Fechando a porta
Fecho a porta com cuidado.
Não porque os vizinhos durmam.
Não porque a fechadura seja cara.
Fecho com cuidado
porque dentro daquela casa
deixei coisas que não quero
que escapem.
Deixei o medo
debaixo da cama.
Deixei a esperança
na geladeira,
do lado do leite.
Deixei o amor
no travesseiro,
ainda morno.
Fecho a porta
como quem fecha um livro
no meio de uma frase.
Sabe que vai voltar,
sabe que a frase vai continuar,
mas por enquanto
precisa estar do lado de fora,
onde as coisas são mais simples:
o sol, o trânsito, o relógio.
À noite, quando volto,
abro a porta com a mesma cautela.
O medo ainda está lá.
A esperança estragou um pouco.
O amor esfriou.
Mas estão lá.
E eu entro,
e fecho a porta por dentro,
e finalmente
respiro.
Não é felicidade.
É outra coisa.
Algo que não tem nome
e que, por isso mesmo,
me pertence.
Comentários
Muito lindo, Kleber!!
Aplausoss
Que lindo!!! Parabéns, Kleber!
Uma grandiosa inspiração! Parabéns poeta Kleber!
Caro poeta Kleber
Um belo poema com versos que se encaixam muito bem na criação do sonhador de versos.
Parabéns!
Abraços