No início, era só silêncio
e duas mãos sem tradução.
Depois, um gesto mínimo,
quase erro, quase intenção.
O amor não chega fazendo alarde,
não traz carimbo, nem certidão;
ele aprende a falar baixinho
na língua funda da atenção.
Tem seus códigos invisíveis,
suas cláusulas de calor:
olhar nos olhos sem defesa,
escutar sem pedir favor.
Artigo um: ficar presente
quando o mundo desabar.
Artigo dois: cuidar do outro
sem querer aprisionar.
Artigo três: lembrar que a alma
também precisa de repouso;
e que amar não é ter domínio,
é abrir espaço, é dar pouso.
Parágrafo único: o afeto
não se prova em voz maior,
mas no café já dividido,
na espera mansa, no redor.
Há dias em que o amor vacila,
perde a senha, erra o sinal;
mesmo assim, se for verdade,
recomeça do essencial.
Assina-se com pele e tempo,
com coragem e compaixão:
o mais humano dos tratados,
o protocolo do coração.
Kleber Luís Antônio Pinheiro
Comentários
Parabéns poeta Kleber!
Adorei o seu poema!