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Borboleta

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Borboleta

 

Voa, minha querida e linda borboleta.

Não sei onde queres chegar.

Entre uma planta e outra,

Levas algo dentro de ti.

Não sei se viajas no tempo,

Será que recordas do passado.

No presente, és admirada,

Por muitos que encantam com teu voo.

Encontras uma margarida.

Um pouco mais, pousas em uma rosa vermelha.

Não contentas, nem mesmo alguns segundos.

Bates novamente as asas...

Como um turbilhão de vendo de calda,

És empurrada para frente.

Fazes uma manobra perigosa.

Quase bates na árvore de cedro.

Penso que foste embora, desaparecendo no verde do bosque.

Alguns minutos passam.

Como uma notícia,

Ressurges no alto da árvore.

Uma descida rápida,

Pousas na rosa amarela.

Não demoras.

Mais uma vez, fazes alguns malabarismos.

Decolas novamente.

Não dás um pequeno tempo para observar-te novamente.

Vais novamente para outra planta.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

 

 

Saiba mais…

Amor

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Amor

 

Como é bom amar,

Por um pequeno instante estar.

Junto à pessoa amada,

Mesmo que esteja de boca calada.

Bem juntinho,

Mesmo trocando um beijinho.

Contando os causos,

Rindo para os aplausos.

Na rua, sentando a um banco,

Vendo a amada calçada de tamanco.

Observando a natureza,

Veja só a cara da Tereza.

Está com raiva e desesperada,

Porque o amor vence qualquer parada.

Fitar as pessoas que ali passam

Encontrando as mãos que se amassam

No longo aperto de mão,

Onde os pés, juntos, estão.

Olhar dentro do olho de cada um,

Falando versos em comum.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Menino emburrado

     * José Carlos de Bom Sucesso

Olhe para ele.

Que menino é aquele.

Com a cara feia

Calçado de sandália e meia.

Não fita lado nenhum.

Detesta o zunzum

Dos colegas na sala de aula.

Faz careta para a menina Paula,

Que ousa lhe dar atenção.

Nega tudo, até a própria mão.

Sempre de cara fechada,

Sem sorriso com uma piada.

Fica assim a aula toda,

Mesmo contando a história da loba.

Parece estar enfurecido

Igual a filme de bandido.

Os olhos piscam pouco

Imagine um filme de louco.

Lê o tempo em que está disponível.

Será um gênio, muito provável.

Faz a redação

Sempre comendo um pedaço de pão.

Olha para o professor

Que imagine ser o doutor.

Fica quieto e jamais conversa.

Adora uma controversa

Dos colegas que batem boca.

De braço cruzado,

Cada vez mais emburrado.

O menino da cara feia

Que não sorri, mas tem uma ideia

De crescer e ser doutor.

Quer também ser professor.

Assim é o menino emburrado.

 

 

Saiba mais…

Senhores poetas

 

Dois poetas se encontram

Na via central, bem movimentada.

A tarde chegava ao fim.

No horizonte, um vistoso pôr-do-sol,

Anunciava o próximo “Angelus”.

As pessoas passavam apressadas.

Vinham do mercado central.

Os automóveis desfilavam em velocidades,

São os erros das cidades.

Um andante passa apressado.

Voltava do funeral do amigo contemporâneo.

Uma jovem distraída passa por eles e ameaça parar.

A mãe dela olha assustada e com um agradável sorriso os saúda.

A jovem assim diz:

- Quem são eles, minha querida mamãe.

Filhinha, ali está uma biblioteca ambulante.

São dois poetas que ali conversam.

São iguais a nós, mas são os criadores

Dos versos que você estuda na escola.

Que os casais declamam uns para os outros.

Que olham para a natureza e a transforma nas harmoniosas palavras.

Que falam de amor, de saudade, de aventura.

Estão conversando entre si,

Os pensamentos deles estão nas letras.

Um escreve o sol forte,

O outro, a leve chuva que cairá.

