Saudade débil
Saudade débil
Sabes o que fica
Sabes — tu sabes tão bem
o quanto eu sinto que sei,
quando o que sinto
me emociona ao saber também.
Já é fria a tua distância há tanto tempo
que quase congelou o meu coração.
Nem os cobertores afastam a emoção,
de tão dura que é a saudade neste momento.
Tenho-te na mão como um conhecimento,
onde nua e doce foste um vulcão.
Hoje não sei se é sofrimento
ou se é a ilusão que está mais à mão.
Porque não sei de ti, mas sei
aquilo que se passa dentro de ti.
Sinto o que digo e o que te chorei,
foi sem palavras ditas onde me perdi.
Sabes, a dor não explica tudo.
Prefiro os momentos simples a teu lado,
com todo o tempo do mundo,
que na distância de hoje eu reparei…
Quanto Basta Q. B
Sei quem sou e o que dou,
Quem fui e o que te dei.
Mas fui quem te magoou,
E fui eu que te amei.
Escolhi ser eu contigo.
Nunca aceitei tapar o sol com a peneira.
O meu limite é a nossa paz —
Não a do teu umbigo.
Ele foi a nossa ruptura,
E a tua, a tua asneira.
Hoje, se o sentires, escrevo-te aqui,
Para que a tua maturidade e coragem se expressem.
Reduzes a lista de a fazeres sobre ti,
Onde o “quanto baste” ainda te fere.
Sim, Q. B é o quanto basta.
Não é um querer só por merecer,
Um desejo pequeno que só nos afasta.
É um amor maior, que ilustra o amor e o merecer.
Sem te obrigar, hoje é uma obrigação...
Sem te dizer nada, eu falo.
O meu limite é o fim da tua manipulação.
Tenho intensidade — não aquilo que procuras.
Sou um espelho depois do amor.
Se concordo com o passado,
A minha emoção bate dura no meu coração.
Bruno Alves
Meu gato
Tu que me trazes lumes da noite para casa
Beijas-me com a tua alma pura incolor
O meu cansaço
O teu silêncio cheira o que o corpo disfarça
Mas a alma sente e emana.
O teu amor faz todo o sentido .
Carregas na tua gentileza, um ar de privilégio
Por que te ter é saber merecer
Contigo poucas palavras são energias e significados
A tua fieldade selvagem é especial recíproca e com boa fé.
Por isso dormes a meu lado
Quando o teu olhar me olha diz me o que preciso ouvir
É aquilo que basta e é único sentir.
Bruno Alves
O Piano que Caiu do 10º andar
O silêncio não é nenhum desespero.
Por horas, por meses ouvi esse piano,
e algo mudou em mim, sim, o desapego,
E o gosto por isso não ser tática ou plano.
O resgate emocional em mim floriu,
O poder regressou-me a cada dedo.
Voltei a tocar piano, e a minha essência ouviu
Tudo o que eu guardava em segredo.
Agora sou luz , magnético e sensual,
A minha alma enfim sentiu o meu coração ,
E hoje uma paz respira livre e é tão casual.
Que fez cair o piano do 10° andar no abismo da ilusão.
Bruno Alves
Sou isto
Eu já fui mago do universo
Dei-me por inteiro a alguém
Escrevo poesia escrita por bem
Onde se vê o amor do lado inverso.
Eu que me amo e pago o custo
Ergui muros altos para me esquecer
Da magoa pura que eu sinto e que me assusto
Quando junto ao mar eu não me sei ser.
Sei que a cada dia que se ama
Eu amo-me cada vez mais amor!
Se quem mente engana,
Quem acredita tem mais valor.
Bruno Alves
Amo-te mas não preciso de ti
Amo-te, mas não preciso de ti.
Amo-te incondicionalmente.
Tenho o amor no lugar certo — e certo de si —,
onde me deito habitualmente.
É verdade que o amor é assim:
estou com a lua e o sol ao pé de mim,
respiro tudo, sorrio mais quando ando na rua.
É novembro, cheio de sol — e um brilho flutua.
Hoje vou morder a noite,
porque sei o que é sofrer;
libertei-me de quem não me amava,
como um acordar de quem estava a falecer.
Abri portas e janelas para a tua beleza entrar,
e só no fim percebi:
era infeliz, e no tempo que passei a olhar para ti
não tinha voz, nem sabia o que era cantar.
Já nem sabia o que era o mar...
Por tanto te amar...
Adormecer e sonhar
Na cama do rei e da rainha
Somam se os reinos
Fazem se rainhas
E assumem se os guerreiros
Não há chuva que não se culpe
Por uma trema tempestade
Ter de dar ao sol quem de nuvens é crente
E não ter descanso ao acordada a guerra
Amor de rei ,se é que o tens , tens de o admirar
Quem mordeu o sol ao amanhecer ?
