Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1967)

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Estações

Estações

Sem ver tempestades pelas alvoradas.
Passei por estio por todo verão…
Com a boca seca varei madrugadas:
Não vi a garoa molhando meu chão!

Sozinha num canto esperei primavera;
Com fé que as flores trariam bonança.
Mas quando defronte com a nova era:
Percebo que a chuva ficou na lembrança.

Agora no outono às vezes eu vejo;
O céu tão nublado parece trazer
A chuva esperada que tanto desejo.
Molhar o jardim para flor renascer.

O vento ligeiro ao passar pelo chão
Carrega, as folhagens deitadas na terra,
Devido ao estio da outra estação.
Olhando distante não vejo mais serra,
O pó a cobriu da minha visão!

E neste momento a tristeza me assola;
Pois, sei que no inverno terá serração:
O frio e a geada a paisagem imola,
Como sacrifício à recordação
do tempo, criança a esperar estações.

Márcia A Mancebo

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Tela perfeita

Tela perfeita

Aos olhos regalo, para alma alegria.
Ver tanta beleza do sol ao nascer
Tão rápido aparece saudando o dia.
A tela perfeita que engrandece o ser.

O ser que é sensível e sabe entender;
Presente elegante que Deus oferece:
A cada manhã, a cada amanhecer.
À terra uma benção, a mim, uma prece!

Até a roseira no canteiro floresce.
E dela uma rosa vermelho carmim
Saúda o sol que a resplandece
Garbosa, bonita enfeitando o jardim.

No ar um olor ao chegar com a brisa
Compõe a paisagem tão bela da vida
E, todos os passos ela suaviza,
deixando o caminho com leveza infinda.

Manhã outonal sem o vento a levar
restante das flores deixadas na terra;
Capricho da natureza a encantar
desde o prado, o riacho e a trilha da serra.

Márcia A Mancebo

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Almejava somente...

Almejava somente…

Com manto, vestida seguiu seu trilhar.
Passou por cidades que estavam em guerra.
Viu corpos feridos co' a morte a rondar…
Figuras estranhas ela viu nesta terra.
Fugiu pro deserto para alma acalmar.

Viu ser por ganância agir, presunçoso.
Matar o irmão sem sequer importar.
Ao ver a maldade no ser filaucioso:
Que pensa só nele, só sabe se amar.
Sentiu o seu mundo deveras maldoso:
Tão diferente foi seu caminhar.

Varou madrugada sozinha a pensar:
Um jeito bondoso, pessoas salvar.
E uma tristeza sentiu lhe açoitar.
Calada ficou sem poder encontrar
A paz desejada o universo abraçar!

Naquele momento almejava somente;
Ver faces felizes sem fome e o sofrer.
Crianças brincando livres e contentes.
Adultos louvando o tenro amanhecer!

Márcia A Mancebo

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Oh, árvore linda deste meu torrão...

Oh! Árvore linda deste meu torrão…

Paineira frondosa da minha cidade;
Florida, pro olhos, enche - os de emoção…
Enfeita o canteiro em todas as tardes:
Desde a primavera ao chegar o verão!
Oh! Árvore linda deste meu torrão…

Se o vento a balança vem água do céu;
Molhar suas folhas, deixando - verdinha.
É nela que o pássaro faz escarcéu
com canto afinado ao cair a tardinha.

Há tantos detalhes para relatar:
Tantos acidentes sofreu a paineira
E, tão fortemente pode suportar…
Ali permanece mui bela… altaneira!

Mais de duzentos anos ali no chão;
Não há quem a veja e não sinta bonança.
Oh! Árvore linda deste meu torrão,
Por onde eu for a levarei na lembrança!

Márcia A Mancebo

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Na madrugada uma voz

Na madrugada uma voz

No canto da sala o vaso com flores,
No quarto ao lado, o cansaço dos dias.
O choro é baixinho, sofrido co'as dores.
Com dor da saudade se foi, a alegria.

E tudo se vai lentamente…com calma.
Ficando somente a cruel solidão:
que ao adentrar no peito, importunando a alma
Judia sem dó o pobre coração.

Enquanto no céu o escuro permanece;
Escondendo as estrelas com seu brilhar!
Aos poucos a mente cochila, adormece:
Deixando que o sono venha se aninhar.

