
Tercetos de Reflexões
Singela a singeleza silencia na sarcopenia do tempo,
Coisa dita da melhor idade escorre pelas mãos,
Irritante é envelhecer sem desaprender o vento.
Sapiência tropeça na ciência da pegada esquecida,
Um polichinelo no vazio patente do idiota dança,
Braços fortes de creatina sustentam a dúvida da vida.
Engenharia motora falha no colágeno amigo da ilusão,
Moda da esquina veste a moda do algoritmo apressado,
Suplementos cereja do bolo mofado da evolução.
Raízes apodrecidas de tanta água em demasia,
água da caixa de amianto azeda a memória do corpo,
E mesmo assim o céu azulado insiste em poesia.
Luz amarelada de Vincent van Gogh pinta o sete da eternidade,
Genial é o gênio que rasga o véu do visível,
E alguém deixa legado verdade ou falsidade?
Legatus… missão crucial na humanidade em finitude,
Dióxido de carbono, cão assassino invisível,
Destroça ossos com sua doce e lenta amplitude.
Amenidade e sinceridade tropeçam na sustentabilidade do quê?
Dos pés árvores plantadas na montanha de pé,
vivência e sobrevivência discutem com a conveniência de ser.
Paciência assina logotipo no contratipo do destino,
Caminhos e trilhas cruzam o vazio existencial,
Humano sem religião pergunta: quem sou, divino ou menino?
Ética e moral religião da fé nas mãos calejadas,
Trabalhos manuais constroem catedrais invisíveis,
Poeta e poesia riem das formas pré-formatadas.
Versos livres ou soneto, e daí, pergunta Gravataí,
Cidade das almas gêmeas em incredulidade,
Saudade dança com hiperatividade até cair.
Solidariedade abre asas como o condor do poder,
Fortalezas desabam nas próprias fraquezas,
O mar vermelho nuclear pulsa no medo de viver.
Finitude é atitude diante do nada que respira,
Clark Kent tira os óculos e não salva o tempo,
E John Lennon sussurra: Imagine… enquanto o mundo conspira
Fim
A Domingos
24 de abril de 2026