Posts de Juan Martín Ruiz (117)

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Estranha Melodia

ESTRANHA MELODIA

Por esta rua ao sol
O meu amor vai chegando.
Com luz no seu interior
Meu coração vai pulsando.

Há uma estranha melodia
Que voa sem ter porquê,
De uma arpa que delira
Quando meu olhar te vê.

De teu olhar fui ungido
Qual andante cavaleiro,
Dos que penam pela vida
Ate o pulsar derradeiro.

Nesta rua onde eu te via
Ecoa o rútilo esplendor,
Até no ar que respiro,
Disso que chamam Amor.

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FRENESI

O grande frenesi que me fascina
Em horas de fervente exaltação,
Altera o pensamento e a razão
Pois uma luz radiante me ilumina.

A luz do teu olhar nestes meus olhos,
Que vibram embriagados de beleza,
Espalha nos meus versos a gradeza,
Libertos de tristezas e de abrolhos.

Ficou tudo brilhando, como o Sol,
Teu seio, tuas sandálias, os teus braços,
Tua voz, o teu olhar, o teu vestido,

E eternamente ardendo num crisol,
Teus beijos, tuas carícias, teus abraços:
Aquilo que eu sonhei mas não tem sido!

                          Juan Martín Ruiz

ALÉM DO FRENESI

Teu gesto não me veio em tempestade,
Nem no frenesi das ilusões,
Mas como quem recolhe os corações
Feridos pela antiga Soledade.

Havia em teu silêncio uma verdade,
Além das carnais exaltações;
Teus braços eram brandas orações
Curando minhas noites de ansiedade.

O amor não vive só de ardente chama,
Mas da presença sóbria que derrama
Luz serena nos dias de aflição.

E quando o tempo enfim tocar meu rosto,
Restará teu afago, oculto e posto,
Como eterno silêncio do perdão.

                  Antônio Domingos Ferreira Filho

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Frenesi

FRENESI

O grande frenesi que me fascina
Em horas de fervente exaltação,
Altera o pensamento e a razão
Pois uma luz radiante me ilumina.

A luz do teu olhar nestes meus olhos,
Que vibram embriagados de beleza,
Espalha nos meus versos a gradeza,
Libertos de tristezas e de abrolhos.

Ficou tudo brilhando, como o Sol,
Teu seio, tuas sandálias, os teus braços,
Tua voz, o teu olhar, o teu vestido,

E eternamente ardendo num crisol,
Teus beijos, tuas carícias, teus abraços:
Aquilo que eu sonhei mas não tem sido!

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Feitiço

FEITIÇO

Como eu gosto de te olhar!
O teu rosto me fascina,
Pois conjuga o verbo amar
Num verso que não termina.

Vibra o que nunca perdi,
E faz tanto que não vejo:
A viva imagem de ti:
Essa flor do meu desejo!

E todos chamam miragem
À minha visão amada,
Que é o feitiço da tua imagem
Em tanta noite estrelada.

Mas um feitiço adorado
Que a alma lhe faz sonhar
Com seu bem tão anelado:
O sonho de te encontrar!

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Mundo Singular

MUNDO SINGULAR

É o meu mundo singular,
Que a saudade perpetua,
Que é encantado pela lua,
Mas não posso a ele chegar.

Esse é o meu lar a valer,
Onde a alma ressuscita,
Onde o coração habita
Sem ninguém o perceber.

Então, desfraldando as velas,
Ao meu mundo hei de tornar,
Por entre as ondas do mar,
Guiado pelas estrelas.

Hei de embarcar sem demora,
Sem esperar um instante,
Antes de romper a aurora,
Para essa pátria distante.

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Meu Lar

 

 

MEU LAR

Meu lar, tão bonito meu lar!
Lugar onde me criei,
foi onde se abriu a flor
do caminho que começa
sob o desígnio do amor.

Meu lar dos seres queridos,
dos meus momentos vividos
naquele tempo em que as horas
não se sentiam passar,
e tudo era despertar
para inefáveis auroras.

Ó luz desse amanhecer!
Pude então sentir e ver
essas janelas que estão
escancaradas, abertas,
quando na vida despertas
sem dor e sem aflição.

