A gente corre tanto
sem saber
se é chegada
ou se é partida.
Vai guardando o que não vê,
vai perdendo, aos poucos,
aquilo que era vida.
E no meio desse vão,
entre o ontem
e o depois,
existe um mundo inteiro
na tua mão
e você quase nunca percebe.
Há abraços
que ainda ficaram por dar,
palavras que morreram
antes da boca,
olhares interrompidos
que o silêncio terminou sozinho.
O tempo não espera,
é verdade,
mas também não foge.
Ele se esconde
no instante presente
que a gente adia
como se houvesse sempre
uma outra chance mais limpa,
mais calma,
mais perfeita.
Quantas vidas cabem
dentro de uma só,
se a gente tiver coragem
de olhar direito?
Quantos caminhos existem em nós
sem nome,
sem mapa,
sem testemunha
apenas esperando
que alguma parte nossa
decida atravessá-los?
E se tudo desmorona,
como tantas vezes desmorona,
talvez não seja só fim.
Talvez seja a vida
tentando mostrar,
entre os restos,
aquilo que em nós
ainda permanece.
Não espera o mundo parar
pra começar a sentir.
O agora
é o único lugar
onde a vida
realmente acontece.
Ainda há tempo
de voltar.
Ainda há tempo
de dizer
o que ficou sem voz.
Ainda há tempo
de viver
o que o medo
quase convenceu a morrer.
E no fim,
quando tudo passar,
talvez seja só isso
que fique:
a parte de nós
que teve coragem
de viver.
Comentários
Kleber
um lindo versar
um abraço
Maravilha!!! Parabens e grande abraço
Caro poeta Kleber:
Um poema reflexivo com muitos versos verdadeiros.
Não ter medo para recomeçar torna o ser humano mais digno.
Parabéns!
Abraços