Que cada máscara caia, cada mentira se dissolva, e a verdade floresça.
Finges bondade, proclamas humildade,
Mas teus olhos denunciam soberba.
O coração se inflama em falsa majestade,
No fundo é treva, pequena centelha.
Pintaste a face com brilho de ouro,
Mas o tempo descasca o metal.
Vestiste mil máscaras no teu teatro,
E esqueceste o teu rosto real.
Aquele que vive somente de aplausos,
É o mesmo que morre de silêncio.
Tantos rostos cercaram teu claustro,
Prisão de ti mesmo, castigo profundo.
O mundo aplaude discursos brilhantes,
Mas cala diante do gesto sincero.
A hipocrisia não vive em instantes,
É teatro longo, cruel e severo.
Aquele simples é sempiterno,
Porque não precisa de plateia.
Não compete por seu inferno,
Mas, no mundo, traça sua odisseia.
Palco do mundo, teatro de vaidade,
Eles aplaudem quem mais brilha no disfarce.
Mas a verdade não se curva à falsidade,
E o tempo expõe o que cada um esconde no peito.
Mais vale a raiz que floresce no escuro
Que mil discursos que se perderem no vento.
O mundo esquece os falsos brilhos,
Mas lembra do que é genuíno e puro.
Hipocrisia é fumaça que se esvai,
Torres de areia que o vento derruba.
Quem veste máscara cedo cai,
Mas o simples é sol que nunca recua.
O falso grita e some no tempo,
A verdade floresce, imortal, sem luto.
E na chama da alma, puro e lento,
O real se impõe: eterno absoluto.
O teatro termina — a alma verdadeira permanece.