Posts de Wanderson Silva Reis (12)

Classificar por

O Teatro da Humildade

Que cada máscara caia, cada mentira se dissolva, e a verdade floresça.

 

 

 

Finges bondade, proclamas humildade,

Mas teus olhos denunciam soberba.

O coração se inflama em falsa majestade,

No fundo é treva, pequena centelha.

 

Pintaste a face com brilho de ouro,

Mas o tempo descasca o metal.

Vestiste mil máscaras no teu teatro,

E esqueceste o teu rosto real.

 

Aquele que vive somente de aplausos,

É o mesmo que morre de silêncio.

Tantos rostos cercaram teu claustro,

Prisão de ti mesmo, castigo profundo.

 

O mundo aplaude discursos brilhantes,

Mas cala diante do gesto sincero.

A hipocrisia não vive em instantes,

É teatro longo, cruel e severo.

 

Aquele simples é sempiterno, 

Porque não precisa de plateia.

Não compete por seu inferno,

Mas, no mundo, traça sua odisseia.

 

Palco do mundo, teatro de vaidade,

Eles aplaudem quem mais brilha no disfarce.

Mas a verdade não se curva à falsidade,

E o tempo expõe o que cada um esconde no peito.

 

Mais vale a raiz que floresce no escuro

Que mil discursos que se perderem no vento.

O mundo esquece os falsos brilhos,

Mas lembra do que é genuíno e puro.

 

Hipocrisia é fumaça que se esvai,

Torres de areia que o vento derruba.

Quem veste máscara cedo cai,

Mas o simples é sol que nunca recua.

 

O falso grita e some no tempo,

A verdade floresce, imortal, sem luto.

E na chama da alma, puro e lento,

O real se impõe: eterno absoluto.

 

 

O teatro termina — a alma verdadeira permanece.

Saiba mais…

Vivendo Memórias

Dedicatória: Para você, que habita meus versos mesmo sem saber, que transforma silêncio em canção e riso em abrigo, que faz do amor uma chama que queima, ilumina e fortalece, e que prova, a cada instante, que os corações verdadeiros não se medem, não se cansam, não se apagam.

Que cada toque seja memória, cada olhar seja poema, e que mesmo nos espaços mais escuros da vida, sempre haja luz para nos conectar ao que somos de verdade.

 

 

Poema

 

 

Há quem diga que o encanto passa,

Mas no teu riso a vida floresce;

O início volta quando me abraça —

É primeira vez quando me aquece.

 

O amor não é fogo só no começo,

No teu olhar, encontro brasas vivas;

E cada instante, por menor que pareça,

Ainda me acende como chama que não se cansa.

 

Nosso viver não se guarda em retrato,

Mora nos gestos que ainda me inspiram;

E mesmo depois de tantos atos,

Teu beijo é novidade que nunca expira.

 

Logo eu que não sei o compasso,

Vejo em ti o acerto de cada passo;

E até na dor que às vezes aparece,

Teu amor que me fortalece.

 

O teu amor é incêndio e brisa ao mesmo tempo,

É lembrar e descobrir, é presente que se faz eterno.

Nos teus braços, cada instante explode em firmamento,

E o amor, que se renova, transforma-se em fogo terno.

 

Até o nosso silêncio é canto de mar,

Cada gesto que vibra e me atravessa inteiro;

Não há começo ou fim — só o agora a nos guiar,

E cada beijo é memória viva, desejo verdadeiro.

 

E quando penso que já conheço cada curva,

Surge uma surpresa no teu riso, no teu olhar,

Algo que me faz perder o chão, que me afunda;

No prazer de existir contigo, sem regras, sem moldes.

O tempo se esgarça, se dobra, e nós,

Rimos das horas, desafiamo-nos a cada toque.

 

A intensidade cresce, e não há limites

Para este amor que me atravessa, me consome;

Que arde nas veias e sussurra verdades

Que jamais caberiam em qualquer poesia formal.

