Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1950)

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Liberdade

Liberdade

Caminhos percorridos sem sentido,
Sem sol pra iluminar por onde andei;
Nem sombra deixei sobre o chão rustido,
Ferindo os meus pés, sempre caminhei.

Sem pensar em vitórias, fui distante;
Não precisei do sol pra me guiar.
Segui o aroma das flores, fui avante,
Senti que não podia mais parar.

Mesmo não vendo o fim, não desisti,
Pois a esperança em mim sempre velei.
Também não liguei para o que perdi,
Apenas segui o que sempre amei.

Mesmo não tendo sentido o caminho,
Meu coração pulsava a liberdade;
Onde trilhei não me senti sozinho,
Enfrentei a escuridão sem vaidade.

Márcia Aparecida Mancebo

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Encanto Oco

Encanto Oco

Porte elegante, másculo e bonito,
é atraente, não posso negar;
leva o sonho além do infinito,
mas é preciso a beleza usar.

Não pode ter mente qual labirinto,
sem saber expressar sentimentos;
por vezes desperta o mau instinto,
revelando o vazio dos pensamentos.

Irreverente em gestos de carinho
não define a inteligência, não;
é preciso saber bem o caminho
para conquistar algum coração.

Pacto confidencial vira abuso,
forma sutil de prender alguém;
palavras doces fazem seu uso,
e a ociosidade é sempre refém.

Márcia Aparecida Mancebo
17/01/26

 

 

 

Atividade do grupo Desafio Poético com as palavras em negrito.

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Perdoa-me

Perdoa-me

Sem ter resposta, ainda ouço teu nome,
Tua presença foi esplendorosa,
Não consigo apagar teu telefone,
Nem esquecer o buquê com as rosas.

A saudade de ti, em mim, se revela,
Demonstro na face o meu sentimento,
E a noite, ainda, essa paixão me vela,
Paixão que habita no pensamento.

Quem sabe uma palavra me bastasse,
Mas o orgulho a mantém prisioneira;
Sigo meu trilhar como se carregasse
Uma pedra pesada, a vida inteira.

Restou - me calar, mas não te esqueço
Quis muitas vezes abrir o coração,
Mas teu silêncio é cruel, não mereço.
Perdoa-me é que diz minha paixão.

Márcia Aparecida Mancebo
02/01/26

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DOR

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo 

 

 

RESPOSTA

 

Se chamas falso o brilho que em mim arde,
com certeza não viste a chama inteira;
não vês que a luz, embora verdadeira,
também fere quem ama e se guarde?

Não trago no meu rosto qualquer fraude,
nem máscara emprestada ou passageira;
é mesmo dor que, funda e certeira,
reluz na minha face, com alarde!

O tédio que tu vês em meu olhar
não nasce do amor que não manteve
mas do excesso cruel de tanto amar!

Pois quem viveu na vida a acolher
aprende que é difícil suportar
a dor do grande amor que nunca teve!

Nelson de Medeiros

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Dor

Dor

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo

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A forma do Ser

A Forma do Ser

Viver exige esforço e trabalho;
A vida não é pronta: é esculpida.
É complicada, não tem seta ou atalho,
Há razão misteriosa, escondida.

O amor, matéria viva em consciência,
É pedra bruta dada em minha mão;
Sou eu que vou moldar com paciência,
Exige escolha e dedicação.

Lapidado, esse amor pode levar
Ao caos ou ao ápice do louvor;
Pois é frágil essa forma de amar,
É um romance que pode ter ardor.

Se amor é forma frágil de esculpir,
Requer da alma firmeza e direção;
Entre razão e impulso a decidir,
É o ser que dá sentido à criação.

Márcia Aparecida Mancebo
20/01/26

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Conexão de Almas

Conexão de Almas

Meu ser explode de tanta emoção,
Me encanto com a paixão que me seduz,
Pois creio que o amor é uma conexão:
de duas almas que à união conduz.

Almas em comunhão gestam o amor,
Que lentamente cresce e amadurece,
qual estrela a brilhar, com forte ardor.
Amadurecido, o amor será prece.

Uma prece onde o afeto tem poder,
E as almas seguem juntas pela vida,
ansiando somente bem viver,
seguindo por estradas e avenidas.

Um percurso alongado e misterioso,
Onde o amor é provado a todo instante.
Verdadeiro, esse laço é precioso.
São olhos que alcançam o que é distante.

