Posts de Jorge Santos de Oliveira (223)

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Perdoa-se

Não é feio se queijar
Nem lembrar das suas lidas
Quando todas suas corridas
Fizeram-te meditar

Nos percalços, nos entraves
Nas lutas da sua mente
Que te levam dias e noites
Retornar o tempo ausente
Pra quem sabe refazer
Um caminho diferente

Mas o tempo não é máquina
Não se dobra pra ninguém
No passado não se toca
Nem num futuro também
O que fazer com essas magoas
Que insistem e sempre vêm?

Não te entregues a aflição
Nem te deixes abater
Pois aqui vou te contar
O que deves entender
Não é dó, mas é perdão
Desses do coração
Que dissolvem toda amargura
E revelam a solução

De todos erros possíveis
O maior deles é não se perdoar.
(Jorge Santos)

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Ciclos Findados

Seguindo as pegadas da vida
Adentrando inicialmente dezembro
Veja o pendor, incendida
Ao que logo vislumbro
As história por trás tão vivida

As manchas cetrinas e os arranhões
São selos de algumas tentativas
Presentes entre outras visões
Que a sorte de ser altivas
Os trazem sensações

Findaste o ciclo não as rugas
Que surgem antes da palidez
Antes das espécies necrófagas
Diluírem por completo sua avidez

Findaste o ciclo não as intrigas
Velozes como a luz astral
Pedimos; livrai-nos das brigas
E das teias sutil do mal

 

 

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Ele tinha vários...

Ele não está aqui hoje
Ontem também não
Amanhã quem sabe!
– E já se foram 20 anos –
Ele ainda não veio
Dizem que há empecilhos
Ele parou no caminho
– Mais 10 anos se passaram –
Ele estava tão perto
Quase nos alcançou
E agora ele se foi.
O que faremos sem ele?
Acha que os sonhos morrem?

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Amor Sui Generis

Atentarei ao teu amor inteiro,
antes mesmo que pensasses
que amor terias.

Banhava-se a lua no mar,
enfeitava-te com tanto amor
do meu amor que te daria.

Rosa perfumada, sui generis,
toco em ti, teus sonhos,
bálsamo de prazer.

Entre noites e corpos quentes,
olhares festivos, ternuras,
ápice bucólico: você.

 

 

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Apolo


Apolo
meu grande amigo
Me disse que não quer mais afeição
Depois
dá despida e do adeus
Da deusa que laçou seu coração

Sempre
levando a arte do amor
Fazendo da sua dor uma canção
Como é que se pode chamar
A letra e à harmonia desce o tom

Apolo
vai viajar
sair pra encontrar
quem sabe ser feliz
quem sabe outro dia

pois
é bem assim
até pra quem é o deus
da poesia.

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Escrever

Minha caligrafia é estranha
Parece garatujas de criança
No branco da folha de papel
Vou desgovernado com a esperança
E Jogando as letras pelo céu
Que se juntam por entre as linhas
Harmoniosa como uma dança
Gerando versos em cordel

Porque escrevo meu Deus?
As vezes até me pergunto
Quanto tocam no assunto
Que eu sei que não são meus
Eu tento me deter, de alguma forma me conter
Mas é tão forte, isso é mais forte do que eu

A escrita liberta a alma da prisão
Traz à tona as histórias de amor
Que mesmo longe onde for
Aonde tiver um escritor
Terá palavras do coração

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Refrigera-me

Dai-me o tom certo das palavras certas;
se não, o silêncio falará por mim.
E não me preocupa o silêncio
mas o que dirão, se não eu?

Leva-me às alturas deste céu da poesia
ilumina-me com os raios da bondade
da sinceridade e do amor.
Lava-me com as águas de tuas mãos
para que tuas palavras sejam as minhas.

Refrigera os necessitados
agrega os afortunados de amor e paz
e envolve-me com tua paz celestial.

 

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Agradecimento

Faz alguns dias que não entrei nesta casa,
estive nas andanças da vida,
nas lutas cotidianas e tantas mais.
Não vou negar a surpresa
ao adentrar aqui por esta noite,
deparando-me, à minha destra,
com meu verso modesto ao meu lado,
numa frase de destaque,
como a primavera adentrando outubro.

Obrigado!
Digo ainda com mais intensidade:
MUITO OBRIGADO!
Esse singelo agradecimento é para meus amigos
da Casa dos Poetas.

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Poesia Rejeitada e Torta

Poesia rejeitada e torta
Destoante do estilo sedutor
Que chega com os pés na porta
Atrevida e louca de amor

Poesia sem filtro nem mascara
Nem feltro macio nem dona
Perfeita para os imperfeitos
Como uma criança respondona

Poesia das vozes caladas
Da alma espinhosa saturada
Das cores inventadas
Dos copos sem moedas nas estradas

Poesia inerente dos amantes da escrita
Que viaja no mundo das sentenças
E retorna com frases nunca ditas
E difere das incontáveis diferenças

Poesia que seja o grito dos invisíveis
Retratando suas lutas tão injustas
Participante das bandeiras socias
Dos coros ademais às nossas custas

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Coração Sob Pressão

Essa dor deveria arder em outro lugar,
pois este coração já tem funções suficientes.
Leva o peso de semear a vida,
a tocha que não pode se apagar.
Carrega inerentes sentimentos de afeição
quando o amor por ele logo chegar.
Mas essa dor insuportável que permeia,
insiste sempre em o coração importunar.
Então, tão logo quando chega frenética,
de igual maneira, com ímpeto a impugnar,
vem com a certeza do alívio imediato
e, por um tempo, esse peito apaziguar.