Mas na madrugada uma voz que calada;
ressoa num grito e desabafa a dor;
Desperta o poeta co' a alma inspirada:
Trazendo de volta a lembrança do amor…

E, surge um verso com rima afinal.
Está devolvendo ao viver, fantasia.
Tudo que angustia tem o seu final…
Então resplandece o nascer da poesia:
Com o amanhecer da manhã outonal!

Márcia A Mancebo

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Final do percurso

Final do percurso

A água que desce da fonte da serra,
Parece que canta, parece que chora.
E chega espumosa molhando à terra.
Essa água é benção no momento… Agora!

Aqui nesta tela a esperança tem asas;
e voa distâncias pra bem se viver
Se banha nas águas na volta pra casa
Trazendo com ela novo alvorecer.

Com raios de sol na manhã espelhada;
na água que desce escondendo espinhos
mostrando que é leve o trilhar da estrada:
Tem sombra das árvores pelo caminho.

Não há detalhes no final do percurso.
É simples; bastando somente seguir:
filete de água que segue seu curso
E vai mansamente sem nada impedir.
Chegando onde o sol a, noite vai tingir…

Márcia A Mancebo

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Amenas manhãs

Amenas manhãs

As nuvens passeiam serenas no céu,
As flores perfumam toda natureza.
Ao ver belas aves fazer escarcéu
Eu sinto meu mundo cheio de beleza!

E vem a lembrança das amenas manhãs
que ouvia o cantar, dos pássaros, no ar...
Um canto suave aliviando o afã
tão duro na estrada do meu caminhar.

Minha alma me intui que devo escrever:
Uns versos singelos fazendo honrarias
a tudo que vejo no amanhecer...
...da paz existente no raiar o dia.

Aos poucos sentindo boa vibração;
Renasce o versar trazendo alegria
Fazendo pulsar forte o coração...
ah, tamanha emoção retrata poesia!

Márcia A Mancebo

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Ternura que traz emoção

Ternura que traz emoção

E quando a manhã surge longe com cores
A vida vai aos poucos ficando amena.
Abrem - se os botões, ah, os botões de flores
plantados naquela manhã tão serena!

Plantados foram, no canteiro central
Assim quem chegar alegra o coração,
Sente - se feliz por esse vegetal
emanar ternura que traz emoção!

As flores encantam...Com elas divago
deixando o sofrer com menos amargor...
Nesse divagar dá pra sentir o afago
Que a flor oferece com muito fervor!

Observando o canteiro vejo o florescer;
Botões lentamente se abrindo no chão...
Com elas eu sinto que irei aprender:
Brindar à natureza com gratidão!

Márcia A Mancebo

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A lágrima de hoje

A lágrima de hoje

Agora já posso dizer co' emoção;
De todo percalço vencido na lida.
A lágrima de hoje ao descer faz menção;
Aplaudindo instantes de glórias na vida.

A lágrima de hoje desce em abundância.
Chegando salgadas nos lábios, vermelhos.
Mas é de emoção. Não tenho a petulância;
Dizer: mãe querida, não ouvi teu conselho.

Pois é, minha mãe, consegui ter a paz!
Segui teu conselho e conselho materno
somente, traz lágrima que satisfaz,
Deixa o coração serenar de tão terno!

E hoje essa lágrima rola festiva.
Livre de tristeza pra recomeçar!
Não desce infeliz nem tão pouco furtiva.
… Dessas limpas águas meu ser vou lavar!

Márcia A Mancebo;

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Um bem consagrado

Um bem consagrado

Há tantas mudanças que a vida propõe
A quem acredita que o amor é a verdade
Que a lida é missão a quem nela dispõe:
Estender a mão e fazer caridade.

Servir com carinho é um bem consagrado
A quem está cônscio da miséria no mundo
A quem entender que o que é ofertado
Tem muito valor, é um gesto profundo!

Um gesto profundo a quem tem coração.
Desfazer do que tem, pois tem a fartar
Querer dividir não é contribuição
É entender que somos todos irmãos.

E quando alguém, amor te ofertar
A Deus agradeça com satisfação
E, nunca se esqueça de abençoar,
Quem neste momento te traz emoção
Pois, muito entende que amar é doar!

Márcia A Mancebo

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Amor fecundo

Amor fecundo

E secos sem lágrimas será meu mundo
quando nos braços do amor repousar
sentindo quanto esse amor é fecundo.
Por isso chegou ter raiz...enraizar.

