A Equação do Teu Riso 

 

 

Não me ensinou ninguém a calcular
o exato peso de luz que tens no rosto
quando ris 
como se o mundo fosse uma conta simples
e tu soubesses o resultado
antes da pergunta.

Há uma geometria no teu abrir de boca,
um ângulo que resolve
tudo o que eu havia complicado 
o silêncio que acumulei,
a dívida dos anos sem nome,
o número que eu não sabia que era medo.

Ris e de repente a manhã tem outro teorema:
que o corpo pode ser prova suficiente,
que existir junto
é a mais honesta das demonstrações.

Procuro em ti o que os antigos chamavam
de graça 
e que eu não sabia nomear
até ver a tua boca se abrir assim,
generosa e breve
como só são as coisas verdadeiras.

Não é alegria apenas 
é revelação:
o teu riso é a variável
que faz o resto da equação
se tornar, afinal, solúvel.

E eu, que passei anos
confundindo complexidade com profundidade,
aprendo agora 
pelo riso 
que as coisas mais verdadeiras
têm a forma simples
de algo que sempre esteve certo.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Admirável seu poetar. Aplausos e flores

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