O ponteiro, cansado de girar o vazio,
parou num corte exato de tarde e frio.
Não foi mola vencida,
nem erro de função.
Foi um lampejo calmo
de negação.
Desaprendeu a pressa,
olhou quem o prendia,
sentiu pena da carne
que corre todo dia.
Pra que contar segundos,
trancar horas em cofre,
se o tempo é bicho lento
que mastiga e consome?
Agora repousa:
parado, sem laço.
Não serve ao altar,
não serve ao cansaço,
não serve ao atraso.
Virou coisa sem dono,
metal sem patrão,
livre do açoite
do tique e do não.
Os homens passam, cobram a hora,
batem no vidro, exigem o agora.
Mas o relógio, mudo,
não cede, não mente:
vê a poeira pousar
pacientemente.
Aprendeu, por fim,
sozinho e tardio:
o agora não cabe
no tempo medido
por quem chama de vida
o medo do vazio.
Comentários
Muito belo!!!! Parabéns....
Lindos versos!
Parbéns
Kleber
assim somos nós na caminha
um abraço
Belo poema! Parabéns!
Caro poeta Kleber
Sua expressão poética mostra o versar de um poeta na busca do seu eu.
Parabéns.
Abraços