Posts de antonio domingos ferreira filho (2034)

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Minha Solidão

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MINHA SOLIDÃO

 

Minha solidão cultiva orquídeas no avesso do silêncio,

Ensina meus pensamentos a caminhar descalços,

E abre pequenas janelas nas paredes do abandono.

 

Quando a tristeza chega com seus sapatos de chumbo,

Sirvo-lhe uma taça de serenidade sem amargura,

E faço da resiliência uma bússola sem ponteiros.

 

Aprendi a habitar meus vazios sem perder a ternura.

 

A solidão não me aprisiona: devolve-me as chaves de mim.

 

Fim

A Domingos

10/02/2026

Versos incluídos no Dicionário Antonio Domingos 

Saiba mais…

Dia dos Professores

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Dia dos Professores

 

O Professor, nossa bússola do caminho,

Aquele que com giz escreve fonemas,

Escreve morfemas, escreve palavras,

Diz o que é único e plural,

Ensina as orações adjetivas com alma e calma.

 

O Professor, nosso ídolo natural,

Aquele que faz desenvolver um País,

Que transborda sentimentos e semeia saber,

Aquele que envida a cultura e também transmite

O conhecimento e a sabedoria oral que nos faz crescer.

 

O Pagé, o bom professor oral,

De todas as comunidades indígenas, um farol,

O Professor, nosso salva-vidas e amigo fiel,

Aquele que nos escuta e consola com ensino e afeto,

É o nosso remo e destino certo, que nos leva ao porto seguro do saber.

 

Fim

A Domingos 

15 de Outubro DIA DO PROFESSOR 

 

Saiba mais…

Estar Bem - As Vozes do Silêncio

 

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Estar Bem - As Vozes do Silêncio

 

Você ouviu bem as vozes do silêncio?

As vozes falaram sobre segredos,

Foram segredos de suas ações,

Confissões guardadas na intimidade da alma.

 

O silêncio abriu a boca da consciência,

E as palavras começaram a falar,

Sem pedir licença aos pensamentos,

Revelando o que a memória tentou ocultar.

 

Há versos insanos, antigos desenganos,

Reflexos de uma alma conturbada,

Que procura caminhos entre incertezas,

Enquanto a razão interroga os sentimentos.

 

Aprendi com os tombos nas calçadas,

Com os desníveis inesperados da vida,

Nem com as molas da magia posso andar

Sem conhecer o peso das minhas quedas.

 

Há uma coragem que nasce da fé,

Uma esperança que acredita na oração,

Mesmo quando a tristeza ocupa a casa

E o coração desconhece a serenidade.

 

Minha alma procura outros caminhos,

Entre os escombros de antigas certezas,

Descobre que nem toda perda é derrota,

Nem toda solidão significa abandono.

 

Estar bem não significa estar inteiro,

Nem esconder as cicatrizes da existência,

É compreender que os próprios fracassos

Também ensinam a difícil arte de viver.

 

E quando o silêncio pronunciar meu nome,

Escutarei suas palavras invisíveis,

Pois há uma sabedoria nas dores vividas

Que somente a consciência sabe traduzir.

 

AFORISMO

 

"Estar bem não é desconhecer as quedas, mas conservar a coragem de caminhar quando a própria alma ainda procura equilíbrio."

 

Fim

A Domingos

04 outubro 2025

Aforismo by Internet…

Saiba mais…

Não...

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Não 

 

Não, eu ouvi, dupliquei, silenciei o não 

Para que quero o pão falsa alimentação 

Não, eu ouvi, repeli, mas não venci o não 

Para que espero meu neném sem vintém 

Não, repeti em lágrimas, a você meu bem

Para que respiro oxigênio se sempre refém 

 

E no vão a luz fina do sol penetra sem não 

Para que se reduz o sabão em pó enfim 

E o cão produz clima de pêlos pelo chão 

Para se que perdiz babão um só com fim

E o climão do limão raspado no plantão 

Para que tantos não se não tenho o sim

 

Fim

A Domin

gos 

08/10/2026

 

 

Saiba mais…

Pedrinho e as Orelhas Escutam o mundo

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PEDRINHO E AS ORELHAS ESCUTAM O MUNDO

 

Pedrinho tinha doze anos e todas as manhãs caminhava para a escola acompanhado pela avó, Dona Zulmira, uma senhora viúva de cabelos muito brancos e coração acolhedor.