Ó doce lar encantado,
esse que ficou perdido
nos tempos que já lá vão.
Hoje ando naufragado,
pois esse tempo fugido
faz chorar meu coração.

 

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Versos de Amor

 

VERSOS DE AMOR

Gravei um coração flechado,
Dele sangra uma ilusão:
Caminhares ao meu lado,
Pois minh’alma hás cativado
Com exaltada paixão.

Lá vão passando as estrelas
Pelas frias ondas do mar,
Como passaram aquelas,
Fulgurantes e tão belas
Auroras do teu olhar.

Nunca vai chegar o dia
Que este amor encontre o fim,
Porque eu tudo perderia:
Aquilo que mais queria
E quanto resta de mim.

 

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Neste caminho solitário e gris

NESTE CAMINHO SOLITÁRIO E GRIS

Neste caminho solitário e gris,
Onde o tempo cruel me tem levado,
Fantasma sou apenas de um passado,
De um mundo onde outrora fui feliz,

Que mora noutra lua, noutro planeta,
Numa outra dimensão, numa outra esfera,
E numa inextinguível primavera
Criada pelo sonho de um poeta.

E brota do passado uma canção
Que alumbra minha fé, meu sentimento.
Cativa de uma mágica ilusão,

Suspensa num feliz encantamento,
Minh’alma cobra o brilho da paixão,
Senhora do seu novo firmamento!

 

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Eu Tenho um Amor Secreto

EU TENHO UM AMOR SECRETO

Eu tenho um amor secreto,
Não é secreto nenhum,
Mora num sonho escondido
Que nunca tem esquecido
Meu coração em jejum.

Foi no jardim do passado
Onde o meu amor sonhado
Mostrou a sua luz primeira,
E lá ficou escondido
O meu coração ferido
Pela seta feiticeira.

Mesmo oculto ele me chama.
Para um coração que ama
Não há tempo nem idade.
Volto à noite ao meu jardim
Pra ninguém saber de mim,
Preso de imensa saudade;

E lá ficamos os dois,
O meu coração e eu,
Nessas noites estreladas,
Cantando antigas toadas,
Dessas que cantam ao léu
As almas enamoradas.

 

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Dueto: Ciducha e Juan Martín

 

 ME POETIZE

Ciducha

Me poetize… me faz voar,
mas voar baixo… dentro do teu olhar,
onde minh’alma aprende a repousar
e meu silêncio começa a te amar.

Sou verso nu, ferida a pulsar,
coração aceso sem saber se apagar,
te escrevo em mim, sem papel, sem voz,
como se o amor sangrasse em nós.

Nas asas febris da imaginação,
me perco inteira na tua direção,
entre estrofes busco abrigo e calor,
e me encontro… prisioneira do teu amor.

E quando a inspiração me vem ferir,
te vejo em tudo que insiste em florir,
sou poeta em dor, em chama, em viver…

Me poetize… pra eu não morrer.

 ÉS MEU VERSO MELHOR

Juan Martín

És meu verso melhor,
Que voa pelo ar,
O meu prazer rimado.
És meu único amor,
Nascido de te olhar
E logo poetizado!

Este tão grande amor que nunca acaba,
Mora no coração e nesta estrada,
E neste caminhar que a ti conduz.
Só de te ver minh’alma se extasia,
Floresce do meu sonho uma poesia
Que eclipsa o meu pesar com tua luz.

E assim a minha vida vai passando,
Cativo de um amor que não tem fim.
Tua face e teu olhar vou poetizando
Absorto num romântico jardim.

 

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Si hubiera sido poeta / Se houvesse sido poeta

SI HUBIERA SIDO POETA

Si hubiera sido poeta
en aquel tiempo florido,
flechado por la saeta,
la que me lanzó Cupido,

te hubiera escrito un poema
para mostrarte mi amor.
Eras mi dicha suprema
y tu ausencia es mi dolor.

Si hubiera sido poeta
en aquel jardín en flor,
hubiera sido completa
la prueba de un gran amor.

