Posts de Frederico de Castro (716)

Pluma flutuante

Como plumas flutuantes caiem na noite
Retunda dóceis lamentos escravizados
Respirando rumorosas caricias bem gizadas

Nos trilhos do tempo cavalgam horas tão
Desalentadas quais brados de prazer perverso
Alimentando a acústica de tantos beijos conversos

Alicio na madrugada a memória reflorestada
De perfumes ardilosos ignorando cada forasteiro
Silêncio que degustamos assim tão bisbilhoteiros

Jaz por fim em toda a minha ilusão a sombra
Da alma empanturrada com esta tamanha solidão
Onde só eu a esmo grito de todo o meu coração

Frederico de Castro

Saiba mais…

Acolá dormita o sol

Põe-se o sol a jusante de uma noite
Que chega rotunda deixando cada muda
Lágrima despedir-se da luz que fenece profunda

Acolá sei que dormita o sol volátil e entristecido
Deixando como fiança todas as luminescências
De um dia prestes a perpetuar-se assim rejuvenescido

Sonolenta e muito constrangida a noite recupera
Sua lânguida e fantástica escuridão, enquanto nós limamos
Todas as arestas a este silêncio quase incandescido…em reclusão

Enquanto além dormita um sonho hospitaleiro, enveredo
Pelo matagal das minhas memórias mais sorrateiras
Filando com toda a hostilidade uma rima que invento tão bisbilhoteira

Quão fácil é arquitectar a magia saltitando entre oníricas palavras
Sempre prazenteiras navegando pela flotilha das paixões, onde sem
Estribeiras aquartelamos mil caricias muito, mas muito certeiras

Exijo a cada hora uma pausa no tempo, qual armistício para
Tantos dos meus desassossegos rotineiros, libertando de uma assentada
Muitos dos ecos e lamentos praguejando intempestivos e derradeiros

Frederico de Castro

Saiba mais…

Inebriante silêncio

  • para Ivan uma voz doce…quase inebriante

Sem pudores a noite desnuda-se sensual
E altiva permitindo que uma hora senil
Vagueie emancipada e consensual

O oceano pacifico remanesce integro
Dissolvendo cada onda que desequilibrada
Nos afoga constrangida e escarpada

À volta do tempo imerge um segundo
Florescente e esquartejado percorrendo
Cada sombrio sonho sempre esfarrapado

Inebrio-me agora com a madrugada
Bem extirpada conjugando todos os verbos
Do amor de forma quase obcecada

Em vagas doloridas e fadigadas acoita-se
Este silêncio tão encrespado cogitando entre
As mortalhas do tempo um lamento febril e apupado

Refugio-me por fim nos flancos da aurora
Matinal onde as sombras cantarolando embebedadas
Adormecem ao colo de póstumas saudades emancipadas

Frederico de Castro

Saiba mais…

Por onde anda a noite?

A noite está aqui
Vestida de breus em comunhão
Vagueando subtil pela escuridão

Vai de vela angustiada
Despe-se de preconceitos
Falece enfastiada

Sem tréguas seduz um
Gomo de luz extasiada
Chora na despedida adiada

Por onde andas ó noite
De vigília em vigília abraçada
À solidão silente...quase asfixiada

Frederico de Castro

Saiba mais…

Catalisando a saudade

No torpor da noite que se avizinha deixo
Um desusado silêncio pernoitar ao colo daqueles
Aromáticos e bem arquitectados lamentos já esclerosados

Sei como tudo se tornou provisório quando a alma
Já cansada se algema a um punhado de eclipsadas
Solidões, algozes, consumidas pela tristeza tão arrasada

E assim aos poucos se esboroa a manhã deixando a
Saudade num exilio quase improvisado,embalando desejos
E caricias ardendo quais archotes na noite fria e crispada

Um fio de luz atrofiado despovoa agora a negrura da solidão
Alvorecendo catalisada por beijos loucos e confessados até que,
Nas cinzas do tempo perdure uma ou mais palavras bem ousadas

Plissando a manhã costuro nas bordas do silêncio aquelas
Imagens de um sonho imbuído de tamanhas e raras insanidades
Aventura embriagada pelo amor vestido de ternas cumplicidades

Frederico de Castro

Saiba mais…

24ª hora

As nuvens vadiando pelos céus escurecidos
À 24ª hora fenecem num breu quase inimaginável
Deixam na moldura do tempo uma lágrima caindo
Nos braços desta devoradora solidão tão interminável

