Resíduo

 

 

Há uma pedra dentro de mim que não envelhece,

carrega o peso exato do que ficou parado.

 

Os dias passam como trens sem estação,

e eu aceno da plataforma, sempre atrasado.

 

O relógio da sala mede um tempo que não é meu.

É o tempo que sobrou depois que tudo se foi.

 

As paredes guardam ecos de vozes que emudeceram,

e a poeira é a única coisa que ainda cresce aqui dentro.

 

Aprendi a beber o café frio da manhã

como quem aceita a mediocridade do que resta.

 

Não há tragédia nisso, apenas o desgaste,

a ferrugem lenta que corrói sem pressa.

 

Sou um homem que se acostumou à ausência

como se acostuma à dor que não passa,

mas também não mata. Apenas habita,

senta à mesa, divide o pão e fica.

 

No fim, talvez seja isso a vida:

uma pedra que aprende, devagar, a ser paisagem.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Esse estilo de narrar os seus sentimentos são maravilhosos. Parabéns!

  • Maia uma lindeza, Kleber!

    Gosto muito do seu estilo de escrever o cotidiano, as coisas simples da vida

    Ah..e sobre perdas e dores, és o campeão

    E confesso que seus versos são uma fonte de inspiração

    Aplausos e meu abraço

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CPP