Há um grão de sal em tudo que eu toco,
no pão que amasso de manhã, na ferida calada,
na boca que ainda guarda o nome de alguém
e no grito que afundo como âncora no escuro.
Fui feito de água e dessa coisa branca
que queima o que ama e preserva o que sangra,
que sobe na lágrima quando a maré parte
e desce na garganta quando o corpo recusa o choro.
Sal é o nome preciso da saudade,
o que sobra quando o mar retira a espuma.
É a crosta que o tempo deposita
na parede interna da memória,
o rastro que o corpo imprime na areia úmida,
o gosto que permanece depois de toda perda.
Comentários
Parabéns poeta! Um belo poema!
Uau! Quanta delicadeza e profundidade! Parabéns, Kleber!
DESTACADO COM LOUVOR!