam cada instante radiante,
Com desejo de bem viver — agora.

O agora é essencial ao sentimento,
Pois o tempo, ao passar, não se importa
Se existe o mais puro contentamento
Ou se ao chão caem folhas quase mortas.

Olhos que caminham sempre em pares
Têm cumplicidade delineada;
Anseiam trilhar apenas lugares
Onde a luz brilha viva pela estrada

Márcia Aparecida Mancebo

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Refrão da Vida

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Refrão da Vida 

 
Enquanto a lua, à noite, iluminava,  
Aclarando memórias do passado,  
Um sentimento de paz me abraçava,  
Satisfazendo cada passo dado.  
 
E quantos passos, nesta caminhada,  
Foram dados! Hoje é só gratidão.  
Belas paisagens, com belas floradas,  
Que ainda retenho com emoção.  
 
Memórias do passado ainda vivo  
Voltam pujantes, trazendo lembranças;  
Evocam a vida com bons motivos:  
Viver é acalentar sempre a esperança.  
 
Não é ilusão retida na mente,  
Foram passos certeiros, com razão,  
Tendo como final resplandecente  
Qual um refrão de uma bela canção.  
 
Márcia Aparecida Mancebo 
 
 
 
 
 
 



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Não há Explicação.

 

Te m a:

"Será que foi o beijo com poesia
Onde até me entreguei igual a uma fragil sinfonia"

(Davi Simas Couto : Não consegui esquecer você ) 

 

 

Não há explicação 

Na poesia, o beijo é qual canção:
chegou suave, mexendo com a alma,
iluminando a mente e o coração,
fazendo-me levitar — e trouxe a calma.

Às notas, entreguei-me com paixão,
como se fosse uma frágil sinfonia;
Envolvendo meu ser nessa união,
senti-me feliz: plena harmonia.

Se foi o beijo que me trouxe o amor,
não encontro palavras pra explicar.
No instante, foi luz, foi grande fervor;
quando percebi, estava a dançar.

Abri os olhos pra ver se era sonho,
ouvi a mesma canção com refrão,
e, com os olhos abertos e risonhos;
senti que amar é mais que doação.

Márcia Aparecida Mancebo
03/10/25

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Destino

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Não consegui segurar meu coração.
Teu belo olhar me trouxe à realidade.
Livrou-me da brida com emancipação
Percebi que em ti havia lealdade.

Agora acredito que foi o destino
que nos uniu para sermos felizes.
Andava sozinha por aí, sem tino.
Com minha alma repleta de cicatrizes.

Seguimos em par, quais as duas flores,
No mesmo galho, a procura do sol.
Liberta de espinhos que causam dores.
Assim somos nós, rumo ao arrebol.

Pois no horizonte, quando a tarde se vai
Em silêncio, agradeço ao teu belo olhar
que nos uniu com sorrisos, sem ais
florescendo o sentir para nos amar!

Márcia Aparecida Mancebo
05/12/25

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Sustentação

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Sustentação 
 
Eu vivo só, mas sigo acompanhada
Pela vida que tive de aguentar.
Há vozes pela via acumulada,
Insistentes, que teimam intimidar.
 
Não sou quem fui, tampouco sei sonhar;
Muito perdi velando a madrugada.
A vida é uma escultora disfarçada:
Lapida a dor, ensina-me a remar.
 
Porém, não quero glória e multidão,
Sequer aplausos; quero paz no instante
Que se ajusta bem dentro do perdão.
 
A lida pesa a quem nela é errante,
E cada queda ensina o coração
Que o chão duro sustenta o  caminhante.
 
Márcia Aparecida Mancebo 
 
 
 

 

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Comunhão

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Prosa Poética 

 

Comunhão 

Essa comunhão entre o homem e as aves demonstra gestos de afeto. Enquanto o mar murmura canções ao chegar à areia, as aves se aproximam do ancião como quem oferece carinho.

O velho estende a mão aos pássaros como quem pede proteção, pois sabe quão curta é a vida, e todo momento ativa a memória, deixando lembranças.

Não são oferecidos aos pombos alimentos, mas um braço para que pousem e satisfaçam a emoção sentida pelo homem. Nesse encontro, o coração acelera e as memórias vêm à tona.

O velho anseia aproveitar o dia ensolarado para ouvir o barulho do mar e os pássaros que por ali voam num gesto grácil.

Ceia farta de doçura: alimentos que adoçam a alma de quem já viveu momentos inusitados de belas estações.

Há perfeita harmonia entre a natureza e a amizade das aves, uma cena tão real, tão bela, que parece um sonho.

O mar, as ondas, o velho sentado, apreciando e brincando com as aves; e, a cada gesto de oferecer uma saudação à natureza, nasce encanto nos olhos de quem, de longe, aprecia o espetáculo.

Márcia Aparecida Mancebo

 

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Eu te guardo

Eu te guardo

Por onde andares, estarei te olhando
escondida entre os ramos, entre as flores
Teus passos sigo, sempre iluminando
Se caso vir chorar por sentir dores.

Eu te sentirei sem que tu me sintas.
É minha missão te fortalecer,
Que vejas no céu a luz que retinta;
E tenha como seta o alvorecer.

É no alvor da manhã que a fé está.
E o dia seja por mim dirigido;
Onde existe amor, tua alma estará.
Serena e feliz por ter me ouvido.

