Da primeira vez, não era pra ser.
O tempo me cobrava,
Cuidava de me abraçar,
Chorava de sim e não
E me trazia espelhos,
Do que eu podia ter e não tinha,
Do que precisa ser e não era.
E me mostrava cores, que não entendia.
E me mostrava poderes, que não compreendia.
E sem perceber, me apaixonaram,
Não por ela, mas pela imagem que os outros tinham
Dela para mim.
E me colocaram na vida dela e
Arrumaram a dela em mim.
E como tudo que não cola,
Um dia descola,
Porque não era paixão,
Mas carência de sermos nós mesmos.
Não era pra ser, não era pra ser, e não foi.
E não fomos, para nós, nem felizes, nem inteiros, nem reais.
Mas formamos para os outros o eterno casal de belos espelhos ideais.
E sozinhos de nós mesmos,
Vivemos o tempo
Que amarga o falso,
Que desmascara o previsto,
Que se cobre de vergonha,
De ter que se apresentar.
Mas este tempo que vivemos
Também trouxe um outro tempo,
Que abençoa a dor,
Que dá sentido ao valor
Dado a quem deve se merecer,
E a paixão que livre deve plenamente acontecer.
E da verdade do coração, veio a segunda vez.
E da segunda vez, já não éramos espelhos para os outros,
Mas espelhos para nós mesmos,
Já não tínhamos planos perfeitos,
Mas fazíamos perfeitos todos os planos imperfeitos,
Já não sonhávamos em nos amar,
porque sabíamos que o amor,
Não se constrói em sonhos,
O amor é que constrói o sonhar,
Que brinca de começar,
Sempre, de todo começo,
Não carente de amar.