É este todo meu
aceno cordial deixado
ali gotejando pouco
a pouco
uma ténue e desesperada
recordação inscrita
numa alma morrendo
debilitada
É este o sentir
do tempo em soerguimento
onde nos exilamos
resvalando poesia quase
lacerando meu coração
intolerante
memorizando no futuro
todas as respostas errantes
num curto intervalo onde
justificámos cada pensamento
ali embuçado
juntinho a todo o despojo do dia
que migra fulgurante…alvoraçado
É aqui
onde pernoita o espólio
dos meus silêncios
que embebedo este poema
com palavras de afecto
trazendo-te a noite
em fantásticos clarões de amor
cessando todo trágico eco
que se debruça, soluçando
em flagrante esplendor
Vamos repartir entre nós
este gomo de luz que ilumina
todas as escuridões da vida
Vamos imiscuir-nos
no tempo com todas
as falanges de paixão
monitorar o Universo com
palavras trajadas de lembranças
perfeitas
rugindo a cada sopro de vida
escrutinador embebido no lagar
da minha feliz colheita
Desfez-se nos ventos
aquele tornado de paz
onde sequiosos adormecemos
nossas aparências discretas
mendigando ao despojo do dia
a total invasão de todos os teoremas
onde matematicamente legalizamos
não mais (in)diferenças
não mais (in)vencibilidades
não mais i(m)possibilidades
nunca mais (in)conformismos nem vulgaridades
apenas o pronúncio nos instintos
quando assim nos entregamos entrelaçados
respirando só de desejos…famintos
Frederico de Castro
Comentários
Muito lindo, pra mim cada estrofe é um poema. Lindíssimo.
Destacado.
Esplêndida criação! Imaginação fértil!
O espólio é o que resta e ficou nos versos
tão ricos e criativos! Bjs.