Discussões de Rui do Vale Paiva (9)

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Polindo Estrelas

 

O desejo reside em polir estrelas

Deixá-las luzindo, luzindo, luzindo

Indefinidamente envolvê-las

Na inexorável magia do dia findo.

 

A noite inspira a legião de sonhos

Adorna minha cripta de tristeza nua

Desdenha, isola pensares enfadonhos

E realça a sober

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Ansiosa Espera

Rumorosa é a tarde, dourada, tão minha

Os pardais pipilam pelos dispersos beirais

Um deles desaba e machuca uma asinha

Outros arribam para os diversos terminais

 

Crepita a lenha na crua e emudecida lareira

O vinho estala ao gelo próximos dos cristais

À por

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Algo me Despertou

O mar é plácido e, refrangente, realça o dia

Uma manhã de paz e transbordante frescor

Perto, a uma distância em que se ouve a cor

Dos olhos teus cuja luz de pérolas me invadia,

 

Trocamos olhares e nossa face trocou sorrisos

Ficamos imóveis quais estátuas

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Na Morada dos Sentimentos

Escrevi um bilhetinho

a uma colega de classe

Ela leu, deu um risinho

- Não sabia que "poetasse!"

e seu sorriso bem parecia

- a brancura dos seus dentes –

monte de arco-íris me sorria

Aí fui sobrepondo palavrinhas

pus tudo em um caderninho

minhas mal traçadas

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DECIFRE-ME SE PUDER!

Resultado de imagem para caminhada dos proscritos

O prefácio de uma histórica odisseia

delineado na tessitura dos versos meus

eclode nas manhãs pardacentas e, a ideia,

é vislumbrar a ranhura dos desatinos seus

 

Renuncio ao convite à ladainha dos proscritos

enquanto permanece o ato e o grito solerte

litani

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O coração que carrega

Decerto a dor que aflige o peito

rasga, dilacera, mas não se entrega

delega, pois, indigesto e contrafeito,

sabendo ser o coração que carrega

 

Amiúde crava-lhe o punhal certeiro

as nuances que o sentimento refrega

deificado como o alvo do ávido arqueiro

tai

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Hino à Esperança

Resultado de imagem para hino à esperança

O carvalho não se rende à brusca tempestade

o caniço do bambu resiste ao tornar-se flauta

ao coração dos mansos é descabida a maldade

ha, o orvalho se desprende da folhagem incauta

a foice laminada habilmente uma fonte dilacera

o pântano inóspito

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CPP