Poesias

DICOTOMIAS

DICOTOMIAS

Sol desmanchado
No céu das águas.
Eu olhava longe,
Catando sonhos
Como se catam conchas
À beira do mar cantante
Com suas manadas desabaladas
Agitando brancas franjas
E resfolegando ventas iradas
Em espasmos de fúria
Dissoluta em bolhas de espumas.
Eu ficava carregado de nadas.
Os sonhos eram conchas vazias.
Eu supunha reinos de fadas
Onde só canto do caos havia.
Outras manadas abriram asas noturnas,
Galoparam de encontro à luz,
Sacudiram franjas escuras,
E o mar sobreposto jorrou
Pérolas sustenidas
Sobre as areias
Onde caíram
Promessas
Partidas.

(E. Rofatto)

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E. Rofatto

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Comentários

  • Grato, Livita! É mesmo muito triste - mas, no final, resta um céu estrelado... (Pequena compensação.)

    Gosto muito dessa música para ouvir de vez em quando - também ela muito triste... 

  • Estou encantada com o seu poema Edvaldo! Mas tão triste!

    E a musica!!! Foi tão bem escolhida.

    • Grato, Safira! Imagem perfeita para traduzir, em rica linguagem de cor de e de sentidos, o texto!

  • Parabéns, poeta amigo, poema lindo, primoroso, adorei. Cada vez que leio uma obra sua aprendo um pouco mais sobre o poeta e ser humano Edvaldo, ele fica materializado nas entrelinhas de sua composição magistral. Meus sinceros aplausos. Sou seu fã. Agradeço também a amizade é uma honra pra mim. Abraços, paz e Luz!!!

    • Grato, meu amigo! Seu comentário me chega como um presente - e as mesmas palavras posso dizer de você, que também preenche os seus versos com as várias faces do humano mostradas em amplo leque temático. Também sou seu fã - em especial quando versa goticamente! Um abraço!

  • Que lindo poema Edvaldo Rofatto.

    Me ative no verso que fala....Eu ficava carregado de nadas....

    Muito forte isso para mim, no momento em que estou.

    A vida nos mostra os caminhos, os sonhos, a felicidade,

    asperezas, tristezas, dificuldades que veem ao nosso encontro,

    ás vezes sobrepujam as incertezas. O pior eu acho, que nos levam para onde

    não queremos ir. O tempo passa e ficamos carregados de nada.

    Excelente poema, amei mesmo. Me despertou em vários sentidos.

    grata.

    Abração de Veraiz Souza

    • Grato, Veraiz!

      Sempre seu comentário me dá uma chance de visitar algumas coisas minhas. Também eu acumulei minhas felicidades, sonhos, asperezas, tristezas, dificuldades e sonhos. Depois vieram incertezas e caminhos não escolhidos, mas impostos pelas circunstâncias da vida.

      Mas, passado um tempo, parece que tudo se ajusta e percebemos que o nada da experiência concreta acabada vem a se transformar em algo abstrato que nos preenche e nos dá a chance de viajar na lembrança e buscar a certeza de que valeu a pena a nossa entrega, a nossa plenitude, naquele momento, com aquelas pessoas, pois que fica para nós a certeza de merecermos de nós mesmos o amor que devemos nos conceder. Aí nos tornamos felizes: eu fiz o meu melhor, por isso minha alma sorri!

      Se as mãos ficam carregadas de nadas nas tardes, como escrevi, por outro lado, os olhos, se se voltarem para o céu noturno, se enfeitarão de pérolas, como está no texto também: talvez muitas promessas não tenham sido cumpridas, mas a beleza se põe diante dos nossos olhos, inclusive aquela que a consciência nos trará sobre nossa natureza que, sendo boa, causará a paz de espírito.

      Penso que é assim - tento viver assim.

  • UAU!! Também sabes descrever um estado de espírito... daria um belo dueto com o meu Absorta... Parabéns Edvaldo! É sempre uma surpresa cativante ler teus versos! DESTACADO!
    • Grato, Angélica! Adorei o "Absorta" que desenha uma cena maravilhosa!

      Como funcionaria o dueto? Pois para mim seria uma honra muito grande estar ao seu lado nas letras.

      (Embora o meu texto tenha um tom melancólico, e o seu poema instaure uma paz reconfortante, podemos juntá-los?)

      De todas as formas grato: pela visita, pelo comentário, pelo destaque, pela sugestão do dueto e, desde já, pela efetivação do dueto, se for possível!

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