a casa do silêncio arde sem chama
cada átomo meu grita o nome que nunca disse.
tu me procuras no mapa das constelações que já morreram:
a luz que toca tua face viajou milhões de anos
para não encontrar ninguém.
o que explode em mim não é estrela
é o espaço entre dois batimentos,
a geometria do quase-tocar,
a matemática da saudade antes que exista o ausente.
galáxias inteiras nascem em meu peito
e eu, tão pequeno,
tão vastamente sozinho,
sou o buraco negro que devora
própria luz
própria sombra
própria voz que chama por ti
no vácuo onde nem o eco ousa nascer.
ainda assim
algo permanece:
a poeira dourada dos mundos que fomos,
flutuando,
flutuando,
esperando outro big bang
que talvez seja
apenas
teu olhar
me encontrando.
kleber luís antônio pinheiro
Comentários