Meteorito

Antes de ser pedra eu fui fogo sem nome,

risco de luz que ninguém pediu para ver.

Atravessei o escuro como quem atravessa

uma dúvida enorme sem pedir licença.

 

A atmosfera me provou com dentes de ar,

queimou o que era leve, guardou o que era osso.

Não sobrou vaidade, sobrou peso.

E peso, aprendi, é uma forma de ficar.

 

Caí sem aviso sobre um campo qualquer,

como caem as coisas que a vida não avisa:

o fim de um nome, o silêncio de um telefone,

a mão que solta antes que a gente entenda.

 

Chamaram-me cratera. Chamaram-me marca.

Ninguém perguntou se eu queria ser lembrado

assim, em forma de buraco,

prova de que alguma coisa passou por aqui e doeu.

 

Mas há uma pedra no fundo do buraco

que não pede desculpas por ter chegado inteira.

Talvez ficar seja isso:

não o brilho de quando se cai,

mas o silêncio exato de quando se pousa.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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