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  • Amiga gata Neneca

    Dona Viviane ama gatos.

    Até os que são deixados na rua ela procura dar um destino certo para eles. Leva para casa, cuida dos bichinhos e depois vai procurando alguém para adotar.

    Os gatinhos pretos são os mais azarados, parece que pouca gente gosta deles.

    Há pouco tempo apareceu uma linda gatinha preta no jardim da Dona Viviane, estava toda machucada, alguém tentou matar a bichinha. Pois é que a senhora pegou a bichinha, cuidou, castrou e ficou com ela.

    De vez em quando aparece uns gatos na casa de dona Viviane, querendo namorar a Neneca. Neneca é o nome da gatinha negrinha. É preciso esconder a gatinha para que ela não seja estuprada. De vez em quando até no reino animal encontramos a perversidade contra o sexo feminino. Os machos se acham donos e se acham no direito de bulir com a fêmea, mesmo ela não querendo

     Mas a Neneca é muito esperta, ela conseguiu fazer um buraco debaixo da proteção do sofá da sala e entra nesse vão e fica lá bem quietinha, quando, ouve miados e intui qualquer perigo.

    Acompanhando a vida dos felinos, dona Viviane conseguiu aprender muita coisa, inclusive sobre cada tipo de miado, que eles fazem em dado momento querendo alguma coisa. E ela observou que a Neneca fez amizade com outro gato também castrado. E de vez em quando correm pelo quintal, brincam e se fazem companhia. Como pode um animal com a sua inteligência, saber bem quem pode ou não lhes fazer mal. Os dois gostam de ficar fazendo festa em noites de lua cheia, aproveitando a claridade das bela noites da lua, nessa fase. A Neneca aproveita que o amigo está por perto, e sobe até no telhado da casa, ela gosta de ficar vendo a lua, dá para notar que ela fica feliz. E dona Viviane fica embebecida contemplando a sua negra gatinha e seu comportamento atípico, diferente de todos os outros gatos.

    Outro dia dona Viviane deu falta da gatinha amada. Ficou triste procurando e nada de encontrar a gatinha, de pêlos negros sedosos, alegria da casa. Passado uns três dias ela foi arrumar algumas roupas no guarda roupa do quarto de visitas, e qual não foi a sua surpresa ao encontrar a sua gatinha morta dentro de uma gaveta meio aberta. A gatinha havia sido envenenada e morreu dentro de casa, no conforto de seu lar, do carinho de sua dona.

    Foi uma choradeira danada, o amigo da Neneca ficou muito triste também por dias inteiros.

    A saudade da Neneca se faz sentida até hoje, uma preciosa gata, de pêlos negros, que poderia ter sido morta na rua, por puro preconceito com a sua cor, por superstição, ou mesmo caçada para se fazer algum trabalho em algum terreiro de macumba. A lua no céu perdeu uma admiradora, ela foi para o paraíso das alminhas do gatos, mas as lembranças e fotos, a dona Viviane guarda com carinho.

     

    31/10/2018

    Norma Aparecida Silveira de Moraes

     

    • Lindo, Norma!

    • Não sei ainda está em tempo, fiquei uns dias sem entrar na CPP, mas hoje lendo meus e-mail encontro este tema que tanto amo...

  • Maria Batalina

    Uma senhora toda alquebrada com traços bonitos, embora envelhecida residia em uma casa de madeira que fora de seus conhecidos.
    Seu apelido era Maria Batalina, seu nome verdadeiro, ninguém sabia.
    Vivia com um gato preto bem tratado e não se via mais ninguém naquele tosca casa.

    Alguns vizinhos antigos da vila contavam que ela aparecerá ali com os tropeiros que vinham do sul, rumo a Capital. Aparecera com o gato e ficara. Quando ali chegara era uma mulher nova e bonita.

    Fixara-se naquela casa e cada vez que as tropas passavam ela acolhia os cavaleiros com comida e água para os bois, umas pessoas diziam que ela era benzedeira, curava as pessoas que tinham feridas pelo corpo, com suas poções feitas com ervas.

    Era simpática a todos e seu comportamento era sozinha depois que as tropas deixaram de passar por ali. Os bois passaram a vir transportados por caminhões.
    Sem os cavaleiros, sua vida tornou-se rotina, cuidava das ervas, dava a quem precisava, mas não benzia mais ninguém. Dedicava-se a cuidar dos gatos abandonados pela rua, embora tivesse o seu de estimação.

    Maria Batalina não contava sua vida a ninguém. Quem a visitava era bem tratado, mas ela pouco falava, mais ouvia. Sempre que alguém chegava em sua casa, seu gato assentava em seu colo e ali adormecia.

