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QUANDO O QUE PASSOU NÃO PASSA

QUANDO O QUE PASSOU NÃO PASSA

Quem nunca provou, não sabe o sabor. Quem nunca sofreu, não sabe o que é desfrutar.
Quem nunca sentiu saudade, não viveu de verdade.

Então, que sentimento é este que  o chamam de saudade?

Saudade, segundo os dicionários, "é o
sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa,                                                                                                                                                        uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas."

Ao sentirmos saudade,  trazemos  à tona momentos vividos que marcaram um instante,                                                                                                                  ou múltiplos instantes. Por um momento, como um passe de mágica,
aquele vazio é preenchido e nos faz viajar na tênue linha que separa a realidade da ilusão.

Percebi que com o decorrer do tempo a saudade não se acaba, ela se dilui pouco a pouco.                                                                                                                Ela não é apagada das nossas lembranças em definitivo.                                                                                                                                                        Sempre restará um resquício no fundo da memória, como a borra do café no fundo de uma xícara.

Todavia, há uma diferença, a borra por mais impregnada que esteja,                                                                                                                                             ao lavar o recipiente, desaparecerá, ao passo que a saudade latente estará no âmago da existência,                                                                                          sempre pronta a se manifestar.

Ela, a saudade, fica alojada na memória, inúmeras são as lembranças  às quais o cognitivo é capaz de arquivar.                                                                                São momentos que estavam adormecidos e que podem ser ativados através de um perfume,                                                                                                           de uma canção, um filme, um sabor, uma foto, um local e tudo o mais que é inerente aos nossos sentidos.

Entendo que saudade é um patrimônio individual,                                                                                                                                                                somente o ser que viveu e soube compartilhar experiências tem o privilégio de  ter ativadas  as reminiscências,                                                                                todas as vezes que o coração exigir.

Fosse eu um filósofo, quem dera ser, poderia expressar que  saudade é como um copo d'água,                                                                                                        por instantes abranda a sede das lembranças que a memória insiste em reviver.

Poeticamente, sem ser poeta, eu defino que saudades são areias inertes no fundo do lago.                                                                                                            Até podemos pegar com as mãos, mas elas escorrem por entre os dedos.

Como um ser comum, um mero mortal, eu penso que saudade é um instante que passou, mas que não passa, simples assim.

                    

SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

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ARREPIOS

ARREPIOS

Sei o que sentes
quando em pensamentos
toco em teus cabelos
passo minhas mãos
em tuas pernas
encosto meus lábios
nos lábios teus

Sei o que sente
quando recebe meus carinhos                                                                                                                                                                                                    deitada em lençóis de seda

Sei o que sentes
quando se acomoda
em meus ombros
e você adormece

Enquanto dormes,
quisera eu ler teus pensamentos
protegê-la dos teus medos
aquecê-la em seu leito
iluminar teus momentos sombrios                                                                                                                                                                                              saber os teus segredos
causar em ti mais e mais arrepios

 

SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

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POEMA DIFUSO

POEMA DIFUSO

De repente,

em meio aos meus devaneios,

dígito no celular, distraidamente

pensamentos que afloram

como uma nascente

que vai crescendo,

crescendo até jorrar,

transformando-se em um mar,

um mar de essências que,

ao balanço das ondas,

confunde minha cabeça,

inunda meus sentimentos

atormentam minhas ideias.

Mergulho no oceano da existência,

exploro cada partícula em minha volta,

da qual extraio gotas de experiências,

exercito o meu cognitivo,

Moldo as gotículas, uma a uma,

surge, então, filamentos de luzes 

que iluminam minha consciência,

transformo-as em tênues fios

até juntar em novelos.

Desenrolo as pontas,

desfaço laços,

desato os nós, 

com muito zelo,

sem deixar embaraços.

Sigo o ritmo do meu coração,

rascunho cada letrinha,

ouço a minha respiração

traço as linhas,

emendo as pontas

até formar palavras,

palavras que se encontram,

que se cruzam nas rimas.

Alinhavo as rimas,

logo, tenho os versos,

costuro os versos,

tenho um poema,

poema em forma de poesia,

poesia em tamanho único,

uma roupa que me veste,

uma grife paralela

que preenche o vazio,

cobre a nudez da solidão

agasalha o frio da ausência dela.

