Tenho marcas
Ciducha
Hoje olhei meu rosto
com mais demora.
Não vi apenas rugas —
vi caminhos.
Cada linha ao redor dos olhos
é rastro de risos partilhados,
abraços demorados,
amizades que ficaram.
As que moram na boca
guardam palavras ditas com amor,
beijos entregues sem medo,
promessas sussurradas na madrugada.
Trago sulcos nas mãos invisíveis do tempo,
porque embalei filhos,
segurei partidas,
aplaudi conquistas.
Há marcas que nasceram da dor,
é verdade —
mas até elas
me ensinaram a ser inteira.
Não são rugas.
São memórias desenhadas na pele.
E se o espelho insiste em contar minha idade,
eu sorrio —
porque cada traço
é a prova
de que vivi.
Tenho marcas
Santos/03/2026
Intimidade Virtual
Ciducha
Intimidade virtual
é você dizer que vai dormir
e continuar ali…
porque nenhum de nós
quer ser o primeiro a ir.
É sua mensagem chegando
tarde da noite,
e meu corpo despertando
como se você tivesse sussurrado
no meu ouvido.
Você escreve pouco.
Mas cada palavra sua
tem peso de mão firme
segurando minha cintura
na imaginação.
Eu finjo calma.
Mas releio devagar.
E entre uma frase e outra
já estou sentindo
o que não foi dito.
Somos tensão contida,
dois corpos separados
pela distância
e unidos
pela vontade.
E quando você para de responder,
fica um silêncio quente…
daqueles que não são ausência —
são promessa.
Agora me diz —
Se é só virtual,
por que eu sinto sua presença aqui?
Se é só conversa,
por que meu corpo reage assim?
Se nunca me tocou,
por que eu fecho os olhos
como se você estivesse em mim!
Santos/03/2026
Confissão
Ciducha
Eu estava aqui quietinha… tentando ser comportada.
Mas você apareceu na minha cabeça.
E eu fiquei pensando como seria se você estivesse aqui agora.
Acho que eu começaria tranquila…conversando perto demais…só pra sentir seu cheiro.
Depois talvez minha mão encontrasse a sua sem querer.
E quando você percebesse…eu já estaria olhando pra sua bocacomo quem tem sede.
Ainda bem que é só imaginação…
porque se não fosse,eu não prometo me controlar.
Santos/2026
Dueto - Por um Segundo & Por um Segundo fui Tua) (. Márcia & Ciducha )
Por um Segundo
Nos meus lábios carmim deixaste um beijo…
Fugiste de mim, sem dizer adeus.
Olhando-me no espelho, os lábios vejo:.
Por um segundo, um dia, foste meu.
Exalavam teus lábios puro amor.
Tocaram os meus tímidos… serenos;
Senti nesse momento um doce ardor.
Pois conquistaste um coração pequeno.
Tenho te buscado por todo canto,
Em teu beijo, mostraste teu desejo,
Que revelaste, trazendo-me encanto.
Fugindo de mim, deixaste borrado:
Meus lábios carmim com teu doce beijo.
Ainda sinto o teu gosto, meu amado!
Márcia Aparecida Mancebo
&
Por Um Segundo Fui Tua
Deixei em teus lábios meu carmim, não como quem marca…
mas como quem se revela.
Te beijei sem pressa, mesmo sabendo
que depois viria o silêncio.
No espelho, ainda vejo o leve borrado da tua boca na minha —
prova de que não foi sonho.
Por um segundo, fui tua. Inteira.
Sem medo.
Sem medida.
E se fui embora depois, foi porque senti demais.
Há beijos que passam…
e há beijos que ficam morando na gente.
O teu ficou.
Ciducha
Na madrugada…
— Você sente isso?— Sinto… desde o primeiro olhar.
— Meu coração está descompassado.— O meu perdeu o ritmo quando você me tocou… mesmo sem tocar.
— Não me olha assim…— Assim como?— Como se fosse me despir por dentro.
— Talvez eu queira.— Então venha… mas devagar.— Devagar?— Para que cada segundo arda.
