Fechando a porta

 

Fechando a porta

 

Fecho a porta com cuidado.

 

Não porque os vizinhos durmam.

 

Não porque a fechadura seja cara.

 

Fecho com cuidado

 

porque dentro daquela casa

 

deixei coisas que não quero

 

que escapem.  

 

Deixei o medo

 

debaixo da cama.

 

Deixei a esperança

 

na geladeira,

 

do lado do leite.

 

Deixei o amor

 

no travesseiro,

 

ainda morno.  

 

Fecho a porta

 

como quem fecha um livro

 

no meio de uma frase.

 

Sabe que vai voltar,

 

sabe que a frase vai continuar,

 

mas por enquanto

 

precisa estar do lado de fora,

 

onde as coisas são mais simples:

 

o sol, o trânsito, o relógio.  

 

À noite, quando volto,

 

abro a porta com a mesma cautela.

 

O medo ainda está lá.

 

A esperança estragou um pouco.

 

O amor esfriou.

 

Mas estão lá.  

 

E eu entro,

 

e fecho a porta por dentro,

 

e finalmente

 

respiro.  

 

Não é felicidade.

 

É outra coisa.

 

Algo que não tem nome

 

e que, por isso mesmo,

 

me pertence.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Muito lindo, Kleber!!

    Aplausoss

  • Que lindo!!! Parabéns, Kleber! 

  •  

    Uma grandiosa inspiração! Parabéns poeta Kleber!

  • Caro poeta Kleber

    Um belo poema com versos que se encaixam muito bem na criação do sonhador de versos.

    Parabéns!

    Abraços

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