Tempo de Reflexão
Caro Poeta, eu curioso amador,
Receba em verso meu tributo austero:
Louvo teu canto, nobre e sonhador,
Que ao tempo invoca em sortilégio etéreo.
Medidor das emoções mais sutis,
Bálsamo às drusas da memória árida,
Titã severo, voraz e infeliz:
Cronos, da prole a fome insaciável.
É saveiro de velas langorosas,
Que nos conduz dá margem primeira,
Do Gênesis íntimo às brumas ignotas,
À outra ribeira, final e derradeira.
Não sei azimute, nem carta estelar,
Nem coordenadas do porto oculto;
Mas sei que, em hora que não sei marcar,
Tocarei terra no instante inculto.
Reflito: quem sou, que faço ser,
Que vulto ergo ao mundo em meus gestos;
Como escrevo, penso e sei viver,
E em que respeito moldo meus textos.
Sou verdade ou miragem fugaz?
Meia verdade, meia quimera;
Copo vazio ou meio copo cheio
Cheio de dúvidas que a alma gera.
Busco aplauso em febre aloprada,
Ansioso, creio que assim eu sou;
Prefiro a despedida moderada
Ao nome que nunca me nomeou.
A pressa da ansiedade me furtaria
O tempo que a vida outorga de graça;
O riso, o entrudo, a leve poesia
Que da sisudez sempre me afasta.
Não quero, não consinto ser sisudo
Neste teatro breve e mortal;
Entre o Kairós e o tempo mudo,
Busco o instante essencial.
Abraços fraternos, prezado leitor,
Razão da minha rara existência;
Na Moira que fia o fio do amor,
Confio meus versos em reverência.
Uma pausa: intuição, suspeição matreira,
Sou constelação, sou do pó de areia;
Entre o Lethe e a chama verdadeira,
Minha Poesia em versos vagueia.
Fim
ADomingos
Março de 2025
Comentários
Antonio
um versar real e muito bem elaborado
fala da vida breve que temos mas enquanto vivermos vamos caminhando
um pouco de sonho
um pouco de realidade
cestos cheios de alegrias e cestos cheios de tristezas
mas vivemos pela poesia atraves do leitor
um abraço
Agradecemos por seu gentil comentário
Uma honra para nós
Nossos desejos de Boa Semana