Há uma pedra dentro de mim que não envelhece,
carrega o peso exato do que ficou parado.
Os dias passam como trens sem estação,
e eu aceno da plataforma, sempre atrasado.
O relógio da sala mede um tempo que não é meu.
É o tempo que sobrou depois que tudo se foi.
As paredes guardam ecos de vozes que emudeceram,
e a poeira é a única coisa que ainda cresce aqui dentro.
Aprendi a beber o café frio da manhã
como quem aceita a mediocridade do que resta.
Não há tragédia nisso, apenas o desgaste,
a ferrugem lenta que corrói sem pressa.
Sou um homem que se acostumou à ausência
como se acostuma à dor que não passa,
mas também não mata. Apenas habita,
senta à mesa, divide o pão e fica.
No fim, talvez seja isso a vida:
uma pedra que aprende, devagar, a ser paisagem.
Comentários
Esse estilo de narrar os seus sentimentos são maravilhosos. Parabéns!
Maia uma lindeza, Kleber!
Gosto muito do seu estilo de escrever o cotidiano, as coisas simples da vida
Ah..e sobre perdas e dores, és o campeão
E confesso que seus versos são uma fonte de inspiração
Aplausos e meu abraço