Posts de JOSÉ CARLOS DE BOM SUCESSO (137)

Vestido branco

Vestido branco (José Carlos de Bom Sucesso – Academia Lavrense de Letras)

 

Um sonho ao ver o vestido branco,

No corpo da amada.

Subindo o altar da igreja

Fazendo os convidados delirar de inveja.

 

Nas mãos pequenas e bem arrumadas,

Unhas grandes cobertas por esmalte.

Um buquê de rosas vermelhas,

O terço da Virgem Maria.

 

Entre olhares dos convidados,

A música soa bem forte.

A menina desperta do sono no colo da mãe,

Quer ir ao chão para ver a madrinha.

 

Duas crianças sobem apressadinhas,

Uma carregando um cesto de flor.

Outra, uma imagem de São José.

De passinhos, pé por pé.

 

Lá do alto do altar,

O padre espera impaciente.

Fotógrafos querem uma imagem ardente,

Pois a amada entra no portal principal.

 

Todos ficam de pé,

Uns querem ver primeiro.

A amada sobe feliz,

Sorrindo aos que ali estão.

 

Então o vestido branco,

Rasteja o chão todo enfeitado.

A ninfa viaja aos quatro cantos,

Porque o dia é o mais feliz.

 

 

Saiba mais…

Curvinha da estrada

Nesta curvinha da estrada,

Onde passa boi e também passa boiada.

Existe um lugar, debaixo da árvore,

Que sempre alguém se apavore.

 

Passando por ali, ouvindo uma canção,

Escuta um forte barulho, uma assombração.

Faz o homem correr,

Tremendo de medo, podendo até morrer.

 

A lenda diz que o escravo Manoel,

Que lia e escrevia em um papel.

Fugia da labuta todos os dias,

Para contar as suas alegrias.

 

Em um dia de sol forte,

Com vento soprando do Norte.

O capanga da fazenda do Padilha,

Escondeu no mato e fez a armadilha.

 

Pobre Manoel foi pego,

Levado para um rego.

Sofreu com todas as chicotadas,

Nos risos e piadas.

 

Morreu o pobre coitado,

Sendo enterrado, ali todo açoitado.

Sobre o corpo fraco e ensanguentado,

Seu escrito novo, todo amarrotado.

 

Quem ali passa escuta um gemido,

Das açoitadas levadas pelo fugitivo.

Belos versos são ouvidos,

Para amenizar os gemidos.

 

 

 José Carlos de Bom Sucesso – Academia Lavrense de Letras

Saiba mais…

Isaura

Na janela da casa,

A língua ardendo feito brasa.

Isaura olha para o lado

Esperando um novo “babado”.

Fala da roupa do João,

Que lhe disse um não.

Não a quis para namorada,

Quando a viu na “balada”.

Fala da Maria,

Sua tia.

Diz saber de tudo

E jamais ficar com o coração mudo.

Sempre quer fofocar,

E não espera a noite acabar.

Fala do padre,

E do convento, da madre.

Do pássaro que canta,

Tapa os ouvidos com uma manta.

Isaura é mesquinha,

Briga por causa de uma galinha

Que passou para seu quintal.

Da vizinha, fala muito mal.

O tempo vai passando,

As horas vão andando.

Isaura, na janela,

Não põe fogo na panela.

O jantar é altas horas,

Recheado de amoras.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Sonho

É meia noite.

A última badalada soou no relógio.

Ouve-se o pequeno bramir.

A boca finge que sorri.

Olhos mexem de tal maneira,

Pois o sonho começa.

Viajar até Paris,

Comer o melhor prato francês.

Navegar sobre o Mediterrâneo,

Repousar na Grécia Antiga.

Estar nas touradas de Pamplona,

Sair correndo com medo do touro.

Esquiar nos Alpes

Querendo bisbilhotar o Everest.

Sobrevoar o safari,

Fazer pouso de emergência na cova dos leões.

Correr junto aos atletas africanos.

Cumprimentar o Mickey

Quem sabe ver o presidente dos Estados Unidos.

Tocar trompete mexicano.

Comer churrasco gaúcho,

Ao som de lindas melodias.

Atravessar a ponte Rio-Niterói, de bicicleta.

Pescar na lagoa Rodrigo de Freitas,

Quem sabe passear ao ar livre...

Abraçar o ídolo,

Ouvir a bela canção.

São duas horas sonhando

Lendo um belo livro.

O galo canta ao longe,

O caminhão buzina logo,

Então acorda e

Lembra que foi um sonho.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

A música

Os sinos anunciam as dezoito horas,

Conversando entre si.

Um badalo forte e outro badalo fraco.

