Te Vi Hoje
I
Te vi hoje, preso entre fios e máquinas,
teu corpo lutando, teu olhar coberto.
Meu coração gritava em silêncio teu nome,
e eu desejava entrar naquele quarto
para te abraçar e sussurrar:
“Eu te amo, nunca deixei de te esperar.”
II
Sei que a vida te testou,
que a dor marcou teu corpo e tua história.
Os dias foram longos, ásperos,
mas em cada pedaço da tua jornada
existiu uma coragem
que nem todos conseguem medir.
III
Hoje, entre esperança e medo,
seguro teu rastro de luz em mim:
cada riso antigo, cada gesto pequeno,
cada lembrança que faz sorrir
e doer ao mesmo tempo.
IV
Se Deus permitir um milagre,
abraçaremos a vida
com lágrimas e sorrisos misturados.
Se a partida chegar, irmão,
levarás contigo um pedaço do meu coração,
mas deixas em mim a certeza
do amor que nunca se apaga,
que atravessa o silêncio e rompe o medo,
que insiste em existir mesmo na escuridão.
V
Amar é estar presente
quando não podemos mudar nada,
sentir cada instante, cada respiração,
chorar baixinho, sussurrar ao vento
e confiar que, mesmo na ausência,
o amor se mantém
inteiro e invencível.
VI
Irmão, eu te amo.
Mesmo que a vida nos separe
por um instante ou para sempre,
teu brilho habitará minha alma,
como estrela que não se apaga,
como memória que não se esquece,
como abraço
que nem a morte pode roubar.
Therezinha Sant’Anna, 16/01/25