Um abraça uma flor e a transforma no lindo buquê de rosas.

Poucas são as pessoas que os veem assim.

São eles pessoas abençoadas

Na arte de escrever, de recitar e até mesmo dizer

Belos versos em poucas linhas.

Deveriam ser muito respeitados,

Deveriam ser sempre saudados,

Deveriam ser grandes autoridades.

Os dois devem estar imaginando o fim de tarde.

Então, a menina, assim diz:

- Boa tarde, senhores poetas.

 

 

Saiba mais…

Torresmo

 
 
Quer comer torresmo do "bão"?
Vá à roça do João.
No sábado, pela manhã,
Assistindo ao jogo no Maracanã,
Terá carne fresca.
Fígado, com cebola.
Finja que está jogando bola.
Miúdos, com cebola de folha.
Beba água e fique uma bolha.
Linguiça bem temperada
Para aguentar esta parada.
Toucinho gordo é sinal de torresmo.
Coma e rote a esmo.
Tem o chouriço bem cozidinho,
Também um pedaço de bifinho.
Chame o Pedro, com apelido de Minga,
Cante, fale e beba uma pinga.
O limão está do lado de fora,
Perto da árvore de amora.
O arroto alto e forte,
Sinta o vento vindo do norte.
O cheiro é bom,
Escute a música com um som.
É dia de torresmo, de carne, de festa.
Vai doer a cabeça e por isso põe uma batata na testa.
 
 
 (José Carlos de Bom Sucesso - ALL)
 
Saiba mais…

Dia no campo

Quem não gosta de passar, pelo menos, um dia no campo.
Na fazenda repleta de gado,
Onde corre uma límpida água,
O galo canta na madrugada
Anunciando mais um dia.
As vacas berram chamando os bezerros.
O homem do campo levanta,
Toma o belo café reforçado,
Com broa, pão de queijo, biscoito e rosca.
Um café bem forte,
Que o cheiro exala ao longe.
O vento sopra afinado
Querendo a chuva trazer.
O sol nasce, ainda sonolento,
Prometendo as manonas arrebentar.
O cão vaga de um lado para outro.
Ele quer correr atrás do gato preto
Subido no monte de lenha.
A brisa vai soprando.
O sol vai ficando mais forte
E faz uma das vacas deitar na sombra da árvore.
Assim vai caminhando o lindo dia no campo.

 

José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Esqueceram

 

O poeta foi à praça

Saiu sem graça.

Ninguém o viu,

O verso sumiu.

 

Olhou para cima

Procurando uma mina.

Um simples caninho de água,

Mas foi para a Nicarágua.

 

O poeta ficou desolado

Nem mesmo viu alguém do lado.

Saiu sem olhar para trás,

Pensou ser incapaz.

 

Pegou a caneta e o papel

Fez um verso sobre o mel.

Rasgou e o jogou fora.

A inspiração não estava na hora.

 

Esqueceram, sim, do poeta,

Ele pensou ser atleta.

Correr e fazer verso,

É melhor que ser perverso.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiba mais…

Vamos fazer o amor

 

No dia de sol,

Na calada da noite,

Até mesmo no açoite,

Uma pequena conversa, nada mal.

 

No quarto, a dois,

Os problemas virão depois.

Na noite fria, à luz de vela,

Encostados, no muro e na tela.

 

Na praça, entre as flores,

Falar dos amores,

Das dores, da aflição,

Por onde bate o coração.

 

Na igreja, com muita gente,

Por palavras, a gente sente.

Entre as multidões

Unindo os corações.

 

Dentro do ônibus, bem apertadinho

Uma forma de carinho.

Falar em voz alta e forte,

Antes mesmo da morte.

 

Fazer o amor a dois, a três

Todos os dias, todo mês.

Ensinar o que se sabe

Até onde o ideal cabe.

 

O tempo passa

Alguém se abraça.