 

Samuel De Leonardo (Tute)

 

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MENINA LINDA, BELA MULHER

MENINA LINDA, BELA MULHER

Quando a vi, pela primeira vez

ainda uma flor em botão

menina com brilho em sua tez

promessa de uma flor formosa

o mar azul do teu olhar

um sorriso meigo e graciosa

mergulhei no teu oceano

mesmo sem saber nadar

sequer havia um plano.

 

Fez disparar o meu coração

comecei a me apaixonar

na transição da adolescência

não fazia ideia o que era amar

a fase adulta tomando ciência

somente um jovem, ainda

descobertas e novas vivências

enamorado por uma menina linda.

 

Aquele instante está na memória

momento especial, sublime

começo da nossa história

amar, não tem quem ensine

juntos fomos aprendendo

com luta somamos e dividimos

triunfamos e multiplicamos

conquistas grandes e pequenas

antes éramos nós, apenas

de repente, dois meninos

cresceram e bateram asas

cada um seguiu seus destinos

silenciosa ficou a nossa casa.

 

Agora, chegamos àquela idade

eu e você, você e eu, nós dois

vamos encarar a realidade

agora mesmo e também depois 

superando tudo com louvor

vivendo em total cumplicidade

isto é a força do amor

amor por ti, um ser "maravilinda"

juntos para o que der e vier

ontem, uma menina linda,

hoje, uma bela mulher.

 

Samuel De Leonardo (Tute)

 

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FAIXA ETÁRIA

FAIXA ETÁRIA

Tenho uma certa idade.

Que idade é essa?

a gente tem a idade certa

a idade que me interessa

Já não tenho tanta pressa

 

A idade acerta o alvo

na certa consome o ser

não tem como escapar

é uma ingrata cilada

viver pouco é uma pena

melhor ter a idade avançada

 

Há acúmulo de obesidade

e outro tanto de experiência

viver muito pode ser genético

algo divino que desafia a ciência

deixei de lado a dieta incerta

a única certeza é que acabo esquelético

 

Vivo sem ter que provar nada

do que fiz ou do que faço

são perdas e ganhos

ações obedientes

outras de desacatos

são atos e desatos

são coisas que se perdem no espaço

 

Tenho a idade da verdade

nem de mais, nem de menos

passei duas vezes dos trinta

de repente possso chegar aos oitenta

se perguntar quanto, eu não minto

o que interessa é que estou vivo

pelo menos é o que eu sinto

 

A vida é uma disputa

vive-se ano a ano

isto é chamado de aniversário

parece algo insano

sei que um dia partirei

mas a causa é necessária

já estou nas alturas

no topo da faixa etária

 

Contudo,

o que importa é a idade mental

poder viver em paz

ser dono do meu nariz

com um corpinho estrutural

seguir meu caminho, risonho

sem medo de ser feliz

me parece elementar

preciso acreditar nos meus sonhos

acreditar que ainda tenho forças

forças para sonhar.

 

Samuel De Leonardo (Tute)

 

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INDIGENTE

INDIGENTE

 

Nascera desprovido de tudo

Filho do acaso e dos descasos

Sem nada que fosse seu, desnudo

Uma vida vivida nos atrasos.

 

Vida marcada em sua essência

Sem chance de ser criança

Uma vida plena de carência

Herdara apenas esperança.

 

Pós-graduado na escola da vida

Educado na cartilha da brutalidade

Aprendera o ofício na lida

Só conhecia a sua realidade.

 

Trabalhava noite e dia

Sem trégua desde criancinha

Um dia barriga vazia

Noutro, o que comer, nada tinha.

 

Sustentava quatro crias suas

Mais cinco agregados

Todos filhos das ruas

Vivia na corda bamba, quebrado.

 

 

Sempre pronto no batente

Pau pra toda obra

Homem honesto e valente

Sem um salário nada sobra.

 

 

Seus caminhos mais penosos

Desconhecia o significado atalho

Mesmo jovem já era idoso

Sacrificando-se ao trabalho.

 

 

Numa noite voltando da labuta

Uma bala perdida acertou o alvo

Atingiu em cheio a nuca

O pobre nunca está salvo.

 

Perdera a única coisa que possuía

Nada do nada, pouco do pouco

O corpo estendido, em agonia

Um gemido melancólico, rouco.

 

Autoridades acusam a milícia

A imprensa fazendo entrevistas

Testemunhas apontam a polícia

A justiça nunca encontra pistas.

 

Cidadão simples e carente

Virou um número de estatística

Sobreviveu pobre miseravelmente

Desapareceu, é mais um na lista.

