O Catalisador Silencioso
Fui a força que buscavas, o pilar que te faltava,
O espelho da resiliência que em ti não habitava.
No projeto da vida, que construí com suor,
Eras o caos que vinha, para fazer tudo pior.
Fui o catalisador, sem o saber, sem querer,
A maturidade e a força que te faziam tremer.
Mostrei-te um rumo melhor, uma paz que não conheces,
Mas tu, na tua imaturidade, desperdiçaste as preces.
Chegavas nos meus piores momentos, com um ar de quem sente,
Mas a tua abordagem era um jogo, carente e demente.
Olhares cintilantes, sorrisos que diziam "volta",
Mas as tuas ações eram vazias, uma revolta.
Eras a busca por controlo, pelo poder que não tens,
A tentar quebrar barreiras, que não entendes nem vês.
O namorado, o filho, eram peões no teu tabuleiro,
Numa peça de teatro que tinhas como roteiro.
Mas o meu silêncio é a resposta, a minha indiferença a muralha,
A tua falta de coragem, a tua maior batalha.
Quiseste a minha força para te elevar,
Mas a mudança tem de vir de dentro, do teu próprio lugar.
A obra está quase pronta, eu segui o meu caminho,
Protegi o meu coração, o meu jardim, o meu ninho.
A tua ironia é que chegas agora, com o projeto no fim,
Quando a pessoa que te aceitaria já não vive dentro de mim.
O catalisador funcionou, mas não como esperavas,
Fez-me crescer, fez-me forte, enquanto tu estagnavas.
A porta está fechada, o limite bem traçado,
Enquanto não houver coragem, não há futuro ou passado.
Bruno Alves
💜 O Eco do Amor Interior
Dueto com a poesia de Bruno Alves
por Therezinha Sant’Anna
O amor não se perde,
porque aquilo que nasce em verdade
permanece além do tempo.
Às vezes apenas silencia,
esperando que a alma amadureça
para compreender o que não se explicou.
Aprendi que os gestos falam
muito além das palavras,
e que há caminhos que só o espírito
tem coragem de percorrer.
No silêncio, Deus ordena
o que a vida ainda não nomeou.
Carrego comigo essa escola do sentir:
ouvir o que não tem som,
ler o que não está escrito,
acolher o que chega leve
ou o que pesa como lembrança.
Somos feitos desse encontro misterioso
entre o que guardamos
e o que nos guia por dentro.
O amor esse que a alma conhece
não precisa de lugar para existir:
ele vive onde Deus permite,
e cresce onde o coração entende.
Therezinha Sant'anna
(Inspirado no poema "O amor não se perdeu" de Bruno Alves