Âmbar

 

Há em mim uma luz antiga, 

não a que apavora o escuro

mas a que aquece sem avisar,

como o âmbar guarda o que tocou.

 

Fui resina antes de ser joia.

Líquido, lento, aceitei o peso

de tudo que cai:

o gesto esquecido, a chuva, o nome.

 

Endureci sem me apagar.

Esse é o segredo da graça, 

não a leveza que sobe

mas a que desce até a raiz.

 

Há um brilho que não é chama,

não anuncia, não convoca, 

apenas existe, translúcido,

guardando a forma de tudo que amei.

 

E quando a luz me atravessa

do ângulo exato do fim do dia,

não sou eu que brilho, 

é o que ficou dentro de mim.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Que lindo!!! Parabéns!

    Abraços 

  • LIndo demais. Acho o âmbar fascinante em sua grafia, pronúncia e simbolismo. Parabens

  • Caro poeta Kleber

    Um poema que reflete a grandeza do poeta de poetar.

    Parabéns

    Abraços

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