 

A morte de um indigente

Não comove a sociedade

Fosse famoso, seria urgente

Descobrir toda a verdade.

 

É fato, não há justiça na história

Quando se trata de pobres

São tratados como escórias

As leis são feitas para os nobres.

 

Resta apenas um lamento

Dos frutos do regime capitalista

Impossível assistir tanto sofrimento

Enquanto uns padecem, outros são meros turistas.

 

SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

 

 

 

 

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BAILARINA

BAILARINA

 

Bailarina menina

seus passos são poesias

sua dança fascina

ocupa almas vazias

 

Menina bailarina

o espaço lhe pertence

é arte que domina

felicidade que preenche

 

Bailarina menina

elegância em cena

alegria que aproxima

a sua presença é plena

 

Menina bailarina

passos de sutis leveza

é luz que ilumina

transborda em beleza

 

Bailarina menina

seus gestos têm magia

brilha mais que a purpurina

sua dança contagia

 

Menina bailarina

balanço que irradia emoção

tu és graça divina

seu giro, um elegante turbilhão

 

Bailarina menina 

um sonho que encanta

sonho que não termina

suavidade que acalanta

 

SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

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MENTIROSA

MENTIROSA


Surgiu toda prosa
uma simples semente
botão de uma flor formosa
pequenina, tão inocente


Desabrocha, esplendorosa
uma princesa no jardim
imponente e graciosa
nunca se viu flor assim


Cresce, se porta toda dengosa
destrói corações pelos caminhos
fria, calculista, rainha maliciosa
a todos fere com seus espinhos


Uma criatura ardilosa
de ninguém tem pena
serpente sutil e silenciosa
finge tal qual artista em cena


Ser cruel, impiedosa
desconhece compaixão
uma vida falaciosa
ainda acaba na solidão


Chegará o tempo do armagedom
um dia termina a era gloriosa
faltar com a verdade foi o seu dom
rosa bela, bela e tão mentirosa


Suas pétalas já estarão danosas
secas, sem vida, com certeza
nada lembrará aquela rosa
será lixo para a natureza,


SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

 

 

 

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SOBRE TUDO

SOBRE TUDO

...sobre aquele beijo,

não fora ele o responsável

por tanto sentimento,

mas a sensação duradoura

ainda permanece entre

o tocar e o sentir dos

lábios umedecidos de desejos

 

separadas as bocas

a respiração ainda ofegante

marcam um instante

um silêncio,

duas vozes roucas

 

no solo,

repousam as roupas

num canto escondido,

os segredos

porta trancada,

escancara medos

 

uma sutil nudez

não traduz o tudo

se fora esta a primeira vez

dois corpos mudos,

ambiente vestido de mistérios

desafia a lei do pecado,

exala o perfume do adultério

 

o amor sublime

não habita o salão dos desejos

nem se satisfaz num mero gozo

ele é cúmplice de um instante que

se eterniza

 

a visão de um leito vistoso

desperta o erotismo

convida a dividir o mesmo espaço

nos leva a imaginar a mesma cena

nos instiga a praticar o prazeroso ato

até bater o cansaço

 

há desejo quando a vejo

o mesmo quando me vê,

suponho,

é um efeito em sintonia

realidade transformada em sonho

doação sem egoismo 

perfeita combinação

amor impregnado de erotismo...

 

Samuel De Leonardo (Tute)

 

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CAUSA

CAUSA

 

Fiz do amor

a razão do viver

do viver para ti

sem medir sacrifícios

me entreguei sem limites

só você me importava

esqueci de mim

tudo o que desejei

um dia chegou ao fim

 

Fiz da dor

o viver sem razão

um sofrer por ter

por ter sem possuir

um falso existir

vazio sem limites

companheira a solidão

noites em claro

como saldo a frustração

 

Fiz da saudade

minha verdade

da verdade

uma rima

da rima

um verso

do verso

um poema

do poema

o meu universo

 

Samuel De Leonardo (Tute)

 

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Código do texto: T8279929

 

 

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PRESENÇA

PRESENÇA

(Uma crônica cheia de saudade)

 

Minha homenagem àquela pessoa que, em um momento da vida, dividiu comigo emoções que permanecem vivas em minha memória,

 

Chegará um dia que, longe da correria do cotidiano, o seu coração baterá suavemente, como a brisa calma do entardecer,                        ocasião em que você tomará ciência que viver até agora valeu a pena, que as lembranças arquivadas são tesouros valiosos.