— A lua está nos vendo.— Que veja… já não escondo o que sinto.— E o que você sente?— Um fogo manso… que só você sabe acender.
— Tenho medo dessa intensidade.— Eu não.— Não?— Tenho medo apenas de não viver isso com você.
— Então fica.— Fico.— Mesmo que a madrugada acabe?— Mesmo que o mundo acorde.
— E se esse instante for só ilusão?— Então que seja a mais doce das verdades inventadas.
— Me abraça.— Já estou em você.
Silêncio.Respiração próxima.Desejo que não pede licença.
— Na madrugada…— …instante da paixão.
— Ciducha
Dueto Amor às Esconsas ( Ciducha) e
Amor nas Sombras ( Antonio Domingos)
Amor às esconsas
Ciducha
É nosso esse amor sem testemunhas, silêncio cúmplice a nos envolver; nasceu quando almas, tão nossas,se acharam sem querer.
Amor maduro, de chama contida, que arde sem nunca se mostrar; distante no toque da vida, presente no jeito de olhar.
caminhos, atiça vontades, em febres mansas me faz delirar; nas noites fundas, em cumplicidades, te sinto em mim repousar.
Se é escondido — pouco me importa: é amor… e em mim sempre transborda.
Santos/SP
Amor nas Sombras
Antonio Domingos
É nosso imenso afeto estrelado nas estrelas
Que nossas vidas ignoram com o silêncio consequente.
Nasceu quando nossos destinos, profundamente
Se reconheceram secretos e ardentes.
Amor já tão maduro, de branda centelha,
Que arde sem alarde na sombra da vida;
Longe das mãos, e que no olhar se espelha
A chama serena que nunca se olvida.
Desvio de caminhos, amostra nossas vontades,
E em doces vertigens me faz suspirar;
Nas horas tardias de eternas verdades
Te sinto em meu íntimo a repousar.
Se paixão oculta persiste , não se perde a grandeza:
Amor verdadeiro dispensa clareza;
E mesmo nas
sombras floresce apurada beleza.
Fim
A Domingos
Amor às esconsas
Ciducha
É nosso esse amor sem testemunhas,silêncio cúmplice a nos envolver;nasceu quando almas, tão nossas,se acharam sem querer.
Amor maduro, de chama contida,que arde sem nunca se mostrar;distante no toque da vida,presente no jeito de olhar.
Desvia caminhos, atiça vontades,em febres mansas me faz delirar;nas noites fundas, em cumplicidades,te sinto em mim repousar.
Se é escondido — pouco me importa:é amor… e em mim sempre transborda.
Santos/SP
A Poeta e a Noite
Cifducha
Se és poeta da noite que me chama,
sou a chama que dança no teu breu,
mistério que no escuro se derrama
quando o teu desejo encontra o meu.
Se a lua guarda beijos em segredo,
nos teus versos me deixo revelar,
perco o medo, desfaço cada enredo
quando sinto tuas mãos me procurar.
Dizes que o sol é inimigo dos amantes…
pois que seja — ficaremos na penumbra,
onde os corpos falam mais que os instantes.
E se te afogas no néctar que te dou,
é porque a noite em mim também te inunda…
e, em teus braços, poeta, eu também sou.
Santos/02/2026
Uma breve declaração de Amor
Ciducha
Se em alguma curva do tempote sentires só ou distante,lembra — eu serei teu caminho de volta,teu farol aceso, constante.
Não há nuvem que me esconda de ti,nem silêncio que me apague em teu peito,pois habito em cada batida tua,no amor que em nós foi feito.
Se me chamares — eu venho,em pensamento, em sonho, em sentir…porque também nunca hei de me perder de ti,mesmo que o mundo insista em nos dividir.
Amo-te de dentro pra fora,de onde a alma aprende a existir…e se perder é deixar de amar,então jamais me perderei de ti.
E ponto.
São Paulo, 20 de Fevereiro de 2026
ME POETIZE
Ciducha
Me poetize… me faz voar,
mas voar baixo… dentro do teu olhar,
onde minh’alma aprende a repousar
e meu silêncio começa a te amar.