Bendigo essa paz encontrada no instante
que meu ser estava carente e sozinho
que mais precisava de amparo constante,
nessa estrada cheia de vãos, que é o caminho!

De mãos atadas chegaremos ao infinito
onde repousa a essência de amar.
Lá onde o sonho tem cores, é bonito.
O lugar perfeito pro sonho embalar.

Márcia A Mancebo

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A essência é o amor

A essência é o amor!

A vida esse palco repleto de anseios
Pra minha poesia é a tela perfeita
onde, deslizando com meus devaneios
descrevo o que intui minh'alma satisfeita.

Dizendo das flores que enfeitam a vida,
da graça em viver desfrutando alegria;
olhando pra atrás todas curvas vencidas
poder em meus versos narrar a poesia!

A mim esse palco é recheado de encanto
transforma a lágrima em sonho constante
E, tudo que está escondido no canto
se torna visível, suave e brilhante.

Então os meus olhos desfrutam beleza
que compõe a tela da vida em esplendor
E traz ao papel com tamanha esperteza:
No viver matizado a essência é o amor!

Márcia A Mancebo

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Aos poucos eu sinto...

Aos poucos eu sinto...

O tempo levou meus melhores momentos.
O que de sagrado guardava na mente
deixou que voasse dos meus pensamentos.
Lembranças tão boas sem dor e tormento.

Agora só pó toma conta da trilha,
Qual fotografia nos lados, rasgada
Escondendo a imagem que agora não brilha
no instante que a noite beija a madrugada.

Meus olhos não veem beleza nos dias;
Nem mesmo andorinhas fazendo escarcéu;
Não têm revoada trazendo alegria,
Nem as nuvens prata passeiam no céu.

Hoje encabulada procuro a ilusão;
Por todos os cantos que o viver aponta.
Somente há silêncio no meu coração!
Nem sequer percebo que o dia desponta.

O sol nasce lindo a manhã clareando;
E toda a estrada que vi empobrecer:
Eu vejo florida a guia margeando;
Aos poucos eu sinto que irei renascer!

Márcia A Mancebo

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Nas flores que vi

Nas flores que vi

A cruz carregada trouxe desencanto
E desencantada me fechei ao amor.
E pouco durou tão intenso ardor!
O sonho morreu… fiquei no meu canto.

Não imaginei na vida deslizes.
Foi crendo demais, vim me machucar,
Então resolvi minha rota mudar.
Pois, marcas profundas deixam cicatrizes.

E como mulher com sabedoria.
Sem maldizer a paz ora perdida:
Na espera ver luz a mim, refletida.
Mudei todos os planos pra seguir a via.

Segui os meus dias a espera de nada;
E, com alegria o sorriso brotou…
Nos olhos o amor outra vez abrolhou:
Nas flores que vi margeando a estrada.

Márcia A Mancebo

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Meditando

Meditando

Meu sonho tem asas, tem olor suave
Que sinto de longe co' o vento chegando
E, quando anoitece chega em uma nave
Agarro sua cauda e saio voando.

Exploro lugares nunca visitados:
com prado florido e campinas geladas;
poente sereno e crepúsculo orvalhado
e, noites estreladas... frias madrugadas.

Instantes tão belos de amor ao luar,
rosas sem espinhos nas vias da vida,
Na tarde que cai vejo o sol repousar:
se esconde sem brilho cansado da lida.

Meus olhos brilhando ...tamanha esperança
Há tanta emoção neste sonho voador
ao ver o momento que quando criança
regava meu sonho com tamanho ardor.

Mas a realidade é tão cheia de dor
Pois, vejo no mundo a ganância do ser
brigando por tudo que traz esplendor
Fazendo guerra esquecendo que viver
é graça infinita espargida de amor.

Márcia Aparecida Mancebo

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Anjo de luz

Anjo de luz

Eu vi estações começarem com flores;
a lua ofuscar ao passar sobre o mar
O sol outonal mudar todas cores
O vento ligeiro, folhas, espalhar.

Mas tudo que via fazia - me bem;
Até nos desertos, noites caminhei…
E medo da vida não tinha também!
Enfrentando feras, todas, eu matei…

É que nesse momento estava a sonhar;
Estava febril, eu estava doente.
Estava num mundo, sozinha a vagar,
Cenas assistidas eram inconsequentes.