Mas para qué sirve ahora
ser poeta o ser juglar,
cuando toda el alma llora
por no poderte encontrar;

cuando se perdió la aurora
que alumbró mi corazón,
cuando sin ti ya no aflora
el fuego de la pasión.

SE HOUVESSE SIDO POETA

Se houvesse sido poeta
Naquele tempo florido,
Flechado daquela seta,
A que me lançou Cupido,

Houvesse escrito um poema,
Pra te mostrar meu amor.
Eras a dita suprema,
E a tua ausência é minha dor.

Se houvesse sido poeta
Naquele jardim em flor,
Houvesse sido completa
A prova do meu amor.

Mas para que serve agora
Ser cantor ou ser poeta,
Quando a alma sofre e chora
Sem a sua Flor mais dileta,

Quando perdi aquela aurora
Que alumbrou meu coração,
Quando sem ti não aflora
O fogo de uma paixão.

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Gosto das Festas

GOSTO DAS FESTAS

Gosto muitos das festas.
Eu vou para sambar.
Meu Amor foi embora,
Eu não vou mais chorar,

Pois ao som do tantã,
Já venci sua saudade,
E encontrei a Diná:
Um amor de verdade.

Quando vi ela cantando,
Minha vida mudou,
Julguei estar sonhando,
Ela me conquistou.

Descobri nova vida,
O prazer de um amor;
Sua canção mais querida
Quando ela me beijou.

Agora eu sou feliz,
É um amor tão bonito!
Ela gosta de mim,
Não estou mais aflito!

 

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O MEU CORAÇÃO NÃO MORRE

Fica a velhice na idade
E rima no coração.
Mora na eterna saudade
O incêndio da paixão.

A vida é que vai passando,
A velhice vai chegando,
Mas nunca morre o amor,
Porque é muito necessário,
É esse som libertário,
É o perfume de uma flor.

O meu coração não morre
Porque estou pensando em ti;
A maior dita o percorre
Se você já vem aí!

A paixão nunca termina
Enquanto eu possa te ver,
Porque ela brota e respira
No mais fundo do teu ser.

 

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Madalena, Madalena

Madalena, Madalena,
Ando louco por você!
É o que toda a gente sabe,
É o que toda a gente sabe,
É o que todo mundo vê!

Tu só gostas, na família,
A Susana, minha avó,
Porque ela gosta do samba,
Porque ela gosta do samba,
E também dança forró!

Madalena, Madalena,
Quero estar a ti colado,
Porque senão desvario,
Porque nas noites de frio
Ando mais enamorado!

Madalena, Madalena,
Vamos lá, ficar juntinhos.
É que acaso tu não viste
Que sem ti eu ando triste,
Sem amor e sem carinhos?

Madalena, Madalena,
Passo o dia pensando em ti,
Ando todo enfeitiçado,
Pelo Cupido flechado
Desde o dia que eu te vi!

Madalena, Madalena,
Ando louco por você!
É o que toda a gente sabe,
É o que toda a gente sabe,
É o que todo mundo vê!

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Astro Fugaz

ASTRO FUGAZ

Mi verso, mi razón y mi ventura
afloran de los días del pasado,
cuando soñé que estabas a mi lado,
cautivos del amor y la ternura.

Sigue alumbrando, en esta noche oscura,
el astro de un querer nunca olvidado,
que al alma peregrina le ha inspirado
momentos de fantástica ventura.

La vida como el viento fue pasando,
el son nunca olvidado renacía,
y el sueño al gran abismo atravesando

llenaba mi universo de poesía.
Sentime triunfador solo de verte
y solo queda en mí lo que sentía.

ASTRO FUGAZ

Meu verso, minha fé, minha ventura
Renascem dos mistérios do passado,
Quando sonhei que andavas ao meu lado,
Ligado ao teu amor, a tua ternura.

Segue alumbrando, nesta noite escura,
O astro de um amor nunca olvidado,
Aquele que marcou meu triste fado
Com versos de saudade e de amargura.

A vida como o vento foi passando,
O som nunca esquecido renascia,
E o sonho o grande abismo atravessando

Encheu meu universo de poesia.
Senti o meu despertar só por te ver,
E só resta de mim quanto sentia.

