O PÁSSARO SOTURNO

O dia escuro estava tão sombrio,

Voavam aves de pavor e medo,

Da névoa, o fantasma, de olhar vazio 

Enevoava as folhas de um arvoredo.

 

Uma saudade no ar não é segredo,

Pra quem a alma tremeste já de frio,

E vai a vida seguindo o teu enredo,

Na primavera, no outono ou no estio.

 

Nossos passos pra trás já vão ficando,

Meu velho peito doente já sentiste 

A agonia do tédio lhe tocando...

 

A mão do tempo é a mesma que amortalha,

E pelos ares, rindo, inda persiste 

A voz dolente de soturna gralha.

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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Comentários

  • Mais uma bela obra poética! Parabéns, Thiago!

    • Obrigado, Angélica! 

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