Os momentos felizes contigo compartilhados, as gargalhadas espontâneas e a cumplicidade dos nossos sorrisos juvenis,                            deixaram marcas profundas que ainda permanecem vivas na minha memória.

Coisas simples, talvez banais, que habitam o sótão das nossas lembranças podem aflorar: aquele caderno novinho                                    que prometemos um dia passar a limpo; o livro emprestado que em um canto foi esquecido; a "cola" estrategicamente                          escondida no dia da prova; os apelidos dados silenciosamente a cada um dos professores; o "X-miséria"                                                  (uma fatia de muçarela e mortadela com maionese no pãozinho) da cantina, fraternalmente dividido; bilhetinhos inocentes e          singelos para alguém interessante; entre outras "artes".

Então estarei presente em cada fato lembrado, aquecendo o seu coração, oferecendo confortoem cada aceno teu,                                    como nos dias em que estávamos juntos e falávamos dos nossos planos, e até de sonhos mirabolantes,                                                  carregados de ingenuidade, próprios da idade.

A minha amizade e o meu carinho por ti, nem o tempo e nem a distância foram capazes de apagar,  estiveram sempre                              em meus pensamentos, desejosos em te encontrar. Na verdade, eu nunca pensei que nos separamos e,                                                  que em algum momento, houve uma despedida.

Em meus devaneios estivemos esse tempo todo bem próximos um do outro, compartilhando as alegrias,                                                  somando as emoções, dividindo as frustrações.

Se um dia a saudade bater, faça como fiz por todo esse intervalo para suprir a ausência: feche os olhos,                                                  imagine e viaje nas lembranças, pois estarei dentro das nossas memórias que continuam vibrantes em meus pensamentos.

 

Samuel de Leonardo (Tute)

 

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SENTIMENTOS ÓCULTOS

SENTIMENTOS ÓCULTOS

 

Quando você quiser, pode me ligar,

passar uma mensagem, desde que sinta vontade,

não encare como se fosse um fardo,

pois entendo que não temos,

nem eu e nem você, tamanha obrigação.

 

Vez ou outra, me perco nos devaneios,

imaginano que estou recebendo uma ligação do teu aparelho,

assim, repentinamente, como um beija flor dando bicocas na flor,

tão ligeiro como suas asas, exaltando a natureza num gesto acrobático,

desafiando princípios de Newton.

 

Porém, sei que não posso exigir e

muito menos cobrar algo impossível de acontecer.

Não se sacrifique, não faça peripécias,

não precisa fingir que bate as asas tal qual o colibri cortejando a flor,

bem sei que não sabes voar, tampouco desejas me beijar.

Não invente um acontecimento comigo do qual nunca irá se realizar.

Mas se sentir vontade, vontade verdadeira,

não finja em me ignorar, é só me ligar...

(estarei sempre a esperar)

 

(Inspirado num texto de José Saramago)

 

 

Samuel De Leonardo (Tute)
 
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RESUMO

RESUMO

Todo dia é uma luta

difícil de superar

 

Minha cabeça pensa

Eu quero ir

minhas pernas não deixam

Eu quero abraçar

os braços já não alcançam

Eu quero falar

as palavras se embaraçam

Eu quero explicar

melhor eu me silenciar

Eu quero lá estar

não consigo chegar

Eu quero participar

há quem queira me ignorar

Eu quero me corrigir

da realidade não posso fugir

 

Eu gosto de viver, tanto, tanto

não posso perder o encanto

 

Meu corpo já não obedece

logo canso

Se canso é porque existo

se existo, eu não desisto

 

 

Samuel De Leonardo (Tute)
 
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SEMÁFORO

SEMÁFORO

O dia nem bem amanhece,

as luzes artificiais se rendem.

e lá está o petiz defendendo o seu

enquanto o cristão reza a sua prece,

o seu irmão padece

 

Bala de goma, senhora

ela sequer abaixa o vidro

engata a primeira e vai embora

O menino só quer vender,

ele não quer a tua esmola

 

No semáforo, a luz verde

não é esperança,

é a luta de uma criança,

o brilho amarelo pede atenção

no vermelho ele oferece

 

Automóveis param,

é feita a abordagem,

no retrovisor ele coloca o recado,

uma oferta, balas de hortelã

sem culpa paga o pecado

de um ser sem o amanhã

 

Mais um carro,

outros carros

vende pouco, quase nada

algumas moedas ele recebe,

por vezes, pontas de cigarros,

 

