Arqueologia do sorriso



Escavei teu riso
como quem procura
vestígios de sol
debaixo das ruínas da tarde.

Havia ali
fragmentos de luz,
pedaços de ternura,
uma antiga música
ainda respirando no silêncio.
Teu sorriso não era inteiro:
era relíquia,
vaso partido pelo tempo,
ouro escondido na poeira
dos dias difíceis.

Com dedos de memória
toquei suas margens,
e cada curva descoberta
abria em mim
uma cidade esquecida.

Havia infância nele.
Havia chuva depois da seca.
Havia uma esperança pequena,
dessas que sobrevivem
mesmo sob escombros.

Então compreendi:
sorrir é desenterrar
o que o mundo enterrou cedo demais.

E teu sorriso,
achado raro,
foi a prova mais bonita
de que o coração,
mesmo ferido,
continua inventando auroras.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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