Ensaio nos meus versos uma rima que percorre
Todo o altar destes imutáveis silêncios deixando como
Despojo um fadado lamento caído acolá de rojo

E ficámos nós…mais a sós bebericando com
Raiva cada memória perdida dentro do báu de
Muitas lembranças quiçá insaciáveis

Esquadrinho pela manhã toda a luz esfomeada
Saltitando em cada intervalo de tempo infindável
Esculpindo alguns dos mais ardentes desejos inflamáveis
Arabesco de prazeres afagantes, indiscretos e irrecusáveis

Frederico de Castro

Saiba mais…

Assim agoniza a noite

Procuro no significado dos silêncios
Um eco ou lamento débil regando este tempo
Trajado de fertilizantes solidões tão estimulantes

Confinadas à periferia da frágil madrugada a luz
Repercute uma imensidão de palavras suplicantes
Até se perderem na imune e ténue ilusão assim estonteante

Traçado está o destino de uma hora morrendo sem fulgor
Pois agoniza ainda a noite mais fulgurante num ápice,
Expropriando-me os sonhos improváveis e inquietantes

Na aura do tempo resplandece a vida mais rebelada
E relutante arrumando todos os enclausurados desejos
Que deixámos coniventes, inapelavelmente latentes

Frederico de Castro

Saiba mais…

Sincopados silêncios

É urgente desmistificar o silêncio que
Perdura na lápide do tempo enquanto
Apaparicamos o mar com ondas de beijos
Sempre, sempre mais se repenicando

É urgente deixar espigada a saudade que
Na eira da vida floresce beliscando cada aureola
De esperança singrando de cais em cais até
Aportar apolentas maresias aqui felizes chapinhando

É urgente destruir a solidão mesmo que inequívoca
Reinventar mais amor mesmo que aplacado e unívoco
Deixar nos interstícios do tempo uma memória sempre
Plausível, absoluta, tremendamente resoluta

É urgente amigos deixar suplantados todos os lamentos
Que entranham a alma e se afeiçoam a uma hirsuta mas
Tão delicada hora agregando eloquentes palavras apaixonadas
Oh,ambulante alegria que numa breve síncope te desnudas enfunada

Frederico de Castro

Saiba mais…

Horda de silêncios

Ao longo do tempo demarcam-se
Duas horas intempestivas, deixando
Cada periódico segundo agoniando congestivo

A noite miseravelmente escura e triste
Esconde-se no vão de um lamento tão
Caricato indubitavelmente comutativo e estupefacto

Deixarei a negritude de todas as solidões sitiar
A memória que hoje se descoloriu ao sepultar
A horda de ilusões, quase macabras, ali a locupletar

Oh, como longos são estes dias acomodados
Neste meu silêncio tão endurecido deixando os pêsames
À impetuosa madrugada refastelada com drinks bem destilados

Fiquei a centímetros de uma lembrança sempre
Reverberante e incendiária quando me amordacei a
Tantas anárquicas saudades empoladas e arbitrárias

Numa subtil indiferença a manhã descobre-se altiva
E solidária desfolhando gomos de luz para um céu que
Depois se acende com palavras de uma beleza tão totalitária

Frederico de Castro

Saiba mais…

En passant

A maré regurgitando suas ondas espevitadas
Reencontra-se por fim no leito de todos os meus
Silêncios recatados deixando mais frívolas, aquelas
Saudades bradando às rútilas manhãs bem sedadas

Sepulcros de uma dimensão enorme
Afogam-se numa maresia fluindo despojada
Até que as sombras se acoitem na solidão
De toda a alma carente e desolada

Deixei as memórias abandonadas num baldio
Qualquer quando engoli a noite asquerosa alvejada
Por lamentos apalavrados na madrugada tão melindrosa

Num canteiro deste jardim sussurram as flores com um
Pesar sempre doloroso até que o silêncio en passant acoite o
Pejorativo eco hilariante lubrificando vícios loucos e mais insinuantes

Frederico de Castro

Saiba mais…

Fluídos de luz

Entre as duas da tarde ficou uma hora
Acabrunhada e lívida, descortinando o tempo
Que ressuscitava das entranhas de uma brisa
Envergonhada, genuinamente precavida e amestrada

Sapateou a noite até esmorecer-se o dia preso
A tantos equilibrados segundos morrendo extraviados
Perante a eutanásia de muitos sonhos ferozes e obliterados
Enquanto se assassinavam lamentos tão bem entrincheirados

