O que é a água, senão esse tempo
que se esquiva entre os dedos,
sem forma, sem rosto, sem rastro,
feita apenas de silêncios e medos?
No cântaro, ela é redonda e breve;
No rio, é um caminho que foge.
Não sabe o que foi ontem, na nuvem,
nem o que será de nós, hoje.
É um cristal que não se quebra,
um espelho que se recusa a guardar
a imagem de quem nela se mira,
pois sua pátria é sempre o lugar de passar.
Tão lúcida que parece não existir,
tão antiga que já esqueceu o próprio nome.
É o sono que refresca a sede da terra,
enquanto a vida, lenta, nos consome.
"A água é a memória do mundo que se apaga a cada instante para poder recomeçar."
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