E no teu abraço, sinto o mundo inteiro —

E ainda assim é só o nosso mundo, só nosso instante.

 

Não há mais passos certos,

Só a dança febril do sentir...

A respiração que se perde e se encontra...

O toque que inventa mundos, o beijo que destrói o silêncio.

Amor que sangra, que voa, que se entrega

Com ferocidade e ternura, sem pedir licença.

 

E aqui estamos, no ápice, no clímax da vida,

Onde cada lágrima é canto, cada suspiro é eternidade,

Onde amar é verbo, é fogo, é mar,

É tudo que fomos e ainda seremos.

O amor — esse que não cessa, não se mede,

Queima e aquece, destrói e cura,

E mesmo no fim do poema, no fim do mundo,

Ainda assim: nos teus braços, renasço.

Saiba mais…

Rugas Que Ainda Não Tenho

Dedicatória: Para todos que caminham com o tempo, que carregam cicatrizes e sorrisos, que ousam errar e persistir. Este poema é para vocês — para que vejam nas rugas não o peso, mas a grandeza de terem vivido.

 

Poema

 

 

O relógio não pede licença,

mas sempre cobra presença.

Havia paisagens na estrada

que perdi na pressa.

 

A juventude é hóspede breve:

chega, marca e não se despede.

Quando percebi, minha voz era vento...

e os anos, meu único alento.

 

Cada escolha, um tijolo —

ergui becos e também caminhos.

Semeei, apressado o futuro,

e colhi flores em desertos.

 

O olhar deles é roupa apertada,

retratam meu futuro nos erros.

No espelho, só vi a casca,

ninguém ousou ler meu avesso.

 

Quem envelhece, é sobrevivente

do naufrágio que levou muitos.

Cada ruga é medalha sem brilho,

mas lesa como vitória na pele.

 

A vida é o intervalo breve

entre o primeiro choro e o último silêncio.

Quem envelhece não perdeu o jogo,

apenas provou que soube permanecer.

Saiba mais…

O Silêncio É Meu Carcereiro

Dedicatória: Mensagem para os aprisionados em si mesmo que podem se destrancar a qualquer momento.

 

Poema

 

Fechei a porta antes de baterem.
O medo vestiu a minha pele,
Rasgando o pouco que me deram,
Fiz da angústia meu abrigo.

 

Levantei tantos muros
Com palavras nunca ditas,
Tantas linhas apagadas,
Que até minha sombra me deixou no escuro.

 

Meu eco inventa rostos antigos,
Mãos estendidas ao meu naufrágio.
Mas de que adianta tê-los comigo,
Se de mim sou nau à deriva?

 

Quanto mais me guardo, mais me perco,
E a luz me fere mais que a noite.
Sorrir tornou-se um gesto esquecido,
Carrego a dor como quem carrega um açoite.

 

Descobri que não são as grades que me prendem.
Sou eu,
Fechando a fechadura
Com a chave na minha mão.

 

Mas agora,
com a chave queimando na minha mão,
eu penso…
talvez, um dia,
eu tenha coragem de girá-la...

Saiba mais…

O Peso De Ser Forte Demais

Dedicatória: Aos que buscam paz consigo mesmos, com suas mentes em imenso furor e, ao mesmo tempo, sem norte. —Que não sabem quando agradam, nem quando se agradam.

 

POEMA

 

 

Um dia, meu corpo cairá,

Por não suportar o peso.

E então, quem entenderá?

Como voltar para o início?

 

Eles choram em meus ombros,

E, suportar, se tornou prisão.

A quem eu entrego meu choro?

O ombro deles é uma ilusão.

 

Incontáveis os que me buscam,

Sejam os abstratos ou reais.

E as emoções me cobrem,

Como armadura forjada em dores letais.

 

Autoenganação ao pensar:

“Serei forte, não irei cair.”

Não ligam para meu bem-estar,

E o socorro não posso pedir.

 

A queda dum forte assusta

Mais que sua própria dor.