E perdeu a luz ao adormecer?
O que resta é deitar, adormecer
e sonhar...
Bruno Alves
Isto não é boa poesia
A poesia quando é boa
Não é mágoa nem dor
É vida
É sentida e é vivida
é transparente como a verdade
Transborda emoção mas não é um vinho.
É arte
É um viver e um sentir
É sentir tudo sem mesmo querer
Os poemas são momentos de energia
Eles brilham junto à luz das estrelas...
Poesia é ver as estrelas durante o dia
E ser poeta é saber cumprimentar o cosmo.
A boa poesia vem de dentro
faz vibrar, faz arrepiar e até por vezes chorar...
Lugar onde nada pode ter tudo
Mesmo que tudo não seja nada
A poesia diz isso tudo,
Fala conosco e até arrepia a pele se for boa Depois de escrever poesia
Transcrevi-me para o papel
Onde deito o meu olhar
Descanso o meu respirar
E adormeço o meu coração.
Bruno Alves
A saudade aperta
Quantas vezes nem oiço nada,
Por estar a pensar em ti
Ou no nada em que me deixaste,
Onde estou alheio com uma insónia.
Sinto tanto,
Dói tanto em tanta coisa que sinto,
Que sinto saudade em tudo o que penso. Sou sensível, eu sei,
Mas se não for materialista, serei poeta.
Hoje que chove e tudo me entristece,
Como uma mágoa seca que apagou o fogo,
Se tudo ardeu, porquê é que penso em ti?
No amor e nas longas noites com beijos teus?
Bruno Alves
O nosso amor
Há uma grande verdade na energia das coisas:
umas são equilíbrios, outras são caráter;
umas acontecem porque estamos alinhados,
outras, pelo que damos e recebemos...
E se isso somos nós, meu amor?
Que sejamos sempre luz um do outro,
onde nos doamos,
onde, sempre que nos amamos,
Somos nós por dentro e por fora.
E na tua luz que me ilumina
que eu fique sempre maravilhado,
a cada momento de amor que te dou.
Mas, não te percas por aí...
Se conforto é lugar,
ele fica no nosso abraço,
onde te beijo e digo "amo-te"
em silêncio na tua boca.
Bruno Alves
A energia e as minhas palavras
Há um vago sinal na energia das coisas
Umas esperam-se como quem prospera
Outras acontecem porque estamos alinhados
E na leitura dessa energia somos o que somos nós...
Na energia de hoje estou equilibrado
Amanhã posso ser como o mar e ter a maré vazia
Mas dentro de mim há sempre um sonho a explodir
Um gosto pela arte, um eterno sentir.
Não quero mais do que aquilo que sou
Sou o que sou e sinto
Se estou calado é porque estou calado
Se falo nunca minto
Bruno Alves
Sou o sol
Sou o que o sol e a lua me fazem sentir.
No fim, sou isso.
Amanhã já serei mais velho,
ou estarei diferente.
Mas aprendi a sentir,
a medir a distância entre o sol e o mar...
por isso sei a distância das coisas.
Se me perder nos cálculos,
sempre estive comigo
e com as mãos no teu corpo,
onde amor é lenha e prazer é lareira,
a quem dou satisfações.
O mar disse-me que ser sol é espetacular,
sem o sol o mar não brilha,
é sombrio,
Que sol a faz brilhar .
O mar à noite é como tu.
Por isso é que vou ver o mar
para te aquecer e para te amar
e ser sol de cada amanhecer.
Bruno Alves
💜 O Eco do Amor Interior
Dueto com a poesia de Bruno Alves
por Therezinha Sant’Anna
O amor não se perde,
porque aquilo que nasce em verdade
permanece além do tempo.
Às vezes apenas silencia,
esperando que a alma amadureça
para compreender o que não se explicou.
Aprendi que os gestos falam
muito além das palavras,
e que há caminhos que só o espírito
tem coragem de percorrer.
No silêncio, Deus ordena
o que a vida ainda não nomeou.
Carrego comigo essa escola do sentir:
ouvir o que não tem som,
ler o que não está escrito,
acolher o que chega leve
ou o que pesa como lembrança.
Somos feitos desse encontro misterioso
entre o que guardamos
e o que nos guia por dentro.
O amor esse que a alma conhece
não precisa de lugar para existir:
ele vive onde Deus permite,
e cresce onde o coração entende.
Therezinha Sant'anna
(Inspirado no poema "O amor não se perdeu" de Bruno Alves