Decodificando a Alma

 

Passei a vida tentando decifrar 

o idioma secreto do sentir, 

como quem aprende a atravessar 

o silêncio antes de cair.

 

Havia em mim um quarto fechado 

onde a tristeza fazia morada, 

e um coração desacostumado 

de sobreviver à própria estrada.

 

Descobri que a alma não se explica. 

Ela apenas respira devagar. 

Às vezes, sangra. Às vezes, fica 

tentando em silêncio se curar.

 

E quanto mais fundo eu descia, 

mais via em mim outro horizonte: 

uma saudade que não cabia 

nem no mar, nem atrás do monte.

 

Dentro de mim nasciam perguntas 

que o vento levava ao pensamento, 

e as dores, tão antigas e juntas, 

ganhavam voz no esquecimento.

 

Porque existir é quase um enigma, 

uma carta sem remetente, 

um corpo carregando estigmas 

e um coração excessivamente ardente.

 

Mas houve um instante , breve luz ,

em que compreendi minha ferida: 

há cicatrizes que Deus traduz 

para não desistirmos da vida.

 

Então parei de buscar respostas 

nas portas que o mundo fechou. 

A alma se revela nas frestas, 

nos silêncios que o amor deixou.

 

Hoje já não tento entender 

tudo aquilo que em mim transborda. 

Há sentimentos que, para viver, 

não precisam de nenhuma forma.

 

E talvez a alma seja isso: 

um infinito querendo abrigo, 

uma lágrima beijando o riso, 

um adeus caminhando comigo.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Mais uma lindeza que leio aqui, Kleber!!

    Parabéns e meu abraço

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