Espelho de Admirar

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Espelho de Admirar

 

Eu admirava você 

Sua beleza, sua alegria,

A altura firme do seu gesto,

A bondade que lhe pertencia.

Sua voz, quase declamação,

Texto vivo, intocável,

Como se cada palavra

Nascesse eterna.

Sua independência é força,

Seu braço é uma fortaleza,

E essa coragem insistente

De sempre recomeçar.

Havia em você

Uma esperança doce,

Dessas que não pedem licença

para existir.

E então veio a cadeira 

 motorizada, veloz 

 mas seus olhos, por instantes,

 sentiram falta do simples.

Depois, o acidente.

O silêncio nas pernas.

Mas nunca no amor pela vida.

E eu vi 

 Você crescer em cores,

 Pintar a dor em telas,

 Transformar fé em imagem.

Quantos quadros…

 E em todos,

 Deus respirava.

Hoje, no entanto,

 Há uma sombra leve em você.

 Uma tristeza que não diz seu nome.

Saudade, talvez.

 Ou um amor que partiu sem aviso.

E eu, sem saber como alcançar,

 Apenas observo

 Impotente.

Perdoe-me, amigo…

 Não sei como te salvar.

Mas então compreendo 

 Num susto silencioso:

Eu sempre fui você.

E sigo

 Te admirando.

 

Fim

A Domingos 

20/03/2026

 

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Comentários

  • Olá amigo Antônio! Vejo mais uma top poesia. Muito bem construída e com algo além de reflexões ou memórias. Parabéns!

    • Muito obrigado Luiz.

      É uma introspecção de mim mesmo..

      Esteja bem sempre 

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