Há em mim uma luz antiga,
não a que apavora o escuro
mas a que aquece sem avisar,
como o âmbar guarda o que tocou.
Fui resina antes de ser joia.
Líquido, lento, aceitei o peso
de tudo que cai:
o gesto esquecido, a chuva, o nome.
Endureci sem me apagar.
Esse é o segredo da graça,
não a leveza que sobe
mas a que desce até a raiz.
Há um brilho que não é chama,
não anuncia, não convoca,
apenas existe, translúcido,
guardando a forma de tudo que amei.
E quando a luz me atravessa
do ângulo exato do fim do dia,
não sou eu que brilho,
é o que ficou dentro de mim.
Comentários
Que lindo!!! Parabéns!
Abraços
LIndo demais. Acho o âmbar fascinante em sua grafia, pronúncia e simbolismo. Parabens
Caro poeta Kleber
Um poema que reflete a grandeza do poeta de poetar.
Parabéns
Abraços