Por dor, já não somente externa,

Mas por não sentir um calor.

 

Liberta e cala teu pranto,

Desta grande prisão sem um fim.

Força não é ser de ferro,

É seguir, sem medo do que vir.

 

“Onde está minha esperança?”

“Nos abraços, ou em mim mesmo?

Ergui-me, não para ser pedra,

Mas ponte para o caminho dos outros.

 

Teu sofrer fez-se teu saber.

E teu anseio há de te erguer.

Saiba que forte também cansa,

Que no descanso, há esperança.

 

“Eu só queria um abraço”

“Só fica comigo um minuto…”

Cansado de salvar o mundo,

De ser tratado como vulto.

 

Você não escolheu ser forte.

Você deve confiar no seu íntimo.

Se você me entende, você já sabe:

Forte também sangra — mas em silêncio.

 

E do sangue que caiu,

Brotou um jardim onde outros descansam.

Fui terra ferida e sombria,

Mas floresci na dor que me alcança.

 

 

Só tô dizendo isso

Porque talvez você entenda…

E se eu cair um dia,

Que seja nos braços

De quem já caiu.

 

Autoria: W. S

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiba mais…

Cartas Que Nunca Mandei

Dedicatória: para aqueles que se arrependem das escolhas não feitas — e precisam lembrar que o rascunho é só o início da obra-prima.

 

Poema

 

“Quem eu tenho sido?”

“Quem sou e quem serei?”

E há algo que ainda lapido:

“Quem quero ser? Como começarei?"

 

Me perdi dentro do íntimo,

Afastei as minhas vontades.

Me pergunto no externo:

“Tenho apenas duas metades?”

 

Solto as perguntas que escondi,

Peço perdão por ter me esquecido:

As cartas que eu nunca mandei

Foram seladas por promessas que quebrei.

 

As súplicas que eu calei

Fazem eco dentro de mim.

Feridas que ninguém vê

Ainda ressoam: “por que foi assim?”

 

Eu as prendi por medo ou covardia?

Cansa mais que carregar pedra.

Mas me enrolei em mil desculpas

Pra não ter que lidar com a queda.

 

“Ó, quantas vezes me critico?”

“Quantas vezes torço por mim?”

Mesmo com fardos passados,

Sigo em frente, mesmo a sós com meu porvir.

 

Queria ter me visto antes,

Com olhos mais gentis e reais.

Dei demais ao mundo alheio,

E pouco a mim, em dias iguais.

 

Não dá pra voltar, mas não é o fim,

Pois essas cartas são parte de mim.

Ainda que não lidas, moldam meu ser,

Sigo em frente, com alento para viver.

 

Talvez eu nunca envie

As cartas que engoli a seco.

Cada passo me costura em silêncio,

Enquanto o mundo segue alheio.

 

Aqui, deixo os arrependimentos,

Os traumas e visões falhas.

Não sou só o que pedi,

Sou tudo aquilo que escolho plantar.

 

Sinta o alívio esquentar o peito,

Como, quando exausto, lê um soneto.

Está tudo bem em desejar sentir.

Está tudo bem em desejar seguir.

 

Chegou até aqui? Então sabe:

Essa poesia tem seu nome oculto.

Não são só confissões de um desabe,

Mas o reflexo do teu eco mais calado.

Saiba mais…

Mil Ambientes Em Um Só Lugar

Dedicatória: Aos apaixonados, aos sonhadores, aos que vivem com o coração à flor da pele — e aos que, como eu, encontram abrigo nas palavras. Que a leitura te faça sentir, lembrar e amar.

 

Poema

 

 

Por onde vou, tua presença habita,

Em cada olhar, recebo a tua luz.

Mas minha mente, fria, me limita:

“Será miragem o que agora reluz?”

 

No cinema, tu és o próprio enredo.

Na livraria, és o verso que me guia.

Em sonho, teu rosto é meu segredo.

Em Roma, és mármore e poesia.