No alto falante da igreja Matriz

Ouve-se o som do violino.

Notas graves e rastejantes,

Com bemóis e sustenidos.

A bela canção da “Ave Maria”

Transborda o som a todos os lados,

Desde a região norte até as extremidades.

Alguns transeuntes

Por um pequeno minuto,

Param, olham para cima

E saúdam a Virgem Maria.

Os pássaros voam até os ninhos,

Pombos pousam e escutam atentos.

O sol já se esconde no horizonte,

O vento frio sopra a nordeste.

O refrão ainda é mais lindo

Porque parece que o violino chora

As notas de uma a uma.

Já terminada a canção

Outros instrumentos repetem a melodia.

É fim de tarde

E o dia termina.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

As Cartas

 

Em uma folha toda bordada,

Cheia de pequenas flores

Nas várias cores.

Pintada na cor vermelha,

O nome do amado.

Recheada de muitos corações,

Flechados pela flecha do amor.

Diziam belos versos,

Em alguns erros da língua,

Trocando o “x” pelo “s”.

A letra meio trêmula,

Pois já era início da adolescência.

Falava muito em Ciência

Para tentar explicar o amor.

O nome do amado era escrito em letras maiúsculas,

Pois queria fixar bem a atenção.

Dizia em certos trechos,

Sempre “Eu te amo”.

Trocava a carícia de uma letra,

Sempre mencionando o coração.

A alma pura e serena,

Não sabia o que era o verdadeiro amor.

Cartas, aliás, as primeiras cartas de amor,

Na assinatura,

Uma marca dos lábios de batom.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

Saiba mais…

Brincando com o lápis

Domingo frio,

Ventos soprando do horizonte.

Na janela, ouvia-se um pequeno assobio.

Era o vento.

Deitado na cama,

Obducto em cobertores,

Vestido com um paletó.

Uma pequena mesinha no colo,

Uma folha de papel em branco.

O lápis médio, na madeira negra.

Com um pontinho,

E puxando para baixo,

Fiz a letra I.

De índio, de inteiro...

Puxei um pouco mais e fiz a letra P.

Pato, pátria, pai.

Pensei mais uma vez,

Fiz a letra R.

Romântico, Rei, Roma.

Experimentei colocar uma vogal.

Fiz uma palavra.

Então fiz mais uma palavra.

O sujeito precisa vir,

Também o predicado,

Quem sabe o objeto direto.

A vírgula queria aparecer,

Juntamente com o ponto, etc.

Fui fazendo isto bem lentamente.

Quando terminei,

Surgiu uma poesia.

 

José Carlos de Bpm Sucesso

 

Saiba mais…

Mariazinha

 

Mariazinha está à janela

Esperando o amor passar.

Passou o pedreiro que lhe disse:

- Onde está o seu amor?

Como a cabeça balançando, ela disse:

- Ele ainda não passou.

Um pouco depois passou o padeiro:

- O seu amor passou?

 - Não, ele ainda não chegou.

Peteou mais o cabelo,

Colocou uma fita branca e pensou:

- Quem é meu amor?

- Não tenho o meu amor,

Nem mesmo sei quem ele é.

- Será um poeta, nos lindos versos,

- Será o médico, nas noites de plantão.

- Será um bravo soldado,

Lutando nos campos de guerra.

- Será o fazendeiro,

Que regará as plantas,

Que trabalhará a terra...

O tempo foi passando,

As horas foram caminhando.

Um mês passou,

Um ano passou.

Dez anos passaram.

Mariazinha sempre à janela,

Esperando que o amor passasse ali.

Duas décadas passaram,

Enfim a vida passou.

Descobriu que quando o amor queria passar,

Ela sempre escolhia.

Escolheu tanto,

Que ficou escolhida.

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

Saiba mais…

Chuva

 

O céu escurecendo aos poucos,

Tem uma sensação de calor.

Aos poucos o vento sopra bem suave.

As aves voam em círculos,

Principalmente o urubu, que plaina em lindo voo.

O sol se esconde por entre nuvens

Refletindo a pouca luz

Que são vistas como raios descendo do céu.

A grande nuvem negra suspensa no ar

Vai se transformando em cor mais clara.

Os primeiros pingos de chuva caem

Suavizando o mormaço ardente.

Um pingo aqui,

Outro pingo ali.

As aves buscam abrigo,

Nas imensas copas das árvores.

O menino corre desesperado

Procurando a casa paterna.

Um estrondo se ouve acima da cabeça

Parecendo um tiro de canhão.

O raio risca o céu ainda negro,

Fazendo estradas cheias de curvas.

