LUTHIERIA

LUTHIERIA

Quando a viu era nada,
uma madeira cortada,
jogada num lamaçal.

Tomou-a em seus braços
e em sua oficina,
deu-lhe forma e textura
e as falhas cobriu com resina,
lixa nos nós com ternura.

Cada vez que a tocava,
mais bonita ficava,
buscando a perfeição,
deu-lhe um corpo perfeito,
formato de violão.

Sentiu-se realizado
e extremamente feliz,
ao untar-lhe todo o corpo
com selador e verniz.

Quando julgou terminado,
tomou-a em seu regaço,
esticou cordéis de aço
e lhe deu a harmonia.

Quando enfim terminada,
sendo assim linda e perfeita,
sofreu, mas sem desfeita,
pois teria que ser tocada.

Não mais por um marceneiro,
que faz da madeira ofício,
mas por qualquer violeiro.
Eis aí o grande suplício.

A este coube ensiná-la,
o que o outro não podia.
Pôs-se a tocá-la nas noites
em qualquer cervejaria.

De longe o luthier
não perdeu a esperança,
de um dia enfim rever
sua querida obra-prima.

Agora não mais criança,
a vida completou a obra,
de transformar a menina
em uma linda mulher!

Nesse simples pensamento,
por fim, ele compreendeu,
ser somente um instrumento,
a obra-prima é de Deus!

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Kleber Versares

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