 

No avião, tu és o meu céu,

És nuvem, sol e ar vibrante.

Sinto em mim um réu cruel

Da paisagem e o que vem adiante.

 

Admirando o lindo pôr do sol,

Até que a lua mostre sua cara.

Me vejo ao teu lado, em prol,

Por ventura, da noite estrelada.

 

Estudando, é melhor contigo.

Tenho toda resposta sobre você.

Ao final, disfarço o meu fascínio,

Gostaria de repetir teu bem querer.

 

No silêncio, te escuto em pensamento,

Na tristeza, és o alento que me embala.

Se eu cair, por fim, em esquecimento,

Tu és a prece, que minh’alma fala

 

Em meu tato, tenho tuas digitais,

E em meu íntimo, ouço tua voz.

Tu habitas meus sonhos mais vitais,

E acordado, és tudo o que há em nós.

 

Cada gesto meu guarda teus sinais,

Como um eco que nunca se desfaz.

Te pressinto em silêncios viscerais,

No instante que o mundo jaz em paz.

 

Subi morros e campos floridos,

Onde a beleza floresce e inspira.

À busca de teu lume escondido

Na preciosa pedra de safira.

 

Caminhei por desertos e mares,

Cada passo clamando teu nome.

Em grutas ecoam meus altares,

Pois teu silêncio também consome.

 

Exploro o espaço, em uma nave,

E não há a estrela que almejo.

Tu és única, na amplidão mais suave,

O infinito te tem como desejo.

 

Ainda que o tempo apague minha face,

E o mundo pisar meu nome no chão,

Que em ti viva, em alguma frase,

O sagrado eco do meu coração.

 

Ó, dama, seja minha eternamente,

E sacies minha sede em tua carícia.

Sem ti, a solidão se torna iminente,

A visão embaça e eu vejo faísca.

 

Meu sangue corre em tua sintonia,

Quando tua voz ressoa em meu peito.

Tu me deste partitura da alegria,

E, ao tocá-la, encontro meu sentido.

 

Como posso escapar desta ambição,

Ao ver-te em tudo quanto existe?

És o segredo da minha composição,

E teu rosto em meu coração reside.

 

Senhor, guarda este amor que me transborda,

Nele habita a paz que me consola.

Se for um sonho, deixe que me acorde

Só quando ao lado dela eu deito a aurora.

 

Dama, tu és meu ambiente ordinário,

Onde tenho prazer em me aventurar.

Troque o “comum” por algo mágico,

Seja meu rumo, meu lar, meu lugar.

Saiba mais…

Para Quem Partiu e Para Quem Ficou

Dedicatória: em homenagem a quem partiu… e a todos que amaram tanto, que a ausência virou saudade eterna.

 

 

 

A xícara ainda está no lugar de sempre,

Mas o café já não aquece como antes…

Há um silêncio sentado à mesa,

E ninguém ousa pedir que ele se levante.

 

No escuro, eu converso contigo,

Mesmo sabendo que o silêncio responde.

Pois tu também mora em meu íntimo,

E tua ausência riscou o meu semblante.

 

A vida nos leva sem pedir licença,

Só leva, e nos deixa com metade.

Agora o tempo também nos ensina

A amar — mesmo na saudade.

 

Ainda ouço teus passos na memória,

E reacende o tempo de outrora.

A porta que se abria pra tua chegada,

Agora range… como quem chora.

 

Às vezes, eu ainda me pego

Colocando dois pratos na mesa.

E penso comigo, em silêncio:

“Tu merecidas cada gesto de delicadeza”.

 

As lágrimas que hoje caem são semente

De tudo que em ti foi amor de verdade.

E quem é amado, mesmo ausente,

Nunca se perde… só vira eternidade.

Saiba mais…

Amar Você Me Dói Todo Dia

Dedicatória: Nem todo amor se constrói. Alguns… apenas consomem. A estes — este poema.

 


Te amar me dói todo dia,
É viver à beira da esperança,
Quando o amor já não guia,
Só resta a dor da lembrança.