Estudava na Escola Estadual José Veiga e gostava de Matemática, Ciências e, principalmente, das aulas em que podia inventar histórias.

Pedrinho também vivia uma questão muito íntima, que nem sempre conseguia explicar em palavras. Experimentava sentimentos relacionados à incongruência de gênero e, aos poucos, procurava compreender a própria identidade.

Em casa, encontrava um ambiente discreto e cuidadoso. Seu pai, Fernando, e sua mãe, Dora, sabiam que educar também significava aprender sobre aquilo que ainda não compreendiam inteiramente.

Pedrinho tinha bonecas entre seus brinquedos e roupas tradicionalmente associadas tanto a meninos quanto a meninas. A família não transformava essas preferências em assunto permanente. Procurava conduzir o cotidiano com naturalidade, sem interrogatórios nem constrangimentos.

Fernando e Dora buscavam orientação e acompanhamento de profissionais de saúde mental para compreender melhor o que o filho vivenciava e para aprender como acolhê-lo durante seu desenvolvimento.

Dona Zulmira tinha uma sabedoria mais simples. Para ela, antes de qualquer explicação, estava o neto.

- Criança precisa de amor para descobrir o tamanho do mundo … costumava dizer.

Mas havia outra característica de Pedrinho que transformava o recreio num momento desagradável: ele tinha orelhas de abano, bastante proeminentes.

- Lá vem o Orelhudo! - gritavam alguns meninos.

Gonçalo, aluno agitado e provocador, quase sempre comandava as brincadeiras.

Pedrinho fingia não ouvir, mas cada palavra parecia uma pedrinha colocada dentro de sua mochila.

Dora percebeu a tristeza do filho e procurou a direção da escola.

Dona Madalena, a diretora, ouviu atentamente o relato e prometeu tomar providências. Para ela, nenhuma característica física, familiar ou pessoal poderia servir de justificativa para humilhar um estudante.

Naquela semana, visitou todas as salas e leu um comunicado:

COMUNICADO AOS ALUNOS

 

“Bullying é uma agressão repetida, praticada por palavras, apelidos, ameaças, humilhações ou atitudes destinadas a ferir outra pessoa. Chamar um colega de ‘Orelhudo’ por causa de suas características físicas é bullying. Zombar de alguém por ser baixo, alto, magro, gordo, por sua maneira de falar, vestir-se ou comportar-se também pode constituir uma forma de agressão.

Cada pessoa possui características próprias e merece respeito. Nenhum estudante deve ser humilhado por ser diferente daquilo que outro considera comum.

Nossa escola deve ser um lugar de aprendizagem, amizade e segurança. Empatia significa reconhecer que o outro também sente tristeza, medo, vergonha e alegria.

Os casos de bullying serão apurados pela direção e estarão sujeitos às medidas disciplinares previstas pelas normas escolares, inclusive suspensão.

Pedimos aos alunos de todas as turmas um comportamento humano, solidário e respeitoso. Conviver é também aprender a respeitar as diferenças.”

Durante trinta dias, ninguém incomodou Pedrinho.

Até que Gonçalo voltou a provocá-lo de maneira acintosa.

Dessa vez, a direção aplicou-lhe uma suspensão de uma semana.

Quando retornou, Gonçalo permaneceu tranquilo durante algum tempo, mas, cerca de um mês depois, descobriu outra característica física de Pedrinho para transformar em motivo de zombaria.

As mãos do menino eram pequenas, especialmente quando comparadas às suas orelhas proeminentes.

- Mãozinha de anão! Mãozinha de mulherzinha! -provocou Gonçalo diante dos colegas.

Pedrinho baixou os olhos e fechou as pequenas mãos, como se pudesse escondê-las do mundo.

A expressão “mulherzinha” machucou de maneira especial. Gonçalo não conhecia a intimidade da família de Pedrinho, mas aquela palavra atingiu justamente uma região de sentimentos que o menino ainda estava aprendendo a compreender.

Gonçalo recebeu nova suspensão, dessa vez por duas semanas.

Dona Madalena percebeu que punições, sozinhas, não estavam modificando aquele comportamento.