Sou verso nu, ferida a pulsar,
coração aceso sem saber se apagar,
te escrevo em mim, sem papel, sem voz,
como se o amor sangrasse em nós.
Nas asas febris da imaginação,
me perco inteira na tua direção,
entre estrofes busco abrigo e calor,
e me encontro… prisioneira do teu amor.
E quando a inspiração me vem ferir,
te vejo em tudo que insiste em florir,
sou poeta em dor, em chama, em viver…
Me poetize… pra eu não morrer.
Dueto “ Testando o Amor” Ciducha e
“‘Amor que resiste” Antonio Domingos
Testando o Amor
Ciducha
Acho que já passamos no teste
Tantos anos, tantos encontros e desencontros...
Silêncios partilhados, palavras não ditas
Ciúmes escondidos, jamais confessados
Arroubos, às vezes tão fora de hora
O reencontro esperado, momentos de calmaria
Entrega partilhada, desejos latentes
Por vezes extasiados, amor mal balbuciado
Nas entrelinhas, confissões tímidas .
Teu olhar é luz que brilha em meu escuro
E mesmo quando está sendo ocultada,
Deixa um reflexo tão belo, tão puro
E nessa valsa que hoje virou uma estória
Fica a teimosia de quem se atreve em dizer
Que nosso amor foi testado e aprovado
Um amor que resiste, um amor que perdura.
Fim
Ciducha
09/02/2026
Amor que persiste
Antonio Domingos
Nosso Amor se alinha na linha do horizonte
Controvérsias em nossas promessas
Amor se firma na alteza do firmamento
Nos vazios da alma , sonidos são brilhos
Em vozes que gritam na surdez do silêncio
Desconfianças preteridas,falsas feridas
O Perdão conquistou espaço entre as estrelas
Gritos e embates , negados pelo coração,
Indeferidos, a alma coaduna brancas dunas
A calma se faz amiúde nos encontros de Paixão
Anseios e desejos latentes vibram nos espaços
Amor se refaz no calor do sol de todo amanhecer
Nossos segredos, íntimas confissões
A luz do Luar brilha em teu olhar , alerta
Na escuridão dos cômodos arejados
Nossos sentimentos fogem aos labirintos
Reflexões de nossos dias vividos com ternura
E a dança nos faz calar ,em nossa doce canção
E caminhamos na firmeza de ser e ter
Um Amor grandioso que se mantém aceso
Persiste nas calçadas na cura de cicatrizes
Fim
A Domingos
Dueto: Ciducha & Márcia (O Coração Chora & Lágrimas de Madrugada)
MEU CORAÇÃO CHORA
Ciducha
Chove no meu coração, chove sem parar
A chuva é lágrima, é a dor de te lembrar
A saudade é um rio que transborda,
E nessa tristeza eu me perco, sem querer.
A chuva cai e eu me vejo só
Com o eco da tua voz e o vazio que me consola
Mas na dor há beleza, há um quê de emoção
E, nesse choro, eu encontro a minha redenção.
E na chuva que cai como um pranto do céu
Lembro do teu semblante e do amor que me envolveu.
A saudade aperta e o coração se desfaz,
E, neste dilúvio de emoções, eu me perco uma vez mais.
São Paulo/02/2026
&
Lágrimas da Madrugada
A chuva que cai do meu coração
É lágrima retida e sufocada,
que transborda qual cheio ribeirão,
quase sempre vem pela madrugada.
Na madrugada que a saudade chega,
e a ausência sempre é muito sentida;
sequer a lua e a estrela me aconchegam,
vejo aos poucos levar a minha vida.
No silêncio procuro explicação
pra esse querer que não sei definir;
não consigo livrar-me, é paixão,
minha alma não consegue mais fingir.
A lágrima despenca sem cessar,
e vejo tua imagem pelos cantos;
estendo os braços a te abraçar
pra eu pensar em ti com doce encanto!
Márcia Aparecida Mancebo
04/02/26