    Quem a procurava podia contar seu segredo, pois, era um túmulo. Não comentava com ninguém. Sua distração era as ervas e os gatos abandonados.
    Seu gato passeava toda noite pela cerca da casa e causava medo aos vizinhos pelos olhos brilhantes e arregalados.

    Uma noite de lua cheia o pessoal da pequena vila se assustou; Maria Batalina cantava alto e afinado um belo fado. A vizinhança calou-se para ouvir. Todos espantados com sua atitude. Cantou até a lua ir embora, vir o amanhecer. Passou a repetir essa cantoria todas as noites de lua cheia.

    Encantado com sua voz, Flávio, o professor da escola da vila fez uma visita a ela.
    Aquele dia Maria Batalina falou. Contou que veio de Portugal muito pequena com seus pais e aprendera cantar com sua mãe.
    Que com o passar dos anos a solidão da velhice lhe trouxe lembranças e começou cantar para espantar a saudade. Seu gato era o único amor que sobrara na vida.

    Flávio emocionado com a história da velha passou a ajudá-la no cuidado com os gatos abandonados e nos afazeres da casa.
    Ela passou os últimos anos do viver tendo a seu lado o gato e um amigo fiel e prestativo.

    Depois de sua (morte) Flávio fazendo uma faxina na casa, como ela pedira, em uma gaveta do criado mudo encontrou um endereço de uma Casa Noturna numa cidadezinha do Rio Grande do Sul, onde ela se apresentava como cantora.

    Seu verdadeiro nome fora revelado e havia um Rosário da cidade de Fátima, em Portugal, que ela deixara para o generoso amigo, com seu gato preto e a casa em ruínas.

    Márcia A Mancebo
    (23/10/18)

    • Muito belo conto. Aplausos mil

    • Obrigada querida

  • Oi gente. Agora que recebi sobre o conto ou causos. Gosto do tema. Sorrisos. Ma sestava sem encontrar o espaço. Agora achei!!!! Obrigada. 

    Vou escrever a noite..... Abraços meus

  • Adm

    Alguém mais?

  • Adm

    A última casa da rua principal

     

    D. Joana ficara sozinha após a morte de seu companheiro. Nunca gostou de festas, se esquivava do meio social, pois não gostava de aglomeração. Morava na última casa da rua principal da comunidade chamada de Pau D’água.

    Nunca foi vista fazendo compras nas tabernas da comunidade vizinha, constantemente, estava vestida do mesmo modo. Usava saia longa lisa e reta até os pés, uma blusa de tecido floral bem triste, de mangas longas ou três quartos. Na cabeça, tinha sempre um turbante preto, o que lhe dava um ar de austeridade.

    Caminhava com o auxílio de uma bengala e, volta e meia, ela cuspia como se borrifasse o cuspe da boca para fora, o que indicava que ela mascava tabaco. Sua casa era, igualmente, sombria, não abria as janelas e recebia suas visitas, sempre, na varanda.

    Havia algo estranho em D. Joana, ela nunca se sentava para prosear com seu visitante, era monossilábica na conversa e, ficava de pé apoiada na bengala. Talvez esta fosse uma atitude indicativa para o visitante não se demorar.

    Moradores da comunidade tinham receio de manter uma boa vizinhança. Mantinham distância até dos gatos que andavam sobre a cerca de madeira que rodeava a casa. Diariamente, viam-se fumaça saindo pela chaminé da casa e todos indagavam sobre o que tanto aquela mulher misteriosa fazia.

    Alguns moradores diziam que ela servia carne de gato aos visitantes que ficavam para o almoço quando convidados. Um dia, por puro acaso, Eurico foi visitá-la, chegando à porta bateu palmas, uma, duas, três e nada de D. Joana aparecer.

    O rapaz, intrigado pelo fato de que ela não saía de casa, buscou descobrir se havia algo errado, ao se agachar e olhar pela portinhola por onde os gatos passavam, viu a senhora caída ao chão. Imediatamente, pediu ajuda de um vizinho, deste modo abriram a porta para descobrir a senhora rodeada pelos gatos, completamente desorientada.

    Joana foi levada para o hospital da comunidade vizinha, lá o médico que a socorreu, diagnosticou derrame e infarto, mas, infelizmente ela não resistiu e veio a óbito na tarde do seu internamento. Eurico voltou a casa e descobriu uma carta dentro de um livro de receitas de geleias que ficava sobre a mesa da cozinha. Na carta ela dizia que como não tinha filhos e sendo Eurico a pessoa que mais a visitava, deixava sob sua tutela os 21 gatos e todo o estoque de geleias de pororoca, pimenta e tamarindo.

    Eurico tratou dos tramites do velório e do sepultamento. Mudou-se para a casa sombria para cuidar dos gatos, mas os gatos, um por um foram morrendo. A casa ganhou pintura e um jardim na frente. Aquele ar austero, agora, fazia parte do passado.

     

    Edith Lobato

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