O comportamento repetido pode criar o hábito … e um hábito ruim precisa ser interrompido antes que machuque ainda mais alguém.

Pedrinho continuou seu acompanhamento psicológico. Ali encontrava um espaço seguro para falar sobre o medo da escola, as provocações dos colegas, seu corpo, suas roupas, seus brinquedos e as dúvidas que carregava.

Fernando e Dora também aprendiam. Compreenderam que proteger o filho não significava decidir antecipadamente quem ele deveria ser, mas oferecer segurança para que pudesse crescer e se conhecer.

O que Pedrinho vivia dentro de casa, entretanto, pertencia à sua intimidade. Nada disso retirava da escola a responsabilidade de protegê-lo contra humilhações e agressões.

Algum tempo depois, Gonçalo voltou a humilhá-lo pela terceira vez, numa brincadeira cruel diante de vários estudantes.

A direção chamou seus pais e, após ouvir testemunhas e o próprio Gonçalo, decidiu pelo seu desligamento da escola, conforme as normas aplicáveis.

Os pais ficaram revoltados no primeiro momento, mas o menino confessou o que havia feito e eles compreenderam a gravidade da situação.

Naquela tarde, Pedrinho voltou para casa de mãos dadas com Dona Zulmira.

… Vó, será que minhas orelhas são mesmo grandes demais?

Ela sorriu, ajeitou-lhe os cabelos e respondeu:

-Talvez sejam grandes o bastante para você aprender a escutar o mundo melhor do que muita gente.

Pedrinho olhou para suas mãos pequenas.

Dona Zulmira apertou uma delas e completou:

 

- E nunca deixe ninguém escolher por você o tamanho do seu coração.

Pedrinho sorriu.

 

Suas pequenas mãos eram grandes o suficiente para segurar a mão da avó.

E naquele caminho de volta para casa ele começou a compreender uma coisa que nenhum apelido poderia mudar:

cada criança tem o direito de crescer descobrindo quem é, sem precisar ter medo de ser quem ainda está aprendendo a ser e ter sua cidadania…

 

Fim

A Domingos 

19 de setembro de 2025

Saiba mais…

 

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SENTIMENTOS NEGATIVOS, COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS

 

É difícil compreender certas mudanças,

Houve uma queda acentuada por estas paragens,

Onde antes conviviam respeito e gentileza,

Hoje o silêncio parece ocupar as paisagens.

 

Já não são neutras as nossas relações,

Nem sempre os gestos encontram reciprocidade.

Escrevemos sobre o amor e suas emoções,

Mas esquecemos a prática da cordialidade.

 

Por um pedaço de pão sem manteiga,

Por uns versos viciados, repetidos à exaustão,

A escuridão continua rimando com solidão,

A dor insiste em procurar o amor,

E a esperança, algum abrigo na fé.

 

Meu pirão primeiro, pouca farinha!

Será essa a nova receita da convivência?

Cada qual defendendo a própria poesia,

Como se elogiar o outro fosse penitência?

 

Uma palavra cabe em bilhões de poesias,

Mas não deveria servir sempre ao mesmo vício.

Pesquisar também é ofício do escritor,

E reconhecer o talento alheio, um belo exercício.

 

Parece mentira que aquele pouco respeito,

Ainda que por vezes apenas pro forma,

Tenha perdido seu antigo endereço,

Sem despedida, sem aviso, sem norma.

 

Diante da mais bela criação, silenciamos.

Nem um olhar, nem um gesto de admiração.

Quem recebeu aplausos também se cala,

Esquecendo as mãos que fizeram a ocasião.

 

Onde foram parar os cumprimentos?

Os parabéns aos primeiros colocados?

E aos demais, igualmente merecedores,

Que ofereceram seus versos delicados?

 

Não existem concursos sem participantes,

Nem vencedores sem os demais concorrentes.

Uma classificação distingue resultados,

Jamais diminui o valor de outras mentes.

 

Também sou imperfeito, reconheço.

Por vezes, esqueci o agradecimento.

Não pretendo vestir a toga dos justos,

Nem transformar minha mágoa em julgamento.

 

Quantas vezes escrevemos a palavra NADA?

NADA ouvimos, NADA comentamos,

NADA agradecemos, NADA celebramos.

Seríamos NADA diante de tanto silêncio?

