Abelha

abelha não sabe que vai morrer
quando fere.
Só sabe o mel que carrega,
o peso dourado das horas,
a flor que a chamou pelo nome
que ela ainda não tem.
Pequena operária do efêmero,
construtora de hexágonos perfeitos
num mundo torto 
ela não pergunta o sentido.
Apenas faz. Apenas vai.
Apenas volta cheia.
Há uma sabedoria
em não hesitar diante da rosa.
Em pousar.
Em partir.
Em pousar de novo
como se cada vez
fosse a primeira vez
que o mundo floresceu.
Somos tão mais lentos, nós 
que sabemos demais
e colhemos tão pouco.
A abelha morre de amor,
literalmente.
Que destino mais honesto.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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