Sal

 

Há um grão de sal em tudo que eu toco, 

no pão que amasso de manhã, na ferida calada,

na boca que ainda guarda o nome de alguém

e no grito que afundo como âncora no escuro.

 

Fui feito de água e dessa coisa branca

que queima o que ama e preserva o que sangra,

que sobe na lágrima quando a maré parte

e desce na garganta quando o corpo recusa o choro.

 

Sal é o nome preciso da saudade, 

o que sobra quando o mar retira a espuma.

É a crosta que o tempo deposita

na parede interna da memória,

o rastro que o corpo imprime na areia úmida,

o gosto que permanece depois de toda perda.

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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