 

Nem um oi, nem um mísero parabéns!

Palavras pequenas, de imensa grandeza.

A cortesia não empobrece ninguém,

E o reconhecimento não diminui a beleza.

 

Será que os elogios perderam a sinceridade?

Ou desaprendemos a delicadeza da convivência?

Há palavras vazias, sem cor nem perfume,

Mas há silêncios que denunciam a indiferença.

 

Publicamos, esperamos, seguimos publicando,

Às vezes sem visitar o jardim do vizinho.

Queremos leitores para nossas sementes,

Mas não regamos uma flor pelo caminho.

 

Não peço homenagens, nem reverências,

Nem aplausos por obrigação ou vaidade.

Peço apenas que a poesia não se esqueça

De sua primeira virtude: a humanidade.

 

Se um dia eu partir destas paragens,

Não levarei troféus, títulos ou medalhas.

Talvez deixe somente algumas palavras

Procurando leitores entre tantas muralhas.

 

Porque o poeta que não reconhece o outro

Pode até escrever sobre a fraternidade,

Mas deixa a própria poesia órfã de humanidade.

 

Fim

A Domingos

12/10/2026

Saiba mais…

 

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PEDRINHO E AS ORELHAS ESCUTAM O MUNDO

 

Pedrinho tinha doze anos e todas as manhãs caminhava para a escola acompanhado pela avó, Dona Zulmira, uma senhora viúva de cabelos muito brancos e coração acolhedor.

 

Estudava na Escola Estadual José Veiga e gostava de Matemática, Ciências e, principalmente, das aulas em que podia inventar histórias.

 

Pedrinho também vivia uma questão muito íntima, que nem sempre conseguia explicar em palavras. Experimentava sentimentos relacionados à incongruência de gênero e, aos poucos, procurava compreender a própria identidade.

 

Em casa, encontrava um ambiente discreto e cuidadoso. Seu pai, Fernando, e sua mãe, Dora, sabiam que educar também significava aprender sobre aquilo que ainda não compreendiam inteiramente.

 

Pedrinho tinha bonecas entre seus brinquedos e roupas tradicionalmente associadas tanto a meninos quanto a meninas. A família não transformava essas preferências em assunto permanente. Procurava conduzir o cotidiano com naturalidade, sem interrogatórios nem constrangimentos.

 

Fernando e Dora buscavam orientação e acompanhamento de profissionais de saúde mental para compreender melhor o que o filho vivenciava e para aprender como acolhê-lo durante seu desenvolvimento.

 

Dona Zulmira tinha uma sabedoria mais simples. Para ela, antes de qualquer explicação, estava o neto.

 

- Criança precisa de amor para descobrir o tamanho do mundo … costumava dizer.

 

Mas havia outra característica de Pedrinho que transformava o recreio num momento desagradável: ele tinha orelhas de abano, bastante proeminentes.

 

- Lá vem o Orelhudo! - gritavam alguns meninos.

 

Gonçalo, aluno agitado e provocador, quase sempre comandava as brincadeiras.

 

Pedrinho fingia não ouvir, mas cada palavra parecia uma pedrinha colocada dentro de sua mochila.

 

Dora percebeu a tristeza do filho e procurou a direção da escola.

 

Dona Madalena, a diretora, ouviu atentamente o relato e prometeu tomar providências. Para ela, nenhuma característica física, familiar ou pessoal poderia servir de justificativa para humilhar um estudante.

 

Naquela semana, visitou todas as salas e leu um comunicado:

 

COMUNICADO AOS ALUNOS

 

“Bullying é uma agressão repetida, praticada por palavras, apelidos, ameaças, humilhações ou atitudes destinadas a ferir outra pessoa. Chamar um colega de ‘Orelhudo’ por causa de suas características físicas é bullying. Zombar de alguém por ser baixo, alto, magro, gordo, por sua maneira de falar, vestir-se ou comportar-se também pode constituir uma forma de agressão.

 

Cada pessoa possui características próprias e merece respeito. Nenhum estudante deve ser humilhado por ser diferente daquilo que outro considera comum.

 

Nossa escola deve ser um lugar de aprendizagem, amizade e segurança. Empatia significa reconhecer que o outro também sente tristeza, medo, vergonha e alegria.