Acordaram revigorados muitos ecos enérgicos deixando
Em pânico a memória nunca antes lograda ao aprontar com
Malícia uma caricia adornada com fantasias sempre enamoradas

Gótica e ternamente escurecida a noite veste-se de cetins sedutores
Embalando a madrugada numa coreografia tão sensual, qual
Unguento para a inspiração de toda a minha poesia deveras tão virtual

Frederico de Castro

Saiba mais…

O léxico do silêncio

- para Whitney…

Fiquei sentado à beira destes socalcos do silêncio
Enquanto o tempo bordava todos os lamentos
Deambulando por uma brisa feliz que sulcava
O léxico de muitas palavras perenes e enfáticas

Sem alicerces ficou a madrugada deixando a luz
Da solidão entrar pelas fendas desta enorme e tão sádica
Ilusão sempre subjugada…oh ergonómica e redimida
Noite costurada com as mais fiéis caricias bem destemidas

Pendem pelo vão dos meus silêncios uma anatómica
Lágrima comedidamente lânguida e comprometida, deixando
Até a noite mais anémica…presumivelmente coagida e polémica

A suspirarem felizes reabrem-se as pétalas de luz matizando o dia
Que galopa enérgico e esbaforido até que se reencontrem lépidos e nobres
Brados da imensa alegria que jaz em ti , assim  intrépida e compadecida

Frederico de Castro

Saiba mais…

Sem palavras...

O tempo na sua longínqua obliquidade refloresta
A solidão mais engenhosa deixando no marasmo
De cada brisa um sonho que se queda tão pasmo

No parque dos meus silêncios estaciono a saudade que
Paira no vagante olhar das minhas relutantes memórias
Tecendo a noite com escuridões prenhes e mais sensórias

Em seu recanto a madrugada pendura as ilusões num afável
Murmúrio perdido na penúltima hora ressonando e ressoando
Até que acalme meus ais e dormite em mim sempre tão fiável

De surdez feneceu o silêncio deixando uma bagatela de
Palavras embebedarem-se daquele dócil e conivente desejo
Que multiplicámos enquanto crentes…enquanto carentes

Sem palavras ficou uma sombra impassível alimentando
Contemplativos versos que amadurecem tão pungentes
Pigmentando uma rima que espreita sensual e quase insolente

Frederico de Castro

Saiba mais…

Ah...quem me dera

Sim quem me dera nunca estar numa despedida
Quando o barco na hora da partida deixar afundar
A ancora do tempo ou uma palavra ecoando comedida

Quem me dera nestas imensas fronteiras do silêncio
Algemar um eco substancial escapulindo pela fresta
Da solidão engavetada numa ilusão quase torrencial

Quem me dera inverter a saudade que num trote louco
Germina em lamentos memoráveis, deixando só uma
Mecla de caricias tão ígneas a sussurrar de forma inolvidável

Ah, quem me dera sentir o pulso a cada sonho cinzelado
Entre silentes luminescências acontecendo tão exponenciais
Até que pouse na manhã a lívida lágrima escorrendo cordial

Frederico de Castro

Saiba mais…

Quase sobrenatural

Traço no tempo cada efemeridade da nossa
Existência ao redesenhar nos quadris de uma
Hora intemporal suculentos prazeres condensados
Num beijo, diria quase sobrenatural

A noite numa letargia estonteante abriga-se no
Aquário deste silêncio tão integral, qual símbolo
Do amor festejado, almejado assim de forma unilateral
Prisioneiro desta absoluta solidão tão abismal

Embebeda-se o dia com magistrais azuis celestiais
Saúdam coloridas brisas pastando entre emancipados
Prados perfumados de uma beleza sempre jovial

E assim desponta a manhã num primor de sensualidades
Geradas na fimbria de uma alegria quase tridimensional
Degustando desejos assim tão delicadamente viscerais

Frederico de Castro

Saiba mais…

A luz...

A luz da solidão pernoita acordada
Delira constante, metódica, diligente
Urdida num incomensurável momento urgente

A luz esbate-se pela madrugada fora e
Desemboca voraz no cais dos silêncios prepotentes
Oh, pudesse eu, inspirar-me sempre com palavras coerentes

A luz apaga-se um dia e noutro desperta ígnea desejada
E tão luzente,deixa à tangente da nossa existência um
Cardume de adocicados abraços prolíficos e coniventes

A luz esmaecida e reverberante delira entre mim e ti
Despista-se nas vielas da noite inócua e quase insolente
Adormecendo num incabível silêncio, remoçado, incauto…veemente

