Naufrago

Naufrago

Nenhuma brisa há de vir neste absurdo
mas seu negro manto, contudo o rodeia
não vera que seu sentido é quase tudo
igual um bêbado andando sobre a areia

Que avança insistente a passos lentos
numa ladeira no estertor da madrugada
na vã procura do portão da sua amada
que por ele já não tem mais sentimentos

Já não existem divindades sobre a terra
todas mortas no limiar dos novos tempos
igual um naufrago na agonia que encerra
todas as forças nas suas rezas e lamentos

É absurdo ser um naufrago sobre a terra
enquanto no céu uma estrela se ilumina
baixa um véu sobre o olho que se cerra
pois mesmo aberto não possui sua retina.

Alexandre Montalvan


Votos 0
Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Alexandre

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Casa dos Poetas e da Poesia.

Join Casa dos Poetas e da Poesia

Comentários

  • Parabéns, poeta, poema lindo, primoroso, adorei. Abraços, paz e Luz!!!

This reply was deleted.
CPP