Tijolo

 

Nasci do barro,
do peso da terra
e da vontade de ficar.

Levo no corpo
a cor do fogo,
a memória das mãos,
o silêncio das olarias.

Sou pequeno sozinho,
quase nada:
um retângulo rude,
sem canto de música,
sem pressa de flor.

Mas quando me encostam noutro,
quando me alinham,
quando me sonham parede,
viro abrigo.

Seguro o frio do lado de fora,
guardo vozes por dentro,
sustento telhados,
emolduro janelas
para que a manhã entre.

Já ouvi risos,
brigas, panelas,
chuva insistindo na noite,
crianças correndo descalças
sobre o chão da esperança.

E mesmo quieto,
mesmo áspero,
mesmo comum,
sei do milagre:
há coisas que não nascem belas,
mas se tornam casa.

Kleber Luís Antônio Pinheiro

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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