CÂNTICOS DA ALMA

Alma, ó alma, esses cânticos que trazes,

Seguir nas brumas foste a tua sina,

Ouvindo entre goivos e lilases,

Da solitude a prece vespertina.

 

Pois a tristeza mal inda lhe fazes,

Cai a tarde na antiga Palestina...

E no meu peito tétricas, vorazes,

Vão as dores num horto sem neblina.

 

Ouvi novenas em tempos remotos,

Os que rezavam foram pra onde sigo,

E de Jesus também eram devotos...

 

E a noite como os vultos de um convento,

Seguiste-lhes indo para o jazigo,

Caminhando sem dor e sem lamento...

 

Thiago Rodrigues 

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