O vento sopra mais forte

Tombando o pequeno pinheiro no jardim.

Como uma tina de água,

Os pingos se transformam mais volumosos.

O barulho da água caindo sobre os telhados.

As calhas se enchem e jogam para a rua

Descendo um pequeno riacho pela calçada

Que vai desaguar no pequeno córrego,

Lá no fundo da montanha.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

Saiba mais…

Boiada

A boiada passou,

O povo olhou.

O boi berrou.

À namorada, o namorado abraçou.

O tempo parou,

Quando o relógio da matriz soou

Meia noite, a hora do voo

Da coruja

Do morcego,

Da barata,

Do pássaro perdido.

O fogo acendeu.

A brasa queimou

A lenha que estava no pátio.

O homem jogou água,

Que estava na lata.

Veio mais um homem,

Com outra lata,

Apagou o fogo.

Para quem estava vendo

Ficou decepcionado.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Vaca

Um bufado

No clima nublado.

Debaixo de uma árvore

Onde a brisa parece uma maré.

A vaca puxa o capim

Com tamanha força, que vai até o fim.

Levanta a cabeça de repente

Parecia ver uma serpente.

Mastiga tudo, de uma vez,

Engole rapidamente à espera do revês.

Olha para um lado,

Faz um sinal com rabo.

Deverá ser de alegria.

Tosse. Deve estar com alergia

Do capim seco.

Uma gordurinha, um sossego.

Mais uma baixada

Fica até calada.

Novo feixe de capim

Queria mesmo ir para o jardim

Ao lado do pasto.

Anda até de fasto,

Quando vê o dono,

Enrolado no pedaço de pano.

Vem devagarinho

Pisando de mansinho.

Na escuridão da tarde que se aproxima.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

Saiba mais…

Dançar (José Carlos de Bom Sucesso)

Psiu...

Estás ouvindo esta música?

“A valsa do imperador”.

Não me lembro... Será, talvez,

“Danúbio Azul” ...

Sim, é a valsa dos sonhos,

A valsa que dançaste no dia da tua formatura.

Estavas linda,

Os cabelos longos e bem negros,

Até a cintura,

Rodeavam por todos os lados.

O vestido branco, com detalhes liras,

Resplandecia no grande salão,

Rodeado de flores brancas e vermelhas.

Quando giravas,

O sorriso meigo e radiante,

Parecia contagiar quem ali estivesse.

Os lindos olhos negros

Fitavam ardentemente o rosto do inesquecível pai.

Nos passos pelo salão,

Todos tinham os olhos para ti.

Quando os violinos faziam o som cantante,

Os fios de cabelos do corpo ouriçavam

De alegria por seres a minha rainha.

Hoje, porém, com a neve natural nos lindos cabelos

Que negros eram,

Estás aí, sentada junto à varanda.

Não ouves direito,

Nem mesmo enxergas a bela natureza.

Tudo mudou.

O tempo passou,

As lembranças ficaram,

Porém ainda lembras da valsa

Que o amor te confiou.

 

 

 

 

 

             

Saiba mais…

Furto

4416291662?profile=RESIZE_710x

 

 

Um dia,

Na calada da noite,

O adolescente queria presentear.

Não tinha dinheiro,

Pois o pagamento ainda não tinha saído.

Percorreu o comércio,

Viu lindos vestidos,

Belas blusas,

Saias de várias cores.

Não se agradou.

Queria algo melhor.

Sentou-se no banco da praça,

Deliciou em ver a imagem da garça.

Lembrou da amada,

O primeiro amor.

Coleguinha de escola,

Que passava a cola,

Da prova de Português

Até mesmo o Inglês.

Os olhos se abriram

Quando ali, eles viram,

Uma pequena rosa.

Na cor rosa,

Seria um lindo presente.

Não quis apanhá-la.

Com o celular ligado,

Uma linda fotografia tirou da rosa.

Abaixo da fotografia escreveu:

Se eu a tivesse cortado

Não ficaria linda como está.

Lembras de mim,

Ao vê-la no celular.

 

 

Autor- José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Aquela flor

4332226850?profile=RESIZE_710x

 

Lembra-te da flor que ganhaste?

Era uma pequena rosa,

Uma rosa vermelha, toda aberta.

O caule verde,

Ainda lembra os pequenos espinhos

Que hoje estão na vida.

Um pequeno inseto,

Talvez uma pequenina formiga,

Passeava tranquilamente sobre ele.

Tinhas medo,

Pois não sabias se o inseto era venenoso.

Os olhos brilharam tanto,

Que refletiam a luz de teu amor.

Lembras, também, da vizinha do lado.

