A Essência
A essência da minha vida me engrandece
ao chutar um balde de excrementos
em tua cara limpa
Desprezível ser!
Os sentimentos que me brotam são de prazer.
É certo que todo meu egocentrismo
reduz-me a nada
por isto nesta vida de cão
por ti já levei muita porrada
mas finalmente aprendi
que a vida não terminou não
e assim que eu bati
a minha cabeça na miséria que te cerca
toda a minha idolatria veio ao chão.
Eu fui condenado à revelia
meus passos marcados no livro da vida
de ti só conheço a sentença
que me fere sem mostrar a ferida
pálida e triste esta doença.
Eu olho no espelho e só consigo ver o feio
fecho meus olhos e te quebro ao meio
com um agudo grito de horror
e dos teus cacos o chão fica cheio
das minhas partes exasperadas pela dor.
Alexandre Montalvan
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Comentários
A reflexão das próprias atitudes e tomadas de decisões tão necessária para a melhoria do eu interior.
Parabéns pelo poema.
Parabéns, poeta, poema lindo, primoroso, o poeta expõe nos versos certo desconforto com o mundo que o cerca, certo ceticismo quanto a "bondade humana", achei linda esta viagem ao seu "EU" interior. Desculpe-me se errei ao fazer a análise... Abraços, paz e Luz!!!
Obrigado pelo comentário e análise poeta Ilario!
Realmente é uma viagem do "eu poe´tico" consigo mesmo, apenas o desconforto e agressividade é com sua própria imagem que se reflete no espelho, tanto que no final ele observa suas partes nos cacos do espelho que ele quebrou com um grito de horror. Ele conversa com o reflexo como se fosse outrem, mesclando a conversa com ele mesmo, talvez por este motivo ficou um pouco confuso, acho que foi isto! rss
Obrigado e um forte abraço
alexandre