No veículo, confortável,

o motorista protegido

respira o ar condicionado,

visualiza, mas não enxerga

o garoto lá fora, sufocado

 

As três cores são constantes

farol que não descansa

faturamento tão distante

Tem mais respeito a faixa de pedestre,

muito mais que o invisível moleque

 

Sente fome,

passa frio,

enfrenta chuva,

toma sol,

brinca de contar,

conta quantas vezes pisca o farol

 

As horas passam ligeiro

o dia todo sem comida

o que fazer sem o dinheiro,

desafios de uma vida,

paga pecados que não cometeu

 

As estatísticas o classifica

abaixo da linha da pobreza

Enquanto as luzes mudam.

a sociedade o ignora,

seu destino é a incerteza

 

O semáforo dita o ritmo

pare, atenção, agora siga,

adiante circulam os automóveis

o pivete defende a vida,

governantes não se comovem

 

A luz natural se recolhe, aos poucos se vai, logo cede

em seu lugar brilham as LEDs

Na esquina do farol o guri

não conhece o seu passado,

o presente é ausente.

seu futuro, claro, é escuro.

 

SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

 

 

 

 

 

Samuel De Leonardo (Tute)
 
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SINISTRO

SINISTRO

 

Terrível noite silenciosa

A insônia se faz presente

Na cabeça ideias ociosas

Alma vazia, coração carente.

 

Lá fora, a rua deserta

O silêncio é quebrado

Um alarme logo desperta

Mais um coração roubado.

 

No frio do rude asfalto

O sentimento é invadido

Vítima de um assalto

Refém de um coração bandido.

 

Anúncio de mais um furto

Madrugada se arrasta

O pensamento em surto

A solidão é madrasta.

 

O coração não resiste

Mais um roubo constatado

O Sentimento persiste

Seguro não cobre o estrago.

 

Amanhece, aberta a janela

Contabilizado os prejuízos

Enquanto pensava nela

Momentos foram perdidos.

 

Seguro de vida é um ardil

Não garante o que é fatal

Nem preenche o vazio

Vida sem um amor é perda total.

 

 SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)

 

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ANDARALHO

ANDARALHO

 

Andei por avenidas e estradas

entre ônibus, carros e caminhões.

Caminhei até onde foi possível

sufocando meus pulmões,

respirando fumaça de óleo diesel.

 

Voei sobre nuvens de algodões

mesmo com medo das alturas

olhando pelas janelas dos aviões.

Vivi grandes aventuras

entre passarinhos e passarinhões.

 

Naveguei sobre águas turbulentas

com muito medo de me afogar.

Enfrentei tempestades e tormentas.

de navio, de barco e até canoa,

sem saber nadar, numa boa.

 

Cavalguei no lombo de cavalos,

pedalei e andei a pé

suportei tudo, até os calos

Cada passo me aumentava a fé.

Fui de carroça, e de trem,

não devo nada a ninguém.

 

Pisei em areia, terra e asfalto

tropecei em pedras e cascalhos

fui descalço, com tênis ou sapato

Corri mundo, cruzei atalhos,

fugi de gente ruim e de espantalhos.

 

Marchei na trincheira da esperança,

engoli cobras, sapos e poeiras,

nutrido pela perseverança.

Ignorei pessoas traiçoeiras,

as desprezei sem segredos

Dormi tarde, acordei cedo.

 

Pulei cercas, muros e cancelas

esbarrei em gatos, corri de cachorros

Respeitei putas e donzelas

subi ladeiras e desci morros.

Tudo o que fiz exigiu cautela.

 

Passei frio, passei calor.

De joelhos pedi força e vigor,

também contei com a sorte.

Superei obstáculos e a dor,

estas histórias me tornaram forte.

 

Hoje quero descanso e sossego

Não importa se fiz certo ou errado,

tive coragem, venci o medo.

Agora estou aposentado,

depois de tanta luta e trabalho.

 

Sou ou não sou um sujeito do andaralho?

 
 
Samuel De Leonardo (Tute)
 
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JEITINHO  

JEITINHO

 

O seu jeitinho de se ajeitar mexe com a cabeça do sujeito

Preciso dar um jeito no seu jeito de me agitar

Por ti sou capaz de tudo, a tudo me sujeitar

Já nem sei direito se tenho direitos sobre seu modo de ajeitar

Contudo, acho justo a gente se juntar, já que quero tanto contigo me agitar

Fico até sem jeito de querer ficar ao seu lado e fazer tudo direito

Sempre acreditei que o sujeito para conquistar o seu jeitinho tem que se ajustar

Se eu fizer tudo direito, consigo me ajustar, você precisa me ajudar

Acredite em mim, sou um sujeito que tem jeito para juntos nos ajeitar.