Márcia Aparecida Mancebo
05/01/26

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Estarei sempre aqui

(Amor de Vó)

Estarei sempre aqui

Foi quando o sol brilhou em tua face,
que pude perceber ingenuidade.
Teus olhos brilharam, não há quem trace
o instante pleno de felicidade.

Quanto aconchego havia no teu abraço!
Meu menino já mocinho na idade,
com a alma inda criança nos meus braços,
coração palpitando — ah, que vaidade!

Cresceste no tamanho, mas a tua alma
ainda abraça a minha com amor,
pedindo colo para ter a calma,
pois crescer te traz um pouco de dor.

Não dor física, mas dor em segredo.
Entende o desafio que é viver:
agora terá que seguir sem medo;
o que enfrentar te fará crescer.

Márcia Aparecida Mancebo

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Minha História é Poema

Minha História é Poema

Quando meus dedos escrevem a história,
As palavras surgem do coração;
Alguns momentos busco na memória,
São néctares que trazem emoção.

Instantes escrevo sempre em alegria,
É pena não serem eternizados;
Passam, mostram que a lida é fantasia,
E fantasia tem tempo marcado.

Mudam rumos, seguem para distante,
Esconde o sol, o dedo continua;
Escreve com forma firme e constante,
Pois lembranças passeiam como a lua.

A trajetória da vida não esconde
O que foi vivido com avidez;
Ninguém segura os dedos, não respondem,
Minha história é poema que se fez.

Márcia Aparecida Mancebo

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Canção Adormecida

 

 

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Canção Adormecida 

O som envolvente do violino
Leva-me a viajar para um mundo
Fantasioso, belo e cristalino;
Onde me abrigo e, nessa paz, me inundo.

Abraçada à partitura, adormeço.
Em sonhos, ouço a última canção,
Que afaga meu sentir com tanto apreço.
E, angelical, aquece o coração.

Em meio às partituras, os meus anseios;
É que a canção, a ti oferecida
Una-se aos meus infindos devaneios;
E possamos unir as nossas vidas.

Assim, num gesto doce de pureza;
Cheio de ritmos do meu instrumento;
Que adentram os meus ouvidos com beleza,
Demonstrem a ti o meu sentimento.

Márcia Aparecida Mancebo
05/09/25

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Ocaso Interior

Ocaso Interior

Cai a tarde com o chão em dourado!
Restos de sol permeiam o entardecer,
Em êxtase, esqueço-me do passado.
Fecho os olhos e sonho com viver.

Em contemplação do mundo, isolada;
Filtro cada fiapo dos meus dias
Enquanto a noite segue à madrugada;
Tenho a impressão de ouvir a melodia.

A mesma melodia à luz da aurora
Que inventei cada vez que anoitecia.
E gravei na memória e canto agora.
Como um brado eloquente em euforia.

É o ocaso que provoca devaneio:
Quando penso no trajeto que o sol faz.
Sinto a alma adormecer com meus anseios
E amanhece quando o sonho desfaz!

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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ÂNCORA

ÂNCORA

Que mais posso querer, meu bem-amado,
se te entreguei minh’alma e coração?
Meus passos, por ti, já são traçados,
pois um dia selamos união.

Toda união selada é tão sagrada:
história escrita no livro do céu,
unindo o bem-amado à sua amada,
quando a noite se reveste de véu.

Nós somos capítulo dessa história,
escrita com amor e devoção.
Ansiando obter sempre vitórias:
enfrentando juntos as provações.

Assim, alados, nos faremos fortes;
a âncora será o amor que nos sustém.
Não há do que queixar — temos sorte:
deste doce querer somos refém.

Márcia Aparecida Mancebo

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O Começo Vira Fim

 O Começo Vira Fim

Quando as palavras somem
Meus olhos falam por mim,
A angústia me consome,
E o começo vira fim!

O teu nome vem à mente
Teu semblante sedutor,
Meu desejo é somente
Te abraçar com muito ardor!

É neste solene instante
Onde o silêncio habita
Que sinto que estás distante
No peito minha alma agita.

A saudade me devora,
Trazendo lembranças mortas
Como não sofrer agora
Se ouço o ranger da porta?