 

Os casos de bullying serão apurados pela direção e estarão sujeitos às medidas disciplinares previstas pelas normas escolares, inclusive suspensão.

 

Pedimos aos alunos de todas as turmas um comportamento humano, solidário e respeitoso. Conviver é também aprender a respeitar as diferenças.”

 

Durante trinta dias, ninguém incomodou Pedrinho.

 

Até que Gonçalo voltou a provocá-lo de maneira acintosa.

 

Dessa vez, a direção aplicou-lhe uma suspensão de uma semana.

 

Quando retornou, Gonçalo permaneceu tranquilo durante algum tempo, mas, cerca de um mês depois, descobriu outra característica física de Pedrinho para transformar em motivo de zombaria.

 

As mãos do menino eram pequenas, especialmente quando comparadas às suas orelhas proeminentes.

 

- Mãozinha de anão! Mãozinha de mulherzinha! -provocou Gonçalo diante dos colegas.

 

Pedrinho baixou os olhos e fechou as pequenas mãos, como se pudesse escondê-las do mundo.

 

A expressão “mulherzinha” machucou de maneira especial. Gonçalo não conhecia a intimidade da família de Pedrinho, mas aquela palavra atingiu justamente uma região de sentimentos que o menino ainda estava aprendendo a compreender.

 

Gonçalo recebeu nova suspensão, dessa vez por duas semanas.

 

Dona Madalena percebeu que punições, sozinhas, não estavam modificando aquele comportamento.

 

O comportamento repetido pode criar o hábito … e um hábito ruim precisa ser interrompido antes que machuque ainda mais alguém.

 

Pedrinho continuou seu acompanhamento psicológico. Ali encontrava um espaço seguro para falar sobre o medo da escola, as provocações dos colegas, seu corpo, suas roupas, seus brinquedos e as dúvidas que carregava.

 

Fernando e Dora também aprendiam. Compreenderam que proteger o filho não significava decidir antecipadamente quem ele deveria ser, mas oferecer segurança para que pudesse crescer e se conhecer.

 

O que Pedrinho vivia dentro de casa, entretanto, pertencia à sua intimidade. Nada disso retirava da escola a responsabilidade de protegê-lo contra humilhações e agressões.

 

Algum tempo depois, Gonçalo voltou a humilhá-lo pela terceira vez, numa brincadeira cruel diante de vários estudantes.

 

A direção chamou seus pais e, após ouvir testemunhas e o próprio Gonçalo, decidiu pelo seu desligamento da escola, conforme as normas aplicáveis.

 

Os pais ficaram revoltados no primeiro momento, mas o menino confessou o que havia feito e eles compreenderam a gravidade da situação.

 

Naquela tarde, Pedrinho voltou para casa de mãos dadas com Dona Zulmira.

 

… Vó, será que minhas orelhas são mesmo grandes demais?

 

Ela sorriu, ajeitou-lhe os cabelos e respondeu:

 

-Talvez sejam grandes o bastante para você aprender a escutar o mundo melhor do que muita gente.

 

Pedrinho olhou para suas mãos pequenas.

 

Dona Zulmira apertou uma delas e completou:

 

- E nunca deixe ninguém escolher por você o tamanho do seu coração.

 

Pedrinho sorriu.

 

Suas pequenas mãos eram grandes o suficiente para segurar a mão da avó.

 

E naquele caminho de volta para casa ele começou a compreender uma coisa que nenhum apelido poderia mudar:

 

cada criança tem o direito de crescer descobrindo quem é, sem precisar ter medo de ser quem ainda está aprendendo a ser e ter sua cidadania…

 

Fim

A Domingos 

19 de setembro de 2025

Saiba mais…

Sobrenome Salgado

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Sobrenome Salgado

 

Cristiane Salgado

Cabelos dourados 

Sal do mar,

Sul do frio,

Norte do amor,

Doce apreciar,

Pele em calafrios,

Suor do calor,

Poesia sem dor.

 

Brisa do vento,

Sabor do beijo,

Doce sentimento,

Ardor do desejo,

Olhar encantado,

Sorriso de flor,

Coração perfumado,

Jardim de amor.

 

Lábios de mel,

Abraço de seda,

Estrelas no céu,

Paixão que não ceda,

Carinho sem fim,

Ternura no olhar,

Perfume de jasmim,

Vontade de amar.

