Eu costumava correr por toda sua extensão
Seguia pela praia e parecia não ter um fim
O mar sempre carinhoso prestando a atenção
A cada passo sem nunca se distanciar de mim
Nas tantas vezes que eu me afastei sempre tentou
Encontrar uma forma de mostrar que estava bem ali
Até que um dia eu não retornei e ele enfim se aquietou
Aos poucos o sal que eu carregava se esgotou e me perdi
Foram anos acorrentado ao longe da brisa que me guiava
O terreno onde caminhava se tornava cada vez mais árido
Tão diferente da areia fofa ao qual meus pés antes pisavam
Tornei-me seco envolto às brumas que cobriam o que foi perdido
E o mar com toda sua resiliência encontrou-me vulnerável
Na sua grandeza se me ofereceu remédios amargos e doídos
Deu-me uma porta por onde versos fizeram-me mais saudável
Ainda vivo na noite mas quem sabe ainda encontre um sentido
Abençoado o dia que reencontrei o mar quando a maresia
Dissipou as brumas que me envolviam trazendo-me à terra macia
Hoje me resta uma pequena faixa de areia por onde posso correr
Linhas de uma ou outra poesia que o mar me comprometeu a trazer
Deus abençoe o sal que corre em nossas veias
Carlos Correa
Comentários
Admirável sua inspiração. Um primor sua poesia. Boa noite, poeta.
Parabéns poeta! Bela poesia! Saudações poéticas!
Uma composição poética belíssimo, digna de aplausos! Teu poema me traz aquela sensação de abraço quentinho que só a boa poesia pode dar! Parabéns! #JoaoCarreiraPoeta.
Carlos
o mar inspira versar
parabéns
um abraço