Atemporal
Vida em tom turvo, sombra de perfídia,
O tempo molda a dor na claridade,
E a voz se perde em vã oralidade,
Guardando no silêncio a mesma insídia.
Na fria calçada a mente se irradia,
Sob céus rasgados pela ansiedade,
Retorna à face antiga da verdade,
Qual esfinge muda em sua ironia?
No vão percurso, a dor se desatina,
Pedras ferem o passo inconsequente,
E o tempo cinza a carne que se mina.
Das fendas surge o asco persistente,
Mas algo além da sombra ainda ilumina,
Nas asas do porvir, febril, latente.
Fim
A Domingos
18/03/2026
Comentários