 

Maré de saudade,

Sonhos de verão,

Afeto e amizade,

Versos de emoção,

Um beijo guardado,

Um sonho a cumprir,

Um destino traçado,

Mil razões para sorrir.

 

Uma inspiração de Amor dobrado…

De sobrenome Salgado...

Abraços eternos de manhã 

Beijos futuros do amanhã 

A maçã nunca perecer 

Em frente o lindo dia para rever 

e se ver…

 

Fim 

A Domingos

11/10/2026

 

Saiba mais…

ADOLESCÊNCIA DE CALÇAS CURTAS

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ADOLESCÊNCIA DE CALÇAS CURTAS

 

Aos dez anos, a infância já muda de endereço,

A adolescência chega sem pedir autorização,

Entre dúvidas e sonhos, começa um recomeço,

E os hormônios fazem festa dentro do coração.

 

A mochila leva livros, inseguranças e segredos,

O jovem aprende a andar por ruas desconhecidos,

Entre colegas, surgem risos, desafios e medos,

E os primeiros conflitos nem são compreendidos.

 

O celular abre portas para um mundo sem fronteiras,

Mas pode aprisionar os sonhos numa pequena tela,

O bullying deixa marcas, por vezes traiçoeiras,

E a ansiedade desenha sombras atrás da janela.

 

Os pais querem proteger, às vezes, além da medida,

A mãe que cria sozinha multiplica seu cuidado,

Quem cresce sem pai também procura acolhida,

E todo jovem merece ser ouvido e respeitado.

 

Um toque entre as mãos desperta estranha magia,

O primeiro beijo ensaia sua doce timidez,

Os hormônios fazem versos que ninguém escreveria,

E o amor descobre o mundo pela primeira vez.

 

Que profissão escolher? Que estrada percorrer?

A criança de calças curtas ainda mora em seu olhar,

Entre o desejo de partir e o receio de crescer,

**A adolescência é uma infância aprendendo a voar.**

 

 

Fim 

A Domingos 

11/10/2026**

 

Saiba mais…

PRIMEIRO ENCONTRO:: UM OUTRORA

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PRIMEIRO ENCONTRO.. DE UM OUTRORA 

 

Vesti meu vestido novo, estampa de flores,

No espelho ensaiei meu sorriso de menina,

Meu peito misturava esperanças e temores,

Como se um velho amor regressasse à minha sina.

 

Segui pela estrada de terra, entre cercas e cafezais,

O vento acariciava as flores do meu vestido,

Ao vê-lo junto à porteira, senti emoções ancestrais,

Como se aquele rosto já me fosse conhecido.

 

Ele sorriu, oferecendo-me a mão com timidez,

Seus dedos nos meus despertaram estranha sensação,

Parecia que nos encontrávamos pela segunda vez,

Sem recordar os caminhos de outra encarnação.

 

Sentados na varanda, nossos pés se encontram,

Debaixo da mesa, num gesto tão inocente,

Nossos olhares, sem palavras, conversaram,

As duas almas reconhecendo-se novamente.

 

Recostei minha cabeça em seu ombro acolhedor,

Seus dedos passearam suaves pelos meus cabelos,

A alfazema trouxe um perfume de antigo amor,

Dissolvendo minhas dúvidas, receios e desvelos.

 

O sino da capelinha anunciou o fim da tarde,

Um passarinho recolheu seu canto no arvoredo,

Senti que dentro de nós uma lembrança ainda arde,

Mas o passado permanecia guardado em segredo.

 

Talvez noutra existência, sob aquele mesmo luar,

Fôssemos dois namorados separados pelo destino,

Que partiram sem conseguir seu amor completar,

Deixando um beijo adormecido no tempo peregrino.

 

Na despedida, nossas mãos ficaram entrelaçadas,

Nenhum beijo aconteceu, nem houve juramento,

Somente duas almas, de outras eras enamoradas,

Recomeçando um amor sem conhecer seu nascimento.