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ilusão

ILUSÃO

O que resta é apenas a ilusão
De te encontrar à beira do caminho,
E me embriagar daquele doce vinho
Que cativou meu pobre coração.

Mesmo na irrealidade que eu habito
Subsiste aquele sonho de te amar,
Suspendido nas ondas do luar
Que vibram entre o céu e o infinito.

Para te amar compus minha canção,
Nesse vento que passa a rás do chão,
Do chão das minhas noites tão amadas,

Nessas horas amargas desta ausência,
Onde a ilusão mantém nossa cadência
Que imaginei nas noites estreladas.

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Bilhetes de Amor

BILHETES DE AMOR

Ando assim, tão apenado,
Cativo de imensa dor,
Por nunca me responderes
Aos meus bilhetes de amor.

Muitos versos eu te envio,
Oh, meu amor, minha amada,
Fruto deste desvario,
Desta alma enamorada!

Quando te vejo passar,
Fico assim, tão deslumbrado,
Que não posso declamar
Meus versos de enamorado.

Mas penso em ti a toda hora.
És a luz da minha vida,
És canção da minha lira
Que neste meu peito aflora.

Mais um poema te mando
Nesta noite de luar,
Pra me veres naufragando
No teu feiticeiro olhar.

BILLETES DE AMOR

Me encuentro muy apenado
y cautivo del dolor
porque no me has contestado
a mis billetes de amor.

Pues muchos versos te envío,
oh mi Amor, mi bien amada,
fruto de este desvarío
de mi alma enamorada.

¡Cuando te veo pasar
me quedo tan deslumbrado
que no te sé declamar
mis versos de enamorado!

Mas te evoco a cualquier hora,
eres la luz de mi vida,
y la canción de mi lira
que en este mi pecho aflora.

Otro poema te mando
desde el fondo de la mar,
de un corazón naufragado
en tu hechicero mirar.

 

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tu canción / a tua canção

TU CANCIÓN

Es algo que supera a toda ciencia:
el ansia de vivir lo no vivido,
el sueño de sentir lo no sentido,
el triunfo del amor y la inocencia.

Por ti se enciende siempre mi pasión,
la que me alumbra el alma por entero;
y por ser solo tú quien yo mas quiero
entono con mi lira tu canción.

Yo soy el desterrado en cualquier parte,
salvo en aquel lugar donde te vi,
en donde mora el sueño de estrecharte.

El evocar tu nombre es mi camino,
por eso tu canción es para mí
mi rumbo, mi morada y mi destino.

A TUA CANÇÃO

É coisa que supera a toda ciência:
O anelo de viver o não vivido,
O sonho de sentir o não sentido,
A vitória do amor e da inocência.

É por você que vibra esta paixão,
E acende a minha alma inteiramente,
E é por te amar assim, tão loucamente,
Que tange a minha lira a tua canção.

Eu sou o degredado em qualquer parte
Salvo naquele sítio em que te vi,
Onde inda mora o sonho de beijar-te.

Preso duma saudade feiticeira,
Apenas é o meu canto para ti,
Que és luz da minha estrela derradeira.

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Teresa

TERESA

Teresa, tu és perfume de uma flor
Que vaga pelos campos do sentido,
Pois todo o teu encanto fica vivo,
Teu brilho, tua beleza, teu vigor.

Nossas vidas: somente uma viagem
No tempo que libera e que condena.
A saudade nos turba e nos apena
Perante o indecifrável da miragem.

Mas resta, inefável, poderoso,
O eco da tua voz e teu olhar,
O rasto da tua estrela a clarear
Nas ondas do oceano misterioso,

E aquele longo beijo derradeiro
Antes de te perder no nevoeiro.

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Ausência

AUSÊNCIA

Ó Rutilante clarão!
Luz que prendeu minha alma,
Roubando-me paz e calma
Com o fogo da paixão!

Ó meu amor, minha amada,
Da tua ausência que me fere,
Ando perdido na estrada.

Pois se não posso te ver
Sinto o coração morrer,
E o tormento da saudade
Apodera-se de mim,
E esta tristeza sem fim
Torne-se minha verdade.

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CPP