CONTRATEMPO

CONTRATEMPPO

Conta-se a vida em esperas.
Para o encontro que é esmola
Vale um dia muitas eras,
Já o adeus vem na mesma hora.

Por um fino arroio, o tempo
Corre e, ao fim, chega à gangorra
De um monjolo fraudulento
 - Foz para que tudo morra.

A estaca usa o contrapeso
Da cuba que se esvazia
Subindo aos ares qual aceno
Ao céu de pupilas frias.

Tudo vê e não se comove.
Tanto um quanto outro braço
Ergue-se, e nada socorre
Contra o golpe em descompasso.

A memória é tentativa
De reter a água que escoa
Da concha, antes da batida
Da estaca que não perdoa.

(E. Rofatto)

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