 

Aforismo:

**Há amores que não começam no primeiro encontro: apenas regressam de uma vida que a memória esqueceu, mas o coração jamais abandonou.**

 

Fim

Maria das Graças

05/05/2026

 

 

Saiba mais…

Utopia

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Utopia 

 

Os dias quais  se repetem

Sem qualquer piedade

As mágoas rolam pelo chão

A rima que temos há perdão 

 

São lágrimas da incivilidade

Onde a empatia fugiu do lugar

A grama verde secou palha

Um mundo que somente falha

 

O ódio destilado desfila raiva

A guerra é ignorante e tosca

Mas mata milhares de vidas

A desigualdade apertar de rosca

 

Qual esperança há de vingar

Aquela da qual saibamos esperar

Que falhas hão de ser lição

Para que a Utopia venha superar

 

ADomingos

Dezembro de 2022

Saiba mais…

Outubro Rosa

 

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Outubro Rosa

 

Outubro chega vestido de rosa, 

Trazendo um alerta de prevenção, 

Toda mulher merece ser cuidada, 

Com carinho, respeito e atenção.

 

O câncer de mama pode ser silencioso, 

Por isso, é preciso se informar, 

Conhecer o próprio corpo é importante, 

E qualquer mudança investigar.

 

Um caroço, uma secreção diferente, 

Mudanças na pele ou no mamilo, 

São sinais que merecem cuidado, 

Procure um médico, não ignore aquilo.

 

A mamografia, quando indicada, 

Pode ajudar na descoberta precoce,

Quanto mais cedo vier o diagnóstico, 

Maiores chances de um bom desfecho.

 

Converse com amigas e familiares, 

Espalhe esta mensagem de amor, 

Cuidar da saúde é valorizar a vida, 

E dar à esperança sua mais bela cor.

 

“A vida é uma flor que merece cuidado, e a prevenção é um gesto de amor.”

 

Fim 

A Domingos 

09/10/2026

 

Saiba mais…

A Alquimia de Bem Estar

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A ALQUIMIA DE ESTAR BEM

 

Três virtudes entrelaçadas

 

A Serenidade

Cultivar pensamentos luminosos não é acreditar que a vida será sempre generosa, mas compreender que, mesmo quando o mundo desmorona, existe dentro de nós uma força silenciosa capaz de reconstruir nossos próprios caminhos.

 

A Resistência

Reconstruir caminhos é aprender que nenhuma tempestade possui as chaves definitivas da nossa existência. Às vezes, a esperança calça sapatos de vento e atravessa os escombros da tristeza para ensinar a alma a caminhar novamente.

 

A Sabedoria

Caminhar novamente não significa esquecer as pedras que feriram os seus pés, mas transformar cicatrizes em aprendizado. Afinal, a felicidade não exige uma estrada sem obstáculos, apenas a coragem de prosseguir quando até o horizonte parece ter perdido o chão.

 

Aforismo final:

 

“A verdadeira serenidade não nasce da ausência de tempestades, mas da capacidade de ensinar a própria alma a navegar.”

 

Fim

A Domingos 

09/10/2026

Saiba mais…

O Reverso do Vazio

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O Reverso do Vazio

 

A casa não aprendeu a esvaziar-se;

ela apenas trocou a tua carne

por uma arquitetura do silêncio denso.

 

Não há vaga na mesa de chá no ambiente 

há uma espessura de ar que ocupa a cadeira,

um contorno invisível, mas pesado,

como um relógio de fumaça sólida

marcando horas que esqueceram de passar.

 

Dizem que você se foi, mas o verbo mente.

A partida é uma ilusão dos que medem metros.

 

Você não partiu:

você se diluiu nas estruturas,

deixando no ar o grave da tua voz em suspensão,

preso no canto do teto como poeira de cristal.

 

Abro as cortinas pela manhã,

mas deparo-me com janelas com vista para dentro.

 

O lado de fora é um rumor distante;

o lado de dentro é um museu de fósseis vivos:

o lençol com a curvatura da tua ausência,

o espelho que guardou o teu reflexo e se recusa a refletir o meu.

 

À noite, banhado por uma luz de ferro frio,

percebo que a perda não é um nada.

 

A perda é uma matéria duríssima, de não ruir..

uma casa vazia no vácuo construída

exatamente sobre a casa onde pretendo existir.

 

Fim

A Domingos 

15 de setembro de 2026

 

Saiba mais…

A Coragem de Permanecer

 

A Coragem de Permanecer

 

O Tempo afia seus ponteiros contra a eternidade,

Enquanto a Vida semeia clarões no pensamento,

E a coragem atravessa os escombros da adversidade.