Estou no silêncio da ramaria,
Na tempestade dos dias com vento.
Também no medo que gera alegria;
E no sofrimento te trago o alento.

Márcia Aparecida Mancebo

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Tentativa Vã

Te esquecer, tentei, mas não consegui;
estás no dia a dia do viver;
teu belo gesto guardo ainda comigo;
o que é amar, fizeste-me sentir.

E como te esquecer, se te venero,
se a minha vida é uma recordação?
Ah, se tu soubesses como te quero,
seria santa cura ao coração!

Embora seja tarde para pedir
que voltes ser abrigo à minha alma,
me dás agora a chance em redimir
pra sentir teu afago em doce calma.

Tentei te esquecer, mas é impossível;
sem ti, viver é pura escuridão.
Ensinaste-me que tudo é possível,
mas sem teu calor, resta solidão.

Márcia Aparecida Mancebo

&

A Luta pelo Amor

Te perceber, é lutar, se necessário
Haverá de se refazer as tentativas
Que o Amor brote usuário e diário
Até que não haja mais alternativas.

Nada há de se infiltrar com solidão
Desejo o mundo nosso rastreado
Onde a paciência amiga da ocasião
Quando nosso coração é amado

Ainda é cedo, impaciente persisto
Sem qualquer brecha ao medo
Minha alma está clareada insisto
Quero refazer o Amor sem arremedo

Tua lembrança a nascente a renascer
O sol poente quer se pôr em Paz
A calma e sofreguidão de perceber
Que o nosso beijo é o Amor que trás.

A Domingos
24/01/2026

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Tentativa Vã

Tentativa Vã

Te esquecer, tentei, mas não consegui;
estás no dia a dia do viver;
teu belo gesto guardo inda comigo;
o que é amar, fizeste-me sentir.

E como te esquecer, se te venero,
se a minha vida é recordação?
Ah, se tu soubesses como te quero,
seria santa cura ao coração!

Embora seja tarde para pedir
que voltes ser abrigo à minha alma,
me dás agora a chance em redimir
pra sentir teu afago em doce calma.

Tentei te esquecer, mas é impossível;
sem ti, viver é pura escuridão.
Ensinaste-me que tudo é possível,
mas sem teu calor, resta solidão.

Márcia Aparecida Mancebo

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Liberdade

Liberdade

Caminhos percorridos sem sentido,
Sem sol pra iluminar por onde andei;
Nem sombra deixei sobre o chão rustido,
Ferindo os meus pés, sempre caminhei.

Sem pensar em vitórias, fui distante;
Não precisei do sol pra me guiar.
Segui o aroma das flores, fui avante,
Senti que não podia mais parar.

Mesmo não vendo o fim, não desisti,
Pois a esperança em mim sempre velei.
Também não liguei para o que perdi,
Apenas segui o que sempre amei.

Mesmo não tendo sentido o caminho,
Meu coração pulsava a liberdade;
Onde trilhei não me senti sozinho,
Enfrentei a escuridão sem vaidade.

Márcia Aparecida Mancebo

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Encanto Oco

Encanto Oco

Porte elegante, másculo e bonito,
é atraente, não posso negar;
leva o sonho além do infinito,
mas é preciso a beleza usar.

Não pode ter mente qual labirinto,
sem saber expressar sentimentos;
por vezes desperta o mau instinto,
revelando o vazio dos pensamentos.

Irreverente em gestos de carinho
não define a inteligência, não;
é preciso saber bem o caminho
para conquistar algum coração.

Pacto confidencial vira abuso,
forma sutil de prender alguém;
palavras doces fazem seu uso,
e a ociosidade é sempre refém.

Márcia Aparecida Mancebo
17/01/26

 

 

 

Atividade do grupo Desafio Poético com as palavras em negrito.

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Perdoa-me

Perdoa-me

Sem ter resposta, ainda ouço teu nome,
Tua presença foi esplendorosa,
Não consigo apagar teu telefone,
Nem esquecer o buquê com as rosas.

A saudade de ti, em mim, se revela,
Demonstro na face o meu sentimento,
E a noite, ainda, essa paixão me vela,
Paixão que habita no pensamento.

Quem sabe uma palavra me bastasse,
Mas o orgulho a mantém prisioneira;
Sigo meu trilhar como se carregasse
Uma pedra pesada, a vida inteira.

Restou - me calar, mas não te esqueço
Quis muitas vezes abrir o coração,
Mas teu silêncio é cruel, não mereço.
Perdoa-me é que diz minha paixão.

Márcia Aparecida Mancebo
02/01/26

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DOR

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo 

 

 

RESPOSTA

 

Se chamas falso o brilho que em mim arde,
com certeza não viste a chama inteira;
não vês que a luz, embora verdadeira,
também fere quem ama e se guarde?

Não trago no meu rosto qualquer fraude,
nem máscara emprestada ou passageira;
é mesmo dor que, funda e certeira,
reluz na minha face, com alarde!

O tédio que tu vês em meu olhar
não nasce do amor que não manteve
mas do excesso cruel de tanto amar!

Pois quem viveu na vida a acolher
aprende que é difícil suportar
a dor do grande amor que nunca teve!

Nelson de Medeiros

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