Passaram semanas, o espaço era o mesmo;
A febre cedeu me acordando do sonho.
Estava tão calma, mas andava à esmo:
Com lábios tão secos e olhos tristonhos.

Então me disseram que estive na cama
Dizendo palavras sem ter fundamento.
Ao ouvir tudo aquilo senti uma chama:
Aquecendo meus pés até o pensamento.

Olhando pro céu vi a lua prateada.
Então percebi que todos os momentos:
Um anjo de luz me mantinha acordada:
Pra que eu não sentisse o meu sofrimento!

Márcia A Mancebo

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O acordar de amanhã

Poema sobre um mote

"Pensando nas flores que enfeitam a guia:
tão lindas, tão puras e para mente, úteis"

O acordar de amanhã

Não venha esta noite ficar a meu lado
trazendo lembranças de tempos vividos,
Pois, hoje lembrar minha vida, o passado
fará do meu choro um queixume dorido.

Preciso perder esse medo da vida,
Voltar a ter sonhos com belo porvir.
Olhar para frente enfrentando essa lida
sem lágrimas, que possa o riso impedir.

Careço de calma e embalar essa paz.
Pois, este sentir faz bem ao coração.
E neste momento minha alma refaz
da angústia causada pela solidão.

Eu quero amanhã acordar co'alegria.
Cansei de chorar por motivos tão fúteis.
Não quero saudade que tanto judia,
Sequer pensamentos tristonhos, inúteis.
Agora desejo alegrar o meu dia
pensando nas flores que enfeitam a guia:
tão lindas, tão puras e para mente, úteis
São ela que trazem a mim, a poesia.

Márcia Aparecida Mancebo

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A vida

A vida

Retirando as pedras na trajetória;
A cada passo vamos aprendendo:
Que nos momentos maus e nos de glórias
Resultados, positivo vamos obtendo.

Na tentativa para superação;
Fazemos com Deus aliança
Inflamado de fé o coração
E olhamos o porvir como bonança.

Tranquilidade na consciência,
Quietude é uma virtuosa qualidade
Surpreendendo até a ciência.
É o que de fato traz felicidade!

Qual guerreiros sempre avançamos,
Deixando para atrás o que nos angustia.
Força e coragem nós multiplicamos,
Para a serenidade no final do dia.

Com olhar sábio para a plenitude;
O que passar sem ser notado, é agonizante.
Devemos retratar nossas virtudes.
Pois, somos seres humanos perseverantes.

Márcia Aparecida Mancebo.

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Alma poeta

Alma poeta

Embalando os sonhos com a fantasia
Eu faço viagem liberta sem brida.
Um botão de rosa dá luz à poesia
Dizendo das flores plantadas na vida.

E com liberdade me solto no espaço
Qual pássaro livre me ponho a voar,
Com alma poeta, o que me encanta, traço.
e neste universo aprendi versejar:
Dizendo das flores regadas na vida

A cada palavra exala olor no escrito.
Perfume suave da rosa em botão!
Botão tão singelo se abrindo bonito.
Que cuido com zelo, com meu coração,
Que ao contemplá - lo me leva ao infinito!
Dizendo das flores nascidas na vida.

E, desse infinito vem a inspiração;
Dum vasto jardim com rosas aflorando
De mãos bem atadas lá mora a paixão
Brotando poesia com muita emoção
Dizendo das flores colhidas na vida!

Márcia Aparecida Mancebo

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Versos suaves

Versos suaves

Ilusão querida caminha comigo
Me leva onde sol costuma se esconder…
Desejo seguir abraçada contigo
careço de luz para muito viver!

Vesti toda dor de vermelho carmim!
Eu quero o universo com nuvens e cores
Todo iluminado somente pra mim!
Ah! Já sinto o aroma gostoso das flores.
Não sei se são rosas ou, são dos jasmins…

Te embalo nos dias, ilusão querida;
Te dando poesia, te dando carinho;
com versos suaves que dizem da vida.
Faço teu traçado tecido com linho.

Jamais me abandone sozinha nas noites.
Te faço honrarias se preciso for…
Não deixe que a lida me trate co' açoite.
E fica a meu lado me inflando de amor!

Márcia Aparecida Mancebo

Saiba mais…
CPP