 

Há calendários sangrando nas paredes da existência,

Mas o coração resiliente reconstrói seu firmamento,

E faz da própria cicatriz um brasão de resistência.

 

A Vida não pede licença ao destino para florescer,

Quando os relógios cultivam sementes de infinito,

Pois até entre ruínas há raízes querendo renascer.

 

O medo algumas vezes veste a máscara da razão,

Mas a esperança acende constelações no horizonte,

E ensina aos nossos passos a gramática da superação.

 

Que venha a tempestade com seu áspero vendaval,

Carrego Pétalas Brancas do Silêncio em minha bagagem,

Porque viver é desafiar o impossível até o último umbral.

 

Coragem é fazer da própria queda uma nova passagem,

E ensinar ao Tempo que a Vida jamais termina na viagem.

 

Fim

Abril de 2026

A Domingos 

Saiba mais…

A Memória Respira Amor

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A Memória Respira Amor

 

Sentiu no abraço a força do calor

E ouviu dois corações em sintonia,

Viu a ternura amanhecer em flor,

Enquanto o beijo inaugurou o dia 

 

Ressentiu a sentença do julgamento 

E carregou silêncios pelo chão,

Mas fez do afeto seu melhor argumento,

Sem condenar os sonhos do coração 

 

Pressentiu da gotícula o frescor

Quando a chuva acariciou seu rosto,

E cada gota soletrou o amor,

Lavando antigas mágoas e desgostos 

 

Submergiu o ar do Amor bolhas 

E mergulhou no azul das emoções,

Viu esperanças navegando em folhas 

Revestiu as memórias de saudades 

 

Fim

A Dom

ingos 

15 de maio de 2026

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TUDO É POESIA EPISÓDIO 16 TEMPO

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TUDO É POESIA

EPISÓDIO 16

 

O TEMPO

 

O Observatório a acertar as horas do mundo,

segundo após segundo, exato e mensurável;

o relógio dá ao tempo um número profundo,

mas o peito desconhece o tempo calculável.

 

Há minutos que atravessam anos de saudade,

e segundos que se alongam quando alguém espera;

um beijo faz pequena qualquer eternidade,

uma ausência põe inverno em plena primavera.

 

O cuco anuncia a hora ; indiferente ao sentimento;

mas a emoção não sabe matemática nem medida:

um segundo pode ser segundo e meio por dentro,

quando o coração fabrica o próprio tempo da vida.

 

Fim

A Domingos

TUDO É POESIA 

EPISÓDIO 16 

OUTUBRO 

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TUDO É POESIA 

EPISÓDIO 13

 

Sonhos e Delírios

 

Sonhos atravessam paredes,

delírios inventam caminhos;

a Lua borda outras redes,

onde adormecem carinhos,

e o impossível furar interesses 

 

Meu sonho conversa com o vento,

sem perguntar onde vai;

o delírio planta o momento,

meu coração nunca distrai  

a vida sonha com pertencimento 

 

Fim

A Domingos

MAIO 2026

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Reflorescer

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REFLORESCER

 

O vendaval rasgou a madrugada,

dobrou meu caule, dispersou meu chão;

a seca fez da terra ressecada

um árido silêncio de estação.

 

Mas uma semente adormeceu inteira,

guardando um bosque em miniatura;

a chuva veio, doce feiticeira,

bordando raízes pela terra escura.

 

Então um broto levantou seu rosto,

bebeu o Sol na taça do horizonte;

e onde a natureza havia posto

um ponto final … nasceu uma fonte.

 

Sou flor de novo. E mais: sou primavera.

Reflorescer é a esperança na espera

que germina assina sempre persevera.

 

Fim

A Domingos

Outubro de 2026

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O Luar e o Amor

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 O Luar e o Amor 

 

O luar derrama prata sobre a colcha da cama,

desfazendo o nó cego de toda palavra calada

e abrindo espaço no peito para quem tanto ama.

 

O universo inteiro agora cabe em um abraço,

enquanto os passos da noite desenham na estrada

a dança perene que cura o cansaço.

 

O amor é o copo que transborda no espaço e flutua.

 

A vida é leve sob o clarão nos instantes da lua.

 

Fim

A Domingos 

Junho de 2026

 

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CPP