Pois é vida, é calor

Para fazer o amor.

 

 José Carlos de Bom Sucesso - ALL

 

 

 

 

Saiba mais…

Selva

 

Que lugar é este

Onde tudo é diferente.

Não se tem coração

Nem mesmo um pouco de alma.

 

Que lugar diferente

Onde ninguém é gente

Vê-se tudo de concreto:

Casas, prédios, canteiros, ruas...

 

Que lugar é este que o rei é bandido

Do povo temido,

Morre por falta de tudo

De dinheiro, de amor, de alimento.

 

Selva misteriosa,

Pouca alma bondosa

Que acolhe o estranho.

 

Cidade de pedra, metrópole

Megalópole.

O poder, o ódio, a corrupção

Governam a selva de pedra,

A selva sem amor,

A selva do nada.

 

José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Flor do ipê

 

O sol escaldante desce.

Nem mesmo ninguém merece

Ver a linda flor de ipê.

Pouca pessoa a vê.

 

A menina atirada

Querendo chegar à juventude sarada.

Olha para cima e vê

A linda flor de ipê.

 

Os olhos brilham apressados,

Na mente, ressoam os passados,

Do primeiro beijo nascente

Daquela linda tarde errante.

 

As mãos trêmulas e pequenas

Deslizando sobre as pernas

Do amado, da paixão,

Que afetou o coração.

 

A flor cai no rosto dos dois amantes

Sendo a vitória de poucos estreantes.

O calor corre corpo à fora

Pois ainda não chegou a hora.

 

De beijar e ser beijada

Pela garota sarada.

O corpo grita e estremece

Pois a alma do prazer amolece.

 

 José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Montanha

 

No alto da montanha

Tem árvore,

Tem castelo,

Tem flor,

Tem passarinho,

Tem cobra venenosa,

Tem alma bondosa.

No alto da serra

Ainda não tem guerra,

Nem moleza.

Tem esperteza

E carinho da natureza.

Na beira do rio

Tem areia,

Tem pedra,

Tem água doce e sadia.

Tem sombra para esconder do dia.

No auge da vida

Tem dinheiro,

Tem prestígio,

Tem litígio,

Tem festa e bebedeira

Para dizer que tudo isto é besteira.

No finalizar dos sonhos,

Acabam-se as esperanças

Voltará a ser como crianças,

Fim dos fins.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

Saiba mais…

Recordação

 

Diz o destino que um dia

Alguém recordaria

De algo do passado

Mesmo estando atrasado.

 

São os belos momentos

Da vida, que passam como os ventos.

Recordações do passado vivido

Mesmo sendo ele sofrido.

 

Uma canção

Que tocou o coração.

Uma frase de duas linhas

Que se lia em poucas palavrinhas.

 

Quando o coração batia forte

Estremecia a alma e dizia estar com sorte.

Um pequeno abraço, bem apertado,

Pois o amor está libertado.

 

Assim pensa o dia

Que se corre na veia e se podia

Dizer o quanto o amor é forte

Sabendo que ainda chegou a morte.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

 

Saiba mais…

Escuridão

 

Tolda-se a luz do dia

Em pequenos passos, alguém ali caminha.

Não é um fantasma na noite escura,

Nem mesmo o guardião da praça.

De reduzido porte, no chão cai,

Uma pequena bulha se ouve.

Muito fraco é o som, pouco perceptível.

Cai uma pequena folha da árvore,

Quase que invisível aos olhos humanos.

Se fosse grande, arruinaria o caminhante,

Que atento desvia o olhar para cima.

Cai, muito mansa, muito devagar.

Às vezes o ar a segura firmemente

Para não espedaçar de uma só vez.

Age como se fosse um simples freio

Ou o arrasto da corrente descendente.

Segura o máximo que puder e,

Desviando para um lado e para o outro lado,

Cai lentamente no chão úmido

Ali preparado para recebê-la,

Tão frágil, tão insignificante,

Que no auge da vida

Grassou o mais lindo verde:

O da esperança e o do descanso.