 

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Normais Demais

A loucura pode ser a fuga dos anormais
Aqueles que são normais demais
Que fazem perguntas escrotas
Sem respostas é óbvio
Ainda sim os fazem
Há quem viva numa boa
Com tantas questões
Nem se importam, tanto faz
Talvez já estejam loucas
Como vamos saber?
É uma fuga das neuroses
Das fadigas e aflições
É tão bonitinho falar de amor
E tão devastador a sua dor
A sua busca e a sua demora
Mas não importa, ninguém se importa de fato
O problema é todo seu
Os normais demais procuram uma saída
Espero que as janelas estejam baixas
Pois não se sabe qual andar estamos
Em que pé estamos
Talvez uma caneta e um papel seja uma janela alta demais.

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Poesia Latente

O ritmo cadenciado correi minhas artérias
Ao afrontar tantos iguais, tolos a mais
Deixo um sorriso amarelo apresentar
E disfarço esse humor ferrenho


Matei outra vez o desejo inacabado
Afligindo as perspectivas adjacentes
Deverias acomodar o silêncio, como sempre
Protestando sempre intimamente


Até a assolação das veias, das cavidades mentais
Ou se outro mutismo imperar
Ou se outro poema encontrar


Como é difícil entender
Esse harmônico latejar das palavras infinitas
Chocando-se com as vírgulas e outros pontos
Delimitando as folhas, metamorfoseando-se em poesia.

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Prisma da dor

A pressa de um amor encontrar
Antes da noite fria e escura terminar
– Dança uma valsa desconfortável
dentro do peito.

Mesmo se as estrelas caíssem
Em lugar nenhum desse infinito
Até lá, se ouvirá tal grito de amor

Retraído, descalço ao tempo
Ditoso tempo
Que deita em pareceres de homem
Recinto de idiotas apaixonados

Descoberto, sozinho e nu
Um triste quadro da dor
Do amor constituído em prismas de ilusões

Indubitavelmente reflexivo e mal
Correndo uma maratona sozinho
Magoado, na partida
Lastimoso na chegada

 

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Paradoxo Existencial

O que é a morte pra quem morre a vida toda
O que é a vida para quem nunca viveu
O que é o dia se a noite sempre chega
O que é a noite quando o dia se estendeu

O que é a cura se a doença nunca acaba
O que é a doença quando o remédio chega
O que é a beleza se por fim ela não é nada
O que é o fim se o começo todos negam

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Fogo e Hipocrisia


O fogo fere o fogo faz do homem monstro
O fogo fere a fuga doutros animais da mata
O seco mato com fagulhas, mata
Sem a selva, salve os animais do mato

O tempo escuro da fumaça escura
Do medo turvo que permeia a vida
De toda vida da terra agora cinza
Da casa o joão não teve despedida

A águia grita em tom de desespero
Sobrevoando o paredão de fogo
Do chão selou a toca do sossego
E o tatu paralisou de medo

O fogo formou-se e tornou-se dores
O fogo em si não é o maior dos males
É fichinha perto dos maus feitores
Desses senhores e notificadores
Que se alimenta fomentando o mal

Que fazem músicas cheias de viés
Mas não se importam de fato com a verdade
Só querem ser fantoches e opositores
E se escondem atras das barbas da vaidade
Atras das leis que lhes trazem poderes
Enquanto a mata queima seu quintal.

Apague o fogo de sua vergonha
Agora é hora de cantar
“Razão de tanta insânia e tanta insônia”
Mas o pior cego é quem não quer enxergar

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Antes da Morfina

Vez ou outra, os espinhos pontiagudos
deslizavam sobre os ossos curvos, este
sim dobrava-se, encarrancava o rosto,
franzindo a testa.
– Qual grau de inconsciência dele?
Despertou a dor caminhante noturna,
antes da morfina, fria e fina.
Antes mesmo do acerto, do jeito de estirar.
Modelando o sono, que vinha lutando.
Por vez perdia a batalha, anos e anos.
Até que, de pronto se doou mais amor.
Tanto e quanto, não há, nem haverá
quem conte.

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A Dor do Quase

 

Um instante pincelado naquele quadro
Duas almas presas, prestes a se encontrar
Faltava apenas um curto espaço no tempo
Mas suas mãos ficaram ali estendidas
Próximas a se conectarem pelo tato
Pelo amor, pela paixão ardente
Seus esforços eram visíveis
Era claro, tão evidente desejo
Mas o autor da obra não quis
Ele não...

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Haja visto!

e como pode! meus senhores.
haja visto meu sorriso
com tamanha alegria
a soma dos teus átrios
de nobreza e bonomia
tanta graça e bondade
dessa gente de hoje em dia
que meus versos sejam o tom
que completa a melodia
e que toda essa bondade
não se torne utopia

 

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Assim como no céu

nem ficou escuro por completo
nem está tão descoberto
o céu *crepúscado vespertino
e eu feito um menino
admirando as cores
o baile das nuvens
sincronia *deuseriana
formas e deformas
vívidas, geometricamente imperfeitas
magnificas e esplendida
por alguns míseros segundos
fui levado a comtemplar
esse quadro
tirando-me da realidade
por um momento
antes da parada na padaria
já no final do dia.

 

 

 

 

 

 

*crepúscado: crepúsculo (entardecer)
*deuseriana: dos deuses

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Vi essa linda borboleta

 

a porta atrás de mim
era o começo não o fim
passei por um jardim
e avistei ela bem assim

estava tão distraída
veio suave como uma brisa
toda colorida, tão desinibida
pousou em minha camisa
estampada de margarida

não demorou ela percebeu
o meu perfume ela encontrou
não era o néctar que ela pensou
sem demora não hesitou
e bem devagarinho ela voou

 

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CPP