Não me ensinou ninguém a calcular
o exato peso de luz que tens no rosto
quando ris
como se o mundo fosse uma conta simples
e tu soubesses o resultado
antes da pergunta.
Há uma geometria no teu abrir de boca,
um ângulo que resolve
tudo o que eu havia complicado
o silêncio que acumulei,
a dívida dos anos sem nome,
o número que eu não sabia que era medo.
Ris e de repente a manhã tem outro teorema:
que o corpo pode ser prova suficiente,
que existir junto
é a mais honesta das demonstrações.
Procuro em ti o que os antigos chamavam
de graça
e que eu não sabia nomear
até ver a tua boca se abrir assim,
generosa e breve
como só são as coisas verdadeiras.
Não é alegria apenas
é revelação:
o teu riso é a variável
que faz o resto da equação
se tornar, afinal, solúvel.
E eu, que passei anos
confundindo complexidade com profundidade,
aprendo agora
pelo riso
que as coisas mais verdadeiras
têm a forma simples
de algo que sempre esteve certo.
Comentários
Admirável seu poetar. Aplausos e flores