O caminhante se dá conta

Que um pequeno viver ali desapareceu.

Recorda das fadigas do dia

E simplesmente pensa:

Por quê?

A bela e bonita folha verde,

Muito vista nos dias passados.

Não tem mais vida,

Nem mesmo um pássaro nela abrigou.

Acabou, morreu, foi para o chão.

Não mais existe, assim como a vida não existirá no futuro.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Chorar

 

Por quê chorar?

Chorar o minuto que passou

E não deu tempo para fazer o bem.

Chorar o passado

Lembrando que está no presente.

Chorar para dizer um simples sim

Que foi perdido no tempo e no espaço.

Chorar por não acreditar em você mesmo

Sabendo que o mundo está tão perto de você.

Chorar por aquela longa estrada

Onde levou a sua matéria e não mais volta.

Dizer o não lhe custou muito,

Pois feriu os sentimentos recebidos em dádiva,

Feriu a bela e próspera imagem do passado,

Que refletirá no futuro e nem sempre estava dentro dos planos.

Chorar o não que ainda passou,

Permanecendo nos erros e nas poucas ideias

Onde a vida lhe deixou.

Chorar, sim, chorar, não.

Pensar que vai chorar

Pelo amor fraterno e pela paz.

Chorar o belo, mesmo que seja feio.

Enfim, chorar, a arte de chorar,

Está dentro de cada um,

No íntimo, no externo.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

Saiba mais…

Menia bailarina

 

Baila, baila, menina.

Em teus sonhos, ser bailarina.

Um passo para a esquerda

Com cuidado, chora a perda.

 

Sobre a ponta dos pés

Um, dois, três, passos ao viés.

Corre para a direita

Como se fosse em rua estreita.

 

As mãos balançam constante

De acordo com a música alucinante.

Em gestos típicos e singelos

Geometricamente, em paralelos.

 

Em teu sonho de bailar

Viajas no tempo a dilatar.

Pensas ser gente grande e talentosa

Dançando a música amorosa.

 

Lembrarás neste momento primário

As roupas no armário.

Serás a rainha dançarina,

Serás a eterna bailarina.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

Saiba mais…

Debaixo da árvore

 
Naquele lindo lugar,
Debaixo da árvore, no luar.
Vi a sua pessoa
Mesmo estando na vida atoa.
 
Os lábios diziam alguma palavra
Como ouro, na lavra.
O olhar era fito
Ainda na era do mito.
 
Aproximando-se, com aperto de mão
Sacudiu por dentro o coração.
As palavras eram suaves e leves
Iguais a plumas de neves.
 
O balanço do corpo ardente
Virava nuvem no olhar poente.
Estremecia o batimento do coração
Cantada na mais linda canção.
 
Um balançar da cabeça, um oi
Sumindo na luz fria que se foi
Não mais vejo o rosto ardente
Que por um momento, me deixou contente.
 
 
Acadêmico José Carlos de Bom Sucesso - ALL
Saiba mais…

A dança do casal

 

A bateria rufava os tambores

Pareciam horrores.

O teclado espumava os sons

Sendo daqueles, os bons.

 

Na pista, um casal franzino,

Deveria ser da família Rufino.

Ele, alto, vistoso, amoroso.

Olhava fito ao par, bastante prazeroso.

 

Mesas ao lado direito,

Outros casais olhavam bem estreito.

Queriam dançar, queriam brincar,

No salão a valsar.

 

A cada passo maluco

Tinha até um turco.

Falando ao ouvido, bem baixinho,

Afagando o seu gatinho.

 

Ele a fitava no olhar,

Dizia algo ao bailar.

O som era mais forte

Vindo do lado norte.

 

Ela lhe dizia alguma coisa

Olhando firmemente para a lousa,

Escrito estava,

Que ele a amava.

