Eu te diria para vir
mesmo quando o mundo pesar,
mesmo quando o frio insistir
e não houver onde ficar.
Eu abriria o peito em silêncio,
sem pressa, sem te cobrar,
há amores que chegam em festa —
o meu só quer te abrigar.
Aqueço tuas mãos nas minhas,
te devolvo o que é teu:
a calma que o tempo levou,
o que em você se perdeu.
Sei dos caminhos difíceis,
dos nomes que não ficaram,
dos toques que passaram na pele
mas nunca te alcançaram.
E quando eu te olho agora,
não vejo dor , vejo luz,
vejo alguém que atravessou tudo
e ainda sabe amar, ainda conduz.
Queria ter sido o primeiro,
teu início sem cicatriz,
mas entendo: foi o teu tempo
que fez você chegar até aqui.
Há uma dor leve nisso,
mas já não machuca mais,
só me lembra que foi preciso
me perder pra te encontrar.
Então fica , se ainda duvida,
não precisa nem prometer,
teu silêncio no meu peito
já diz tudo sem dizer.
Eu te amaria no escuro,
quando tudo parecer demais,
no passado que ainda chama,
nos dias que pedem paz.
Te amaria sem te prender,
como quem aprende a ser chão,
como quem vira caminho de volta
pra quem cansou da solidão.
E quando te tenho por perto,
eu entendo sem precisar:
não fui o começo da tua história ,
fui o lugar pra onde voltar.
Se existe nome pra isso,
talvez seja destino ou lar,
mas pra mim é mais simples ainda:
é você ter vindo ficar.
E agora que te encontrei,
não há tempo que vá mudar ,
porque há amores que passam…
e há os que são lugar.
Comentários
Kleber
Um versar numa escala poética especial
Um abraço
Poema para ler e reler. Parabéns, Kleber.
Aplausos mil! Grandiosa inspiração! Belo poema!