Quero contigo viver juntinho, é só uma questão de você me ajudar,

Dê uma chance, as coisas se ajeitam, do jeitinho que você quiser

 

 

Samuel De Leonardo (Tute)
 
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AMOR PRIMEIRO

AMOR PRIMEIRO

Era um garoto ainda,
na flor da idade
Eu via passar aquela menina
toda faceira, sempre à tarde

A calçada era toda dela
pisava com elegância
Desfilava, dona da passarela
e eu ficando na esperança

Desde a primeira vez que a vi
o seu jeitinho me enfeitiçou
Algo de diferente eu senti
uma sensação que atiçou

Era ela a dona da calçada
eu no silêncio acanhado
vivendo uma situação delicada
olhando da calçada, do outro lado

Ali nascia o primeiro amor
amor primeiro, platônico
sentimento devastador
um caso histórico, icônico

Tardes se foram juntas com ela
não sei o que houve
com a minha donzela, 
seu nome sequer eu soube

Após anos, passei por ali
desejei que ela passasse
Fechei os olhos e a senti,
queria que o tempo parasse

Era um garoto ainda
descobrindo a realidade 
nunca mais vi a menina 
tardes se foram, ficou a saudade

Samuel de Leonardo (Tute)

Saiba mais…

INQUIETUDE

INQUIETUDE


O  mundo é uma roda gigante,
se movimenta sem se deslocar.
Gira, gira e gira a todo instante,
permanece no mesmo lugar

Minha cabeça é um pensar constante,
se movimenta sem sair do lugar
Pensa, pensa e pensa, incessante,
mesmo estática, viaja sem parar

É uma inquietação que inunda,
que perturba o espírito e a alma.
Provoca ansiedade profunda,
êxtase que não se acalma

Um estado de querer saber,
o conhecimento carece ser lapidado
preciso logo tudo conhecer
tanta informação exige cuidado

Mas uma questão foge de mim,
uma resposta eu mereço
Todo começo terá um fim?
E todo fim, teve um começo?

Esta equação merece atitude
pode ser um não ou um sim
reconheço, é muita inquietude
mas a solução não é tão simples assim


Samuel de Leonardo (Tute)

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NOSTALGICA MENTE

NOSTALGICA
MENTE

A lua perdeu o seu encanto
O encanto atirou a lua num canto

A lua, há muito a rua não ilumina
Pela rua já não passeia aquela menina

Muros altos ocultam os jardins
As flores escondidas, agora é triste assim

Já não se ouve falar em flor arrancada
Obra do menino para ofertar à namorada

A rosa já não tem o mesmo perfume
Que despertava na menina um certo ciúme

Canções já não exprimem sentimentos
Músicas românticas se foram com os ventos

Os encontros aceleravam o coração
Inocentes eram as despedidas no portão

Cuidados cada movimento exigia
Com certeza, tinham os pais de vigia

Beijo na boca tinha um doce sabor
A gente sentia tudo, sentia até calor

Nenhuma carícia plena era aceita
Pois sempre havia alguém à espreita

A gente tinha na carteira o retrato dela
Com soberba exibiamos a menina mais bela

Era uma delícia estar ao seu lado
Orgulhoso por ser o seu namorado

Já não se escrevem ingênuos bilhetinhos
Nem têm mais amassos nos cantinhos

Agora, lâmpadas iluminam os caminhos
Saudade de namorar no escurinho

A roda de amigos era gigante
Felicidade, então, parecia que era constante

A pipoca era deliciosa, mesmo que não fosse 
Ah, o algodão, tinha algo de especial no seu doce

Era gostoso com dois canudos repartir refrigerantes
Nada será tão bom como fora antes

Os segredos ficavam em quatro paredes
Atualmente, piscou, ja estão nas redes

Para a conquista tinha o flerte casual
Agora é tudo na base do virtual

Para o primeiro beijo a gente esperava uma semana
Hoje, antes do beijo vem a cama

Talvez esteja ficando uma pessoa saudosista e antiquada
Mas aquela menina sempre será a minha eterna namorada

Pena que a felicidade passa tão de repente
Aínda tenho tudo arquivado na minha
nostalgica mente



Samuel de Leonardo (Tute)

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