Respostas

  • Eterno

     

    Era na varanda que se encontravam. Assim que ouvia o tropel da besta ferrada nas pedras da calçada, se esgueirava pela casa, cuidando-se de pisar leve nas tábuas rangedeiras do piso. Lamparina apagada na mão, o esperava. Ouvia-o desarrear o animal, raspá-lo e colocar a cuia de milho no cocho. Os dentes da mula triturando o cereal e o tinir das rosetas em cada passo do amado. Se abraçavam e o amor se dava ali mesmo no assoalho. Sem culpa, sem medo, sem pudor...

    Eles sabiam que, entre os vivos, só a menina mais pequena os podia ver.

     

                                  Efepê Efe Oliveira – 11/08/21 – 22h22’

  • A rua

     

    Havia uma estrada que levava aqueles arredores, que eram pouco habitados. na verdade, no final da rua, tinha somente um casebre velho, e antes uma antiga figueira, que estava ali desde tempos imemoriais, e umas três casas que compunham a paisagem triste e abandonada daquela ruazinha.

    Durante o dia , poucos circulavam por ali, a noite, quase ninguém, e nesta noite fria e chuvosa, o carro de Frederico, assolou a ruazinha, inusitadamente. Parou, justamente naquela trecho onde havia a figueira, ele, sempre muito arrojado, tinha decidido sair pelos arredores da cidade e foi acabar justamente lá, saiu e olhou o lugar, feio e esquisito. Sem medo, acendeu um cigarro, e se pôs a olhar de onde estava a paisagem de outro ponto de vista. Queria algo novo, ele era arrojado e inovador, porque será que ninguém tinha prestado atenção naquela rua? Olhou, umas lâmpadas acesas nas poucas casas da rua. a árvore centenária, e o velho casebre abandonado. Com um pouco de audácia e dinheiro transformaria aquilo num ótimo empreendimento. Decidiu voltar ao carro e ir embora, proporia a construtora esta ideia, afinal ele como acionista, tinha lá seus privilégios, e iria brigar para mudar aquele lugar. Antes de entrar no carro, ouviu um ruído nos arbustos, ao lado, pegou a lanterna no carro, e foi conferir, deveria ser um préa, um gato ou um cachorro, ele gostava de animais. Não precisou muito foco de luz, e viu sair correndo lá para o casebre um gato assustado, e por isso um tanto agressivo. Subiu no muro, encolheu-se entre os arbustos, e ficou a emitir sons, que deixaram Frederico cismado. Tentou chamar o gato, mas este estava arredio e se enfiou no meio do mato alto, ao redor do casebre. Gatos, sempre os gatos, pensou Frederico. Tudo acontecendo como ele queria, os gatos ali teriam mais companhia, quem sabe ele até seria adotado. Se viu falando sozinho, riu da situação. Entrou no carro e seguiu para casa.

     

     

    Lilian Ferraz

    26/05/2021

  • seria postar contos sem o tema da imagem proposta? Tema livre????

    • Gestores

      Norma, como a Angélica falou, aqui a proposta é compor contos sobre esta imagem acima. A atividde ficará aberta, indefinidamente.

    • Gestores

      Norma, seria criar um conto sobre a imagem proposta acima, igual no Imagpoesia, só que aqui é um conto. 

  • Gestores

    up

  • Gestores

    Olá poetas!

    A oficina continua aberta para quem desejar compor um conto sobre esta imagem.

    Insipirem-se!

  • Amiga gata Neneca

    Dona Viviane ama gatos.

    Até os que são deixados na rua ela procura dar um destino certo para eles. Leva para casa, cuida dos bichinhos e depois vai procurando alguém para adotar.

    Os gatinhos pretos são os mais azarados, parece que pouca gente gosta deles.

    Há pouco tempo apareceu uma linda gatinha preta no jardim da Dona Viviane, estava toda machucada, alguém tentou matar a bichinha. Pois é que a senhora pegou a bichinha, cuidou, castrou e ficou com ela.

    De vez em quando aparece uns gatos na casa de dona Viviane, querendo namorar a Neneca. Neneca é o nome da gatinha negrinha. É preciso esconder a gatinha para que ela não seja estuprada. De vez em quando até no reino animal encontramos a perversidade contra o sexo feminino. Os machos se acham donos e se acham no direito de bulir com a fêmea, mesmo ela não querendo

     Mas a Neneca é muito esperta, ela conseguiu fazer um buraco debaixo da proteção do sofá da sala e entra nesse vão e fica lá bem quietinha, quando, ouve miados e intui qualquer perigo.

    Acompanhando a vida dos felinos, dona Viviane conseguiu aprender muita coisa, inclusive sobre cada tipo de miado, que eles fazem em dado momento querendo alguma coisa. E ela observou que a Neneca fez amizade com outro gato também castrado. E de vez em quando correm pelo quintal, brincam e se fazem companhia. Como pode um animal com a sua inteligência, saber bem quem pode ou não lhes fazer mal. Os dois gostam de ficar fazendo festa em noites de lua cheia, aproveitando a claridade das bela noites da lua, nessa fase. A Neneca aproveita que o amigo está por perto, e sobe até no telhado da casa, ela gosta de ficar vendo a lua, dá para notar que ela fica feliz. E dona Viviane fica embebecida contemplando a sua negra gatinha e seu comportamento atípico, diferente de todos os outros gatos.

    Outro dia dona Viviane deu falta da gatinha amada. Ficou triste procurando e nada de encontrar a gatinha, de pêlos negros sedosos, alegria da casa. Passado uns três dias ela foi arrumar algumas roupas no guarda roupa do quarto de visitas, e qual não foi a sua surpresa ao encontrar a sua gatinha morta dentro de uma gaveta meio aberta. A gatinha havia sido envenenada e morreu dentro de casa, no conforto de seu lar, do carinho de sua dona.

    Foi uma choradeira danada, o amigo da Neneca ficou muito triste também por dias inteiros.

    A saudade da Neneca se faz sentida até hoje, uma preciosa gata, de pêlos negros, que poderia ter sido morta na rua, por puro preconceito com a sua cor, por superstição, ou mesmo caçada para se fazer algum trabalho em algum terreiro de macumba. A lua no céu perdeu uma admiradora, ela foi para o paraíso das alminhas do gatos, mas as lembranças e fotos, a dona Viviane guarda com carinho.

     

    31/10/2018

    Norma Aparecida Silveira de Moraes

     

    • Gestores

      Que final triste para a Neneca! 

      Aplausos elo teu conto, Norma.

    • Não sei ainda está em tempo, fiquei uns dias sem entrar na CPP, mas hoje lendo meus e-mail encontro este tema que tanto amo...

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