 

Preso a nós desatados,
Entre continuar, ou fugir,
Será que ambos estão cansados,
Do ciclo que insiste em iludir?

 

Meu peito jaz como a vela,
Que apagou, só cera fria,
Que outrora iluminava a treva,
E agora se derrete em agonia.

 

Te amar virou meu castigo
Um hábito que me consome.
Como o vício em um veneno,
Que afaga e ao mesmo tempo some.

 

Quero me livrar das lágrimas,
Como alguém que vence o vício,
Você não sentirá a ausência,
Julgue-me — sempre foi fácil.

 

De mala pronta, como quem partia,
E descubro, no meu silêncio:
Não era eu quem você queria,
Mas é você quem eu quero.

 

Me indago com grande angústia:
“Sou só desejo… e nada mais?”
Por ti, mudei minha química,
Com o peito entregue à dor que traz.

 

Eu te contei cada injúria,
Seguida de uma lágrima importuna.
Mas quando encaro teu pranto,
Fraquejo, e de novo te aceito.

 

Rogo à minha mente que te mate,
Para que eu encontre paz, enfim.
Existe cura para tal desgaste?
Para as feridas dentro de mim?

 

Tua mente imatura se conforma,
Com tão pouco, já se acomoda.
Às vezes, até me dizes que me ama,
Mas isso não me faz sentir amado.

 

Já não sou mais quem te esperou,
Nem o que um dia sonhou.
Sou só os cacos de um homem,
Que teu silêncio moldou.

 

Te amar me dói todo dia…
Ferida em minha alma que esvazia
Toda esperança que lá havia,
Tornando impuro o sabor da vida.

 

Me abrasam cada vez mais
Cada faísca que você me traz,
Incendiando, com gesto mordaz,
A flora que em meu peito habita.

 

Hoje, do que fui, só cacos.
Do que sonhei, só cinzas.
Te amar me dói todo dia...
E amanhã, só restarão feridas.

Saiba mais…

Entre a Coragem e o Medo

Dedicatória: para aqueles que se arrependem das escolhas não feitas — e precisam lembrar que o rascunho é só o início da obra-prima.

 

Poema

 

 

“Quem eu tenho sido?”

“Quem sou e quem serei?”

E há algo que ainda lapido:

“Quem quero ser? Como começarei?”

 

Me perdi dentro do íntimo,

Afastei as minhas vontades.

Me pergunto no externo:

“Tenho apenas duas metades?”

 

Solto as perguntas que escondi,

Peço perdão por ter me esquecido:

As cartas que eu nunca mandei

Foram seladas por promessas que quebrei.

 

As súplicas que eu calei

Fazem eco dentro de mim.

Feridas que ninguém vê

Ainda ressoam: “por que foi assim?”

 

Eu as prendi por medo ou covardia?

Cansa mais que carregar pedra.

Mas me enrolei em mil desculpas

Pra não ter que lidar com a queda.

 

“Ó, quantas vezes me critico?”

“Quantas vezes torço por mim?”

Mesmo com fardos passados,

Sigo em frente, mesmo a sós com meu porvir.

 

Queria ter me visto antes,

Com olhos mais gentis e reais.

Dei demais ao mundo alheio,

E pouco a mim, em dias iguais.

 

Não dá pra voltar, mas não é o fim,

Pois essas cartas são parte de mim.

Ainda que não lidas, moldam meu ser,

Sigo em frente, com alento para viver.

 

Talvez eu nunca envie

As cartas que engoli a seco.

Cada passo me costura em silêncio,

Enquanto o mundo segue alheio.

 

Aqui, deixo os arrependimentos,

Os traumas e visões falhas.

Não sou só o que pedi,

Sou tudo aquilo que escolho plantar.

 

Sinta o alívio esquentar o peito,

Como, quando exausto, lê um soneto.

Está tudo bem em desejar sentir.

Está tudo bem em desejar seguir.

