Olhar vazio, que vaga através da janela mirando o passado. Nas mãos, o crochê é sustentado por dedos trêmulos, como quem segura a própria esperança.
É o olhar de mãe, avó e bisavó, que se encontra no limbo da paralisia emocional.
Relembra risos, passadas de correria, o choro pelo arranhão no joelho.
No coração, a desesperança que a solidão imposta traz. Uma alma que ama sem reciprocidade, que sobrevive das recordações, da entrega a Deus e da paz na oração.
Reza pelos que a esqueceram, pois amor de mãe é imensurável. Lágrimas de saudade rolam no rosto enrugado, para aportar nos lábios que ainda sorriem ao recordar dos risos, dos choros e dos arranhões.
Luly Diniz
17/03/2026.
Comentários
Belo texto Luly! é bem verdadeiro, triste fim...A solidão e a saudade doem. Parabéns!