A luz num êxtase magistral encobre suaves gomos de alegria que
Se dissolvem num eco matinal,cauteloso e emoliente para que,
Dessedentem cada sombra vagando nesta escuridão quase decadente

A luz toma de assalto todo eco e lamento que grita copiosamente
Alonga-se em lascivos desejos desesperadamente estridentes
Embebeda-se num cálice de vendavais caricias quase transcendentes

A luz pincela todas as ilusões derradeiras mas aconchegantes
Empoleira-se entre a occipital razão de todos os amores
Até se esmagar nas falanges de tantas solidões às vezes tão asfixiantes

Frederico e Castro

Saiba mais…

Beijos da meia noite

Respiro da noite coincidentes gomos de luz
Que adormecem exilados na memória deste tempo
Tão dissidente deixando no artesanato da poesia
Sílabas e rumores do coração, batendo, batendo estupefacto

Traguei de uma só vez todos os lamentos embebedando
A antropofagia desta solidão quase impudente deixando
Alucinações boiando num mar de desejos diria, quase evidentes
Oh…irada hora inutilmente repetitiva…nitidamente aflitiva

As insónias por vezes recorrentes deslocam-se entre
Metáforas perplexas esboçando na madrugada a magia
Que filtro a cada luar, alado majestático, quase glorioso

Impus à razão toda a minha fé firme e cortês deixando
Que as leis do amor governassem o estado de emoções tão
Verazes regendo a orquestra de beijos e afagos cada vez mais audazes

Frederico de Castro

Saiba mais…

Adornos do silêncio

Aglutinam-se em mim comovidos gomos de
Luz tão ávidos e fraternos que cicatrizam
O dia que nasce feroz, dissolvido em gratas
Esperanças, fidedignas…eternas

No seu espectáculo magistral adorna-se todo
O crepúsculo deliciando a sinuosa amanhã que
Reverbera com uníssonos beijos tão levianos e coesos

E foi ali que supus este silêncio que patinava na
Minha solidão quase astuciosa elevando místicas
Palavras trajadas de poesia subtil e ardilosa

Dormita assim toda inspiração que recrio nesta
Noite tão surpresa e cautelosa, antes mesmo que
A solidão trote em mim de forma tão caudalosa

Frederico de Castro

Saiba mais…

Em cada ramo do silêncio

 

Em cada ramo do silêncio, um eco, um lamento 
Inescrutável...tantos desejos pernoitando na fria 
Laje do tempo onde murmúrios se soterram 
Brutalmente inimputáveis

Em cada ramo do silêncio, deixo meus sonhos 
Embrulhados numa metáfora despertando inimaginável 
Até que uma brisa bravia se desnude em mil ternos
Afagos tão inexoráveis...

Frederico de Castro

Saiba mais…

Procura-me...

Encontro nas maresias do silêncio uma
Légua de solidão, tão embebedada,
Quase molestada e tão consternada

Em pleno êxtase a noite colide com as
Partículas de ilusão mais apaixonadas qual
Infindável hora enlanguescida fenecendo chacinada

Procuro e encontro só a solidão indefinível
Incorrigível e tão obstinada…e até sei como ela
Por mim se aventura sempre profusa e refinada

Procura por mim e acharás decerto todos os
Contornos do tempo escorrendo numa mescla
De pungidos lamentos quase geminados

Das entranhas da noite senil divagam palavras
Tão lúdicas, tão concubinas deixando todo meu
Tétrico ou tântrico desejo suando até às estopinhas

Procura por mim num vácuo de silêncios traquinas
Pune-me com ausências agora tão fatais
Recosta-te na minh’alma ornando-a de alegrias quase geniais

Vai …procura e encontra-me escondido entre a penugem
De muitas emoções bailando numa brisa tão confortada
Perscruta o tempo e traga-me de vez nesta rima mais excitada

Vai afaga-me os sonhos e encontra aqueles beijos perdidos no
Cântaro da solidão onde nas profundezas dos nossos instintos
Orbitámos cada aprazível vicio feito maná do amor jamais indivisível

Vai e emprenha-me a razão de todas as minhas saudades e te darei
No último sopro de vida…minha vida tremulando seduzível, no émulo
Momento final onde as sombras se desnudam num bailado inconfundível

Embebeda e deseja-me até ao cúmulo de todos os cúmulos…absolutamente
Goza-me até ao estertor dos nossos seres…no pretérito mais que
Perfeito qual lânguido e bárbaro momento vivido freneticamente

Frederico de Castro

Saiba mais…
CPP