Ela sempre te dizia coisas lindas das flores.

As rosas eram a especialidades.

Dizia como as cultivarem.

Ouvias e encantavas com as belas palavras.

O amor crescia dentro de teu coração

Que às vezes explodia em cores no rosto.

A vermelha combinava com as rosas,

O brilho dos olhos combinava com o coração.

A paixão ardia no fundo da alma,

Que o sorriso mais parecia com a velha canção:

“Receba as flores que te dou”.

 

 José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Olhar

 

Brilhante.

Está olhando para o amante,

Na noite clara e serena,

Aquela linda e pequena

De cabelos pretos como a noite.

Fazendo da vida dele, um açoite.

 

Por mensagens de WhatsApp

Sempre disfarça que não é p.

É jovem como muitas são

Querendo deixá-lo na mão.

 

O sorriso pequeno e belo

Lembra dos contos de Otelo.

O meigo carinho e sorriso

Fazem qualquer um perder o juízo.

 

As palavras saem com voz suave

Semelhante ao voar de uma ave.

Nas finas estampas e modelos

Do coração fazem elos.

 

 

 José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Ontem

O que seria do hoje

Se não tivesse existido o ontem?

O amanhã é incerto,

Tem projeto de ser bom,

É uma escuridão dentro da incerteza.

O ontem ficou para trás,

Ficou no pensamento,

Realizou o que estava sendo feito.

Foi feliz,

Foi triste,

Foi bom,

Foi ruim.

O ontem teve saudade,

Que ficará para a eternidade.

O fato foi concreto,

Também discreto.

O planeta girou,

Em grande velocidade.

As pessoas sentiram o prazer,

Sentiram, também, a desilusão.

Algumas riram,

Outras choraram.

Umas nasceram,

Outras morreram.

A vida persiste em uma longa estrada.

Sem fim, talvez.

A ligação do ponto A ao ponto B.

É só acreditar.

É só viver.

Saiba mais…

Ritinha

Era aquela pequena menina

Que todo dia,

Sentada na escada

Não sorria, estava sempre calada.

Com seu vestidinho de bolinhas,

Escrevia as primeiras linhas.

O caderno era cor de rosa,

O texto, uma pequena prosa.

Escrevia os passarinhos

Sendo todos bonzinhos.

De vez em quando olhava o dicionário.

Falava do lindo canário.

Não tinha rimas,

Escrevia direto para as primas.

Dava um sorriso e batia palmas.

Deveria estar escrevendo para as almas

Dos grandes escritores,

Hoje os seus doutores.

De vez em quando apagava a escrita.

Dizia que não estava bonita.

Rasgava a folha do caderno,

Seu grande amigo eterno.

Os olhos brilhavam e se misturavam

Nas flores ao redor, onde os pássaros a admiravam.

Ritinha cresceu.

Estudou,

Namorou

E escreveu

Uma linda poesia para a natureza,

Hoje é uma beleza.

 

 

 

Saiba mais…

Doce lembrança

 

Doce lembrança

Do tempo de criança.

Não se tinha nada,

Nem mesmo o conto da fada.

 

Aos domingos vestia-se uma calça.

Ficava grande, mas punha-se uma alça.

Ia arrumadinho para a missa,

Mesmo estando com preguiça.

 

Escutava o padre falando,

E o menino ao lado xingando.

Queria que a missa acabasse rapinho

Para ele jogar bola no campinho.

 

A catequista punha as crianças para frente,

Fazia que elas cantassem de alma presente.

Alguns fingiam cantar

Para a música lhes despertar.

 

Quando o padre dava a bênção final,

Parecia que estava na capital.

Era gente correndo para todo lado,

Pensando na sobremesa, o melado.

 

Na mesa, como um banquete,

Tinha arroz, feijão e macarronada. O porrete,

Se não comesse, era a ordem do dia.

Engolia tudo, mesmo quem não podia.

 

 

 

Saiba mais…

Ponte

3797044078?profile=RESIZE_710x

 

 

Existe um lugar na vida

Onde todos vão passar.

Alguns vão primeiro

Outros vão mais atrás.

 

Não se sabe como é a ponte

Que leva a esperança

Em dias melhores,

Em noites estreladas.

 

Lá do alto do morro,

Alguém observa com carinho.

Vem lento, muito lendo, observar

A travessia de quem na ponte está.

 

O pequeno riacho cortante,

Leva a vida para outro lugar.

Não é feio, mas possui luz

De alguém que deseja ir lá.

 

A ponte separa a felicidade,

O medo, a dor e a esperança.

Bem perto, muito perto de você,

Pois a travessia ainda é sua.

 José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…
CPP