O afeto não cabe
na linha reta das horas,
nem na superfície calma
do que a boca diz.
Ele tem altura:
ergue o peito cansado,
levanta do chão
o que a tristeza derrubou.
Tem largura:
se espalha no gesto,
na mão que procura outra mão,
no silêncio que acolhe sem cobrar.
Tem profundidade:
mergulha além da pele,
toca o que ninguém vê,
e ainda assim fica.
Afeto é corpo invisível,
presença com volume,
ternura que ocupa espaço
mesmo quando não faz ruído.
É abraço que continua
depois que os braços soltam.
É luz com forma humana.
É amor aprendendo matéria.
Em três dimensões,
o afeto não só existe:
ele habita,
sustenta
e transforma.
Comentários
Gratidão amiga poetisa emocionado com suas palavras
Digno de aplausos e flores caro poeta. Feliz Páscoa
Kleber
um versar reflexivo
um abraço