 

Chegou até aqui? Então sabe:

Essa poesia tem seu nome oculto.

Não são só confissões de um desabe,

Mas o reflexo do teu eco mais calado.

Saiba mais…

Enquanto o Mundo Acaba, Eu Insisto

Dedicatória: Para os que continuam insistindo — mesmo quando o mundo desaba, o céu muda de cor e o futuro parece um eco sem resposta. Que essas palavras sirvam de abrigo, faísca e resistência.

 

Poema

 

 

Talvez eu só esteja cumprindo

A meta falida de um sonho extinto…

E sinto que não sou único,

Mas roteiro sendo repetido.

 

Não desejo ser uma cópia

De um corpo já enterrado.

Quero rascunhar meu rumo —

Se é que ainda há algo inédito.

 

Viver será a minha repulsa

Contra o mundo de amnésia.

Mesmo que o céu escureça,

Eu serei o incêndio na floresta.

 

Tenho medo de não poder ver

A doçura desse azul celeste,

O mundo o tinge de vermelho —

Tornando o azul em arte rupestre.

 

“Será que há algo novo no amor?”

“Quantas lágrimas eu irei derramar?”

Quero ter uma vida com furor,

Não já escrita, nem à carimbar.

Viver o meu, não o que herdaram.

 

O mundo avança com tecnologia,

E o ser humano em analogia.

Dependem da criação. Cegos!

Tolos movidos por conta do ego.

Aqui jaz o mundo diante tal tirania.

 

Sou faísca que o progresso não apagou,

E mesmo o tempo não me fez poeira.

Não quero ser o que se relembrou,

Mas quero viver. Quero ser verdade.

 

Ainda que o mundo se acabe,

Mas sigo limpo, mesmo no fim sujo.

Essa história finda com desastre,

E no fim, meu nome não cabe no resto.

 

Deixo as palavras no memorado:

“Não me aplauda, futuro arruinado!”

Vivo e, por fim, nada me arrasa.

Posso me escrever em brasa.

 

Minhá'lma não cabia no mundo,

Em meio à tanta lúcida farsa.

Fui axioma, enquanto durou o teatro.

Sou a última voz — Legado deixado.

Saiba mais…

Roteiro em Mãos Alheias

Dedicatória: Para os marinheiros perdidos, cuja bússola aponta para vozes, não vontades, e precisam tomar seu leme e ir em direção à terra prometida.

 

Poema

 

Acordei em um enredo estranho,

Com falas e vontades já dadas.

Quando eu, ainda sendo gerado,

Fui moldado para andar sem alma.

 

Com o olhar preso ao espelho,

Espantado com essa desdita,

Pois hoje eu já não reconheço

O olhar que este corpo habita.

 

Agora a mente se questiona:

“Eu ando com meus passos,

Ou com planos já dados?”

E a dura verdade vem à tona.

 

Todos me dizem o que sonhar,

E então eu sigo sem perguntar.

Minha voz nunca foi recitada,

Porque o zíper sempre me cala.

 

Meu “eu” foi a sugestão não lida,

Mas agora eu escrevo minha fala.

E para que, enfim, eu seja real,

Deixo para o escravo um memorial.

 

Me demito do destino de aluguel,

Onde o preço por mim era infiel,

Serei meu, liberto das amarras,

E meus pés não serão suas pegadas.

 

Livre, já com o peso de escolher,

E um leve susto por existir,

Sem mapa ou rota para deter,

Mas, agora, silêncio para ouvir.

 

Céu, me aceite como criatura!

Criando o próprio caminho incerto,

Prefiro o risco da minha escolha,

Ao conforto do sonho encoberto.

 

Sou verbo sem sujeito imposto,

Hoje grito: não volto ao papel!

Por séculos serei o alvoroço

Da única tinta sem o pincel.

 

Agora, eu escrevo cada passo,

E minhas escolhas, meus versos.

Que seja incerto o meu destino,

Desde que seja só meu, e inteiro.

Saiba mais…
CPP