Ouvi, num sopro de vento sufocado,
numa noite sem frescor, luar ou estrela,
que o meu coração seria por ti quebrado.
Coração que te entreguei, em pura oferta,
numa manhã de verão, entre flores do campo,
com a alma em voo e a porta ainda aberta.
O sol mal despontava no horizonte,
a brisa em meus cabelos a bailar,
e o amor vertia como água da fonte.
Mas hoje, ao segredar tua partida,
caí no poço sem fundo do abandono,
mãos trêmulas, alma em sombra submersa.
Só te peço, se não for muito o desvelo:
deixa a foto da manhã em que juramos,
e parte, antes que vejas meu flagelo
Leva tudo... Sonhos e o motivo do riso,
fico despida do teu amor e do teu abrigo,
mas guardo a dignidade — o meu único aviso.
Luly Diniz.
13/03/2026.