 

Um, dois, três e o quarto passos

Viriam terminar nos braços.

Não sei quem, mais alguém lá fora

Dizia para ela ir embora.

 

Ele, ainda mudo,

Ali, com o amor perdido.

Sentou-se na calçada, ao lado.

Permanecendo ali, calado.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

Saiba mais…

Inverno

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Quando o ipê roxo floresce

Abrindo suas lindas flores.

Abelhas serenam sobre elas

Voando e trombando entre si.

Um descuidado beija-flor

Abre as asas no galho superior.

Não se importa com quem o vê.

Bate suas lindas e frágeis asas.

Uma mosca voa rapidamente,

Sendo perseguida por um pequeno pássaro.

Esconde entre as lindas flores roxas.

O vento sopra suavemente

Fazendo com que algumas flores menos novas

Despencarem do alto da copa.

Vão na direção do chão frio

Transformando-se em um vasto tapete roxo.

O caboclo olha para cima

Lembra que o inverno está próximo.

É hora do agasalho, é hora de se recolher.

 

Acadêmico José Carlos de Bom Sucesso - ALL

 

 

 

 

Saiba mais…

Somos poucos

Somos muitos,

Mas poucos.

Conhecemos a história

Dos líderes, dos mártires e dos poetas.

Castro Alves em lindos versos,

Chama atenção à liberdade

De expressar a eterna saudade.

Drummond não mais voltará à Itabira,

A Vale comprou tudo.

Noel Rosa sempre olhando a Estrela Dalva

Despontando a cada noite no céu,

Traz a magia dos bons tempos do carnaval.

Encantamos casais,

Não somos encantados.

Publicamos livros para poucos,

Pois os meios de comunicação não nos conhecem.

A mídia é para poucos

Que descarregam dinheiro em propagandas

Nos jornais, nas revistas.

O pobre poeta solitário

Encanta a lua com os versos,

Pobre em palavras, porém ricos em sabedoria.

Somos o mundo que se curva aos pés

Do cronista que fala do dia a dia,

Do compositor, em sua nova canção.

Somos fracos diante dos opressores,

Que possuem fortunas.

Somos também fortes sobre eles,

Pois temos a arte de juntar as palavras,

De fazer alguém feliz.

Ver o marido dizer um dos versos,

Que horas ficaram presos entre as palavras.

Somos fortes ao ver e receber críticas

De quem não conhece,

De quem nos prestigia.

Somos abençoados por Deus

Em dizer o amor em versos,

Em falar da natureza em prosa,

De fazer uma criança sorrir, com um conto.

De estremecer de medo o morador perto do cemitério.

Somos muitos, somos poucos prestigiados,

Somos o princípio da luz

Vinda do sol, da lua, da galáxia.

Somos a vida a cada fio

De lembrança, de memória.

Um dia seremos eternizados,

Com uma simples manchete de jornal:

Somos.

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

Saiba mais…

Digital

Não sei brincar

Nem mesmo correr.

Não vejo a natureza,

Mas a vejo na tela

Do Smartfone,

No último modelo de celular.

À frente do notebook

Nos vídeos do youtube.

Em casa ninguém fala comigo,

Se fala, é através de WhatsApp,

De mensagens, de e-mails.

Tenho notícias a todo o instante.

Vejo os amigos ao vivo,

Estão no Japão, na França, perto de casa.

Minhas aulas são digitais.

O computador faz tudo o que quero.

Queria ser humano,

Porém sou robotizado.

Meu mundo é a base zero e um.

Um dia explodo,

Serei marginal

Na era digital.

Invadirei sistemas,

Matarei pessoas, no aeroporto.

Casarei com uma máquina,

A mais linda de todas.

Terei os robozinhos,

Que serão os meus filhinhos.

Viverão mais robotizados,

Porque estou na era digital

Onde todos são o mal.

 

 

José Carlos de Bom Sucesso

 

 

Saiba mais…
CPP