Márcia Aparecida Mancebo

04/01)26

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Facho de Luz

Facho de Luz

Não fujo do que me foi outorgado
Procuro apenas entender a vida.
Já acordei triste com o céu nublado,
E mesmo assim não desiste da lida.

Um ano finda e outro começa e assim:
Vou amadurecendo, isso é normal.
Mas sinto que algo permanece em mim
A sensibilidade que me é vital.

E, ao mergulhar no íntimo, eu trago.
Trago à tona o que sinto em minha alma
Quando o silêncio chega como afago
Recordo o teu abraço e isso me acalma.

Tantos anos sozinha, sigo em frente.
Sem deixar que a esperança vá se embora,
As lágrimas enxugo, pois a mente
Acorda-me para a vida como agora.

E um facho de luz leva-me a seguir.

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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Manhã de Verão

Manhã de Verão

Neste janeiro com manhã tão clara,
com cheiro de limão e mandarina,
Esse frescor meu íntimo declara
e torno a ser criança pequenina;

Ainda vejo flores no jardim.
A primavera ausente ainda insiste
Um pouco da estação e a sinto assim:
Um lábaro vital em mim persiste.

Hoje por certo a chuva não virá,
O sol voltou tão forte e luminoso
Neste verão, só brisa reinará
pra refrescar o dia majestoso.

O olor da mandarina e do limão
Um toque de perfume refrescante
Ilumina minha alma e coração,
nesta manhã de verão radiante.

E a vida segue com luz e leveza

Márcia Aparecida Mancebo
03/01/26

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Nos Trilhos do Tempo

Nos Trilhos do Tempo

Na curva da vida, um novo trem apita:
é o novo ano que chega colorido,
trazendo esperança que no ser habita;
em cada vagão, há um jardim florido.

Há botões a se abrir em forma de sonhos;
a estrada é vista como uma pista.
Tudo isso é visto com olhos risonhos;
nesse trem, não viaja pessimista.

A fé nos corações é viva e constante,
e o tempo caminha buscando vitórias
a cada minuto, a cada instante,
escrevendo no cristal uma história.

Esse novo trem que corre sobre os trilhos
não tem parada certa e corre demais;
seu canto é bonito e tem estribilho,
e segue sem olhar pra trás, jamais.

Márcia Aparecida Mancebo
01/01/26

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Reencontro

Reencontro

A brisa que beijou meu rosto no instante
que, em silêncio, sozinha caminhava,
devolveu-me a lembrança, que é distante,
e nela me apoiei enquanto andava.

Senti-me envolvida pelo passado,
revivendo momentos de ternura,
de um tempo belo, todo decorado,
e a vida era a flor doce da aventura.

Ah, como vai longe este tempo bom!
Na ingênua idade do alvorecer,
eu bordava os meus dias com um tom
onde, em sonho, via resplandecer.

A luz que clareava o meu caminho
era bela, com setas luminosas;
de longe, me parecia um pergaminho:
colorido e enfeitado com as rosas.

Márcia Aparecida Mancebo

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Ilusão

Ilusão

No tempo que o amor era uma promessa
E um belo sentimento tão profundo,
Ao te ver a paixão veio depressa,
Acreditei achar a luz do mundo.

Teu olhar irradiava alegria,
Tua voz tinha o som de uma canção,
Canção onde encontrei a fantasia
E te fiz dono do meu coração.

Tua ausência era sentida e doía,
Maltratando minha alma inda criança,
Uma espera constante, uma agonia;
Tua imagem não saía da lembrança.

Mas somente quando um ama demais,
E o amor não é promessa… juramento,
É fácil partir e não voltar mais,
Deixando quem ama em triste lamento!

Márcia Aparecida Mancebo
24/11/25

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Renascimento

Renascimento

Ao clarear o dia, percebi:
Não era a mesma da noite passada,
Uma mudança em mim mesma senti,
Mudança que me fez tão animada.

Meus olhos viam — e tudo encantava.
Havia flores na via, notei.
No céu azul, as nuvens dançavam
Até melodia de anjo escutei.

À face tristonha, o riso voltou.
Cada palavra dita ardia em mim;
Minha alma, sentindo-se leve, voou,
Deixando meu ser pleno até o fim.

Foi nesse alvorecer que pude ver
Coisas que antigamente eu não mais via
A animação levou-me a compreender
Não era sonho, era eu que